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Dona de casa que enche o carrinho em 25 das 27 capitais pagou menos pela cesta básica em agosto, com café e tomate recuando em mais de 80% das cidades pesquisadas pela Conab

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 11/09/2026 às 13:54 Atualizado em 11/09/2026 às 14:37
Carrinho de compras com itens da cesta básica em supermercado, referência à pesquisa mensal da Conab
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A cesta básica ficou mais barata em vinte e cinco das vinte e sete capitais pesquisadas pela Conab em agosto. Café em pó e tomate puxaram a queda e recuaram em mais de oitenta por cento das cidades. Mesmo assim, no acumulado do ano, o custo subiu em todas elas.

Os números saíram em 10 de setembro de 2026. São dois recados na mesma pesquisa, e eles apontam para lados opostos.

O mês foi bom. O ano, não.

Essa contradição aparece toda vez que um item de peso recua depois de uma sequência longa de alta, e é ela que explica por que tanta gente não reconhece na própria compra a queda que o indicador aponta.

São Paulo segue como a capital mais cara, com R$ 900,59

O topo da lista tem São Paulo a R$ 900,59, seguida por Cuiabá com R$ 851,57 e pelo Rio de Janeiro com R$ 851,19.

A diferença entre a primeira e a terceira colocada passa de quarenta e nove reais por mês. Ao longo de um ano, isso representa quase seiscentos reais de distância só por causa do endereço.

Vale lembrar que a cesta básica da pesquisa é o conjunto de itens essenciais para uma pessoa adulta, e não a compra de uma família inteira. Numa casa com quatro pessoas, o número da tabela não se multiplica por quatro, mas cresce bem acima do que a manchete sugere.

Fachada de supermercado brasileiro com clientes e carrinhos de compra no acesso

Café e tomate lideraram a queda em mais de 80% das capitais

O café em pó e o tomate apresentaram redução em mais de 80% das capitais pesquisadas.

São dois produtos que vinham castigando o orçamento doméstico. O café acumulou altas seguidas nos últimos ciclos, e o tomate responde rápido a clima e a safra.

Quando os dois cedem juntos, o efeito aparece no caixa do supermercado quase de imediato.

Batata, feijão e açúcar também recuaram

A batata caiu nos onze estados analisados para o item. O feijão-carioca recuou em 19 das 22 capitais onde é pesquisado, e o açúcar caiu em 16 capitais.

É uma queda ampla, que atinge a base da alimentação e não apenas item supérfluo.

Por isso a leitura do mês é positiva mesmo sem número de manchete espetacular.

Queda de café e tomate tem explicação diferente uma da outra

O tomate é produto de ciclo curto e responde rápido à oferta. Um período de clima favorável derruba o preço em semanas, e um veranico o devolve ao patamar anterior com a mesma velocidade.

O café segue outra lógica. Ele depende de safra anual, de estoque global e de câmbio, o que torna a queda mais estrutural e, em tese, mais duradoura.

Portanto, os dois recuos que puxaram agosto não têm o mesmo grau de permanência.

Arroz, leite, pão e óleo foram na direção contrária

Nem tudo desceu. O arroz agulhinha subiu em 23 capitais, o leite integral também em 23, o pão francês em 18 e o óleo de soja em outras 18.

São quatro itens de consumo diário, presentes em praticamente toda casa brasileira.

Ou seja, a queda do café e do tomate compensou a alta do arroz e do leite, mas não apagou o aumento desses produtos na prateleira.

Duas capitais registraram alta no mês

De vinte e sete cidades pesquisadas, vinte e cinco tiveram queda e duas registraram aumento.

Esse tipo de descolamento costuma refletir logística regional, safra local e estrutura de varejo de cada praça.

Confesso que acompanho mais o acumulado do que o mês fechado, porque o mês isolado esconde a tendência.

Um mês de queda depois de sete de alta ainda deixa o consumidor pagando mais caro do que pagava em dezembro. É essa a conta que chega à casa das pessoas, não a variação mensal.

No acumulado do ano, todas as capitais estão mais caras

Esse é o dado que merece atenção. Entre dezembro de 2025 e agosto de 2026, o custo da cesta básica cresceu em todas as capitais.

A menor elevação ficou em Brasília, com 2,82%. A maior apareceu em Porto Velho, com 12,29%.

É uma diferença de quase dez pontos percentuais entre o melhor e o pior cenário do país no mesmo período.

Porto Velho e Brasília mostram como o Brasil é desigual no preço

A distância entre a capital de Rondônia e a capital federal tem explicação logística. Quanto mais longe do centro produtor, maior o peso do frete no preço final.

Some-se a isso a estrutura de concorrência do varejo local, que em cidade menor costuma ser mais concentrada.

Por isso o morador do Norte sente a inflação de alimento de forma diferente de quem mora no Centro-Sul.

Cesta básica também mede quanto sobra do salário

O custo da cesta é usado para calcular quanto do salário mínimo é consumido apenas por alimentação essencial de um adulto.

Quando o valor sobe em todas as capitais no acumulado do ano, esse percentual cresce junto. Assim, a renda real encolhe mesmo sem mudança no contracheque.

É por isso que o indicador entra em discussão de reajuste e de política pública, e não fica restrito a reportagem de supermercado.

A pesquisa da Conab é mensal e cobre as 27 capitais

O levantamento é oficial e feito pela Companhia Nacional de Abastecimento, empresa pública ligada ao Ministério da Agricultura.

Ele acompanha o preço dos itens da cesta em todas as capitais, o que permite comparação direta entre praças e ao longo do tempo.

O material completo está no portal da Conab, com a tabela por capital.

O que esperar dos próximos meses

Setembro costuma trazer entressafra de hortaliça em parte do país, o que pressiona tomate e folhosa. Por outro lado, o café segue dependendo de clima e de estoque global.

Portanto, o alívio de agosto não garante repetição. Ele mostra apenas que a curva pode ceder quando dois itens pesados recuam juntos.

Quem acompanha esse indicador pode ver também como o preço dos alimentos vem se comportando no país. O que você acha desse cenário?

Você sentiu a conta do supermercado cair em agosto ou o carrinho continuou pesando igual?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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