A concretagem de cerca de 8.800 metros cúbicos marca o início da construção principal da segunda unidade da usina de Zhaoyuan, em Shandong. O complexo terá seis reatores Hualong One e capacidade projetada de 7,2 gigawatts quando estiver concluído.
A China iniciou no dia 5 deste mês a construção principal do segundo reator da usina nuclear de Zhaoyuan, na província de Shandong, com uma concretagem de aproximadamente 8.800 metros cúbicos na base do edifício que abrigará a unidade.
O volume supera 20 mil toneladas de concreto, massa equivalente a cerca de duas vezes o peso da Torre Eiffel. A operação foi programada para durar aproximadamente 60 horas e marca o início da fase principal de construção do reator.
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A China General Nuclear Power (CGN) informou que a unidade 2 entrou nessa etapa menos de um ano depois do primeiro reator de Zhaoyuan, cuja construção principal começou em novembro de 2025.
As duas unidades compõem a primeira fase do empreendimento, aprovada pelo governo chinês em agosto de 2024. O planejamento completo prevê seis reatores baseados no Hualong One, projeto nuclear chinês de terceira geração utilizado em diferentes instalações.
Quando as seis unidades estiverem concluídas, Zhaoyuan deverá alcançar 7,2 gigawatts de capacidade instalada e produzir cerca de 50 terawatts-hora de eletricidade por ano. A estimativa do projeto indica geração suficiente para atender aproximadamente cinco milhões de pessoas.
O empreendimento também projeta economia equivalente a cerca de 15,27 milhões de toneladas de carvão padrão por ano e redução de aproximadamente 46,2 milhões de toneladas nas emissões de dióxido de carbono.

O investimento total previsto para o complexo chega a cerca de 120 bilhões de yuans, equivalente a aproximadamente US$ 16,9 bilhões. Cada unidade deverá começar a produzir eletricidade entre 50 e 60 meses depois do início de sua construção, caso o cronograma seja cumprido.
Hualong One sustenta construção em série
A construção de Zhaoyuan se apoia no uso repetido do Hualong One em diferentes projetos. A padronização permite reaproveitar parte da engenharia, dos procedimentos industriais e da cadeia de fornecedores, em vez de desenvolver uma configuração inteiramente nova para cada unidade.
Essa repetição também permite que equipes e fabricantes acumulem experiência em obras semelhantes. Componentes e processos podem ser utilizados em instalações diferentes que adotam a mesma tecnologia, embora cada local mantenha exigências próprias de projeto e construção.
O Hualong One também já opera fora da China, com unidades instaladas no Paquistão. A experiência internacional amplia o histórico operacional de um modelo que Pequim utiliza como uma das bases de sua expansão nuclear.
A CGN afirma que mais de 300 empresas da província de Shandong já estabeleceram relações com a cadeia de fornecimento ligada a Zhaoyuan. O dado dimensiona a estrutura industrial mobilizada em torno das unidades previstas para o complexo.
O avanço da unidade 2 ocorre poucos meses depois de a primeira ter entrado na fase principal de construção. As duas obras seguem cronogramas próprios, mas agora estão simultaneamente na principal etapa de execução civil do empreendimento.
Obras chinesas reduzem distância para os Estados Unidos
O ritmo de Zhaoyuan acompanha uma expansão nuclear mais ampla. A China ainda está atrás dos Estados Unidos em capacidade nuclear operacional, mas mantém o maior conjunto de reatores em construção do mundo, o que amplia sua capacidade potencial à medida que novas unidades entram em serviço.

Dados da World Nuclear Association registram 64 reatores em operação na China, com quase 64 gigawatts de capacidade líquida, além de 38 unidades em construção, que somam aproximadamente 39,7 gigawatts.
Nos Estados Unidos, a associação registra 94 reatores em operação, com cerca de 97 gigawatts de capacidade, e nenhuma unidade em construção. A liderança operacional, portanto, continua americana.
A diferença entre as capacidades em operação dos dois países é de cerca de 33 gigawatts, valor inferior à capacidade chinesa hoje em construção. Isso não representa uma ultrapassagem automática, porque a comparação depende do cronograma das novas unidades e de mudanças futuras nas duas frotas.
Resfriamento usará torres de 203 metros
Zhaoyuan também terá uma configuração específica no sistema de resfriamento do lado convencional da usina. Cada unidade contará com uma torre de tiragem natural de 203 metros de altura e área de pulverização de água de 16.800 metros quadrados.
O projeto prevê um sistema de circulação secundária com água do mar. Nesse arranjo, o calor residual não será transferido diretamente ao oceano, mas dissipado para a atmosfera por meio das torres de resfriamento.
Esse processo ocorre depois que o vapor utilizado para movimentar as turbinas passa pelo conjunto de geração. Para retornar ao ciclo, ele precisa ser condensado, etapa que exige a retirada de calor antes de a água voltar a ser utilizada.
Com o início da concretagem da unidade 2, os dois primeiros reatores de Zhaoyuan estão na etapa principal de construção. As outras quatro unidades permanecem previstas no planejamento do complexo e ainda serão necessárias para completar a configuração de seis reatores.
A CGN também prevê aplicações além da geração de eletricidade. Entre elas estão o fornecimento de calor e de vapor para atividades industriais, aproveitando a infraestrutura energética que será instalada em Zhaoyuan.
