China compra US$ 21,8 bilhões em petróleo brasileiro, eleva importações em 49% e coloca o Brasil à frente da Arábia Saudita em 2026.
Navios carregados de petróleo brasileiro ganharam espaço no abastecimento da China enquanto a guerra no Oriente Médio dificultava a passagem de petroleiros por uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Com refinarias asiáticas procurando fornecedores alternativos, o Brasil ampliou suas vendas e ultrapassou a Arábia Saudita no fornecimento de petróleo bruto ao mercado chinês. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), em relatório publicado em 15 de outubro de 2026, as exportações brasileiras de petróleo para a China alcançaram US$ 21,8 bilhões entre janeiro e setembro, crescimento de 49% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço ocorreu com aumento das quantidades embarcadas e dos preços, levando o país asiático a concentrar metade de todo o petróleo vendido pelo Brasil ao exterior.
Brasil ultrapassa Arábia Saudita e se torna segundo maior fornecedor de petróleo da China
Os dados alfandegários chineses divulgados em 20 de outubro confirmaram uma mudança na lista dos principais fornecedores de petróleo do país.
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Entre janeiro e setembro de 2026, a China importou 44,29 milhões de toneladas de petróleo brasileiro, superando as 43,12 milhões de toneladas compradas da Arábia Saudita.
Com esse resultado, o Brasil passou a ocupar a segunda posição entre os fornecedores chineses no acumulado do ano, atrás apenas da Rússia.
A mudança ocorreu durante um período de forte instabilidade nas rotas petrolíferas do Oriente Médio.
Em setembro, o Brasil forneceu 5,15 milhões de toneladas ao mercado chinês, volume equivalente a aproximadamente 1,25 milhão de barris por dia. No mesmo mês, as compras chinesas de petróleo saudita caíram 62% em relação a setembro de 2025.
Exportações brasileiras de petróleo crescem 49% e atingem recorde de US$ 21,8 bilhões
O relatório do CEBC confirma que o petróleo foi um dos principais responsáveis pelo crescimento das exportações brasileiras à China.
O valor vendido entre janeiro e setembro passou de aproximadamente US$ 14,6 bilhões em 2025 para US$ 21,8 bilhões em 2026.
A alta de 49% estabeleceu um recorde para os nove primeiros meses do ano. O petróleo bruto passou a representar 25,8% de tudo o que o Brasil exportou ao mercado chinês. A commodity ficou atrás apenas da soja, que continuou liderando a pauta comercial.
O crescimento também ocorreu porque a China precisou reorganizar suas compras internacionais durante as interrupções no transporte de petróleo pelo Oriente Médio.
Quantidade embarcada aumenta 27% enquanto preço do petróleo sobe 16,8%
O avanço das exportações não ocorreu somente por causa dos preços. O levantamento do CEBC mostra que o volume de petróleo brasileiro enviado à China cresceu 27% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
Ao mesmo tempo, o preço médio do produto aumentou 16,8%. Foram dois movimentos simultâneos: o Brasil vendeu uma quantidade maior de petróleo e recebeu um valor médio superior pelo produto.
Segundo os registros brasileiros utilizados pelo CEBC, os embarques destinados à China somaram aproximadamente 39,8 milhões de toneladas no período.
Esse volume é diferente das 44,29 milhões de toneladas registradas pelas alfândegas chinesas, pois os números pertencem a sistemas estatísticos de países distintos.
Bloqueio do Estreito de Ormuz abre espaço para petróleo brasileiro na Ásia
A mudança nas compras chinesas começou a ganhar força depois das interrupções no Estreito de Ormuz. A passagem liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é utilizada para transportar petróleo produzido por países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Durante o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o tráfego marítimo sofreu fortes restrições. Antes da crise, mais da metade do petróleo importado pela China por via marítima passava por Ormuz, segundo a Folha de S.Paulo.
Com a rota comprometida, compradores chineses ampliaram a procura por fornecedores de outras regiões.
O Brasil passou a receber parte dessa demanda, mesmo estando mais distante das refinarias chinesas do que os produtores do Oriente Médio.
China já compra metade de todo o petróleo bruto exportado pelo Brasil
A expansão das vendas aumentou a concentração do petróleo brasileiro em um único mercado. Entre janeiro e setembro de 2026, a China recebeu aproximadamente 50% das exportações nacionais do produto.
A Índia apareceu como a segunda principal compradora, com participação de 8%. A diferença entre os dois mercados mostra o tamanho da demanda chinesa.

O país asiático possui um dos maiores sistemas de refino do mundo e precisa importar grandes volumes de petróleo para abastecer suas instalações.
Para o Brasil, essa demanda representa receitas de exportação. Porém, o crescimento também deixa o setor mais exposto a mudanças nas compras chinesas.
Uma redução expressiva nas encomendas poderá obrigar empresas exportadoras a procurar outros compradores.
Produção brasileira alcança 4,6 milhões de barris por dia com avanço do pré-sal
Enquanto as exportações cresciam, o Brasil também ampliava sua capacidade de extração. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que a produção nacional atingiu 4,615 milhões de barris de petróleo por dia em agosto de 2026.
O resultado representa crescimento de 18,4% em comparação com agosto de 2025. O pré-sal respondeu pela maior parte dessa produção.
Somente nessa região, foram extraídos aproximadamente 3,842 milhões de barris diários de petróleo, por meio de 203 poços.
As bacias de Santos e Campos concentram grandes projetos offshore responsáveis por abastecer refinarias e compradores internacionais.
Rio de Janeiro concentra 89% do petróleo brasileiro vendido aos chineses
O crescimento das exportações também aparece nos resultados do Rio de Janeiro. Segundo o CEBC, o estado foi responsável pela origem de 89% do petróleo brasileiro vendido à China entre janeiro e setembro.
No mesmo período, as exportações fluminenses de todos os produtos ao mercado chinês somaram US$ 20,5 bilhões. O petróleo respondeu por 94% desse valor.
O Rio de Janeiro tornou-se, assim, o estado brasileiro com maiores exportações para a China no período, superando unidades federativas tradicionalmente ligadas ao agronegócio e à mineração.
A concentração está relacionada à produção offshore das bacias de Santos e Campos.
Campos como Búzios e Mero participam da expansão da produção brasileira em águas profundas.
Brasil movimenta US$ 43 bilhões em exportações de petróleo para o mundo
A demanda chinesa não foi o único fator por trás do crescimento das vendas internacionais de petróleo brasileiro. Entre janeiro e setembro de 2026, o Brasil exportou aproximadamente US$ 43 bilhões em petróleo bruto para diferentes países.
O valor representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025. A expansão foi especialmente forte nos mercados asiáticos.
Além da China, as exportações brasileiras cresceram 165% para a Índia, 77% para a Indonésia e 22,6% para Singapura, considerando os valores financeiros.
Comércio entre Brasil e China bate recorde de US$ 143,3 bilhões
O crescimento do petróleo também contribuiu para elevar o comércio bilateral a um novo recorde. Entre janeiro e setembro, as transações comerciais entre Brasil e China movimentaram US$ 143,3 bilhões, aumento de 11,1% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
As exportações brasileiras somaram US$ 84,7 bilhões, enquanto as importações de produtos chineses chegaram a US$ 58,6 bilhões.
Com isso, o Brasil registrou superávit comercial de aproximadamente US$ 26,1 bilhões nas negociações com o país asiático.
Esse saldo correspondeu a cerca de 42% do resultado positivo de toda a balança comercial brasileira. A China recebeu 29,7% das exportações nacionais no período.
Recuperação parcial das rotas do Oriente Médio começa a reduzir o ritmo das vendas
Depois do avanço registrado no primeiro semestre, o terceiro trimestre apresentou sinais de desaceleração.
A retomada parcial do transporte marítimo pelo Golfo Pérsico permitiu que fornecedores tradicionais voltassem a atender parte das encomendas chinesas.
Segundo a Folha, após o acordo anunciado entre Washington e Teerã em junho, os embarques dos países do Golfo, excluindo o Irã, recuperaram mais de 81% do nível anterior à guerra.
Com essa recuperação, as refinarias chinesas passaram a ter novamente acesso a parte dos fornecedores geograficamente mais próximos. O resultado ainda não significa que o Brasil perderá automaticamente a segunda posição.
As próximas encomendas dependerão dos preços, das condições de transporte e da situação de segurança nas rotas internacionais.
Próximos meses definirão se o Brasil conseguirá manter espaço conquistado na China
A indústria petrolífera brasileira chega ao último trimestre de 2026 com vendas externas recordes e participação crescente no abastecimento chinês.
O aumento da produção no pré-sal oferece condições para continuar fornecendo petróleo ao mercado internacional.
Entretanto, a posição conquistada durante a crise do Oriente Médio será testada conforme os produtores tradicionais recuperarem suas operações.
O Brasil terminou setembro à frente da Arábia Saudita no acumulado das importações chinesas, mas a Rússia continuava ocupando a liderança.
Os próximos resultados mostrarão se as refinarias chinesas manterão os contratos e volumes de compra que ajudaram a elevar as exportações brasileiras.

