A Pallet, empresa criada em 2017 por Amy King e Brady em Everett, no estado de Washington, fabricava abrigos modulares montados em menos de uma hora. Em nove anos, as vilas temporárias da empresa receberam mais de 30 mil pessoas sem teto. Agora, a companhia anunciou o encerramento das atividades
A Pallet, empresa de Everett, no estado de Washington, nos Estados Unidos, montava abrigos para pessoas em situação de rua em menos de uma hora. O casal Amy King e Brady começou o projeto em 2017 e, em nove anos, mais de 30 mil pessoas sem teto passaram pelas unidades. Agora, a empresa anunciou que vai encerrar as atividades.
As informações foram publicadas pelo jornal Times of India sobre o fim da operação.
Casal começou com testes em um pátio de Everett em 2017

Amy King e Brady não eram grandes empreiteiros. Eles acompanhavam o crescimento do número de pessoas sem teto nas ruas de Everett e Seattle, onde a construção convencional levava semanas ou meses e custava caro demais para quem já estava no frio.
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Em 2017, o casal começou a testar no pátio em Everett painéis que duas pessoas comuns conseguiam levantar sem guindaste nem curso técnico longo.
Abrigo era levado desmontado até quem precisava

A ideia invertia a lógica da obra tradicional. Em vez de esperar um prédio ficar pronto longe dali, a Pallet levava o abrigo desmontado até o lugar onde ele era necessário, na mesma semana.
Os painéis eram leves o bastante para duas ou três pessoas montarem, com encaixes simples que dispensavam solda industrial. A estrutura aguentava vento e chuva, ao contrário das barracas improvisadas das calçadas.
Um quarto com porta e tranca em menos de uma hora
Cada abrigo Pallet ficava pronto em menos de uma hora. As unidades eram transportadas em pedaços, montadas sem fundação pesada e desmontadas quando a emergência passava ou quando a pessoa conseguia um endereço definitivo.
O que havia dentro de cada abrigo da Pallet
Cada unidade tinha porta com tranca, janela para ventilação e piso elevado do chão úmido. O espaço interno comportava uma cama estreita, um pequeno armário e permitia que a pessoa se vestisse em pé.
Todo o conjunto cabia em um caminhão comum, o que facilitava levar os abrigos para terrenos baldios e estacionamentos.
Vilas tinham banheiros, iluminação e cerca
Com o tempo, a Pallet passou a entregar vilas inteiras em terrenos vazios. Elas tinham banheiros compartilhados, iluminação em volta e cerca baixa, e muitas cidades acrescentavam pontos de água e um escritório de assistência social em contêiner ao lado.
Nas vilas, segundo o texto, os moradores trocavam comida, avisavam uns aos outros sobre vagas de emprego e vigiavam os pertences dos vizinhos.
Pallet cresceu com contratos em dezenas de cidades americanas
A operação saiu do pátio e ganhou fábrica e contratos com prefeituras e organizações sem fins lucrativos. Os abrigos chegaram a dezenas de cidades dos Estados Unidos.
A procura cresceu com crises de opioides, aluguéis em alta e ondas de frio que levaram mais gente para a rua. Em muitos casos, o custo por pessoa saía menor do que manter hotéis de emergência lotados ou ginásios usados como dormitório.
Mais de 30 mil pessoas passaram pelos abrigos em nove anos
Em nove anos, mais de 30 mil pessoas foram abrigadas nas unidades da Pallet.
Relatos de quem morou nos abrigos falavam de noites dormidas sem o barulho da avenida e sem o medo de ter a mochila ou os documentos roubados durante o sono.
Casal dizia que o abrigo era ponte, não destino final
Amy e Brady repetiam em público que a empresa era um meio, não um fim. O objetivo seria sempre a pessoa sair do módulo para um apartamento com contrato de aluguel.
Em alguns municípios, esse caminho funcionou. Em outros, o abrigo temporário acabou virando permanente, porque a moradia definitiva não era construída na velocidade da demanda.
Vilas também enfrentaram críticas
As vilas da Pallet não acabaram com tensões antigas. Havia críticas sobre a concentração de pobreza num só quarteirão, a qualidade do isolamento térmico no inverno e o risco de o temporário se eternizar.
Por outro lado, policiais e equipes de rua ganharam um ponto fixo para encontrar quem precisava de atendimento, e assistentes sociais passaram a fazer plantões ao lado dos módulos.
Pallet anuncia o encerramento depois de nove anos
A Pallet anunciou oficialmente o encerramento de suas atividades em 2026. O fim da operação foi registrado pelo jornal Times of India.
A notícia chegou primeiro às prefeituras que ainda tinham pedidos de vilas em aberto e às entidades que dependiam dos módulos para responder a despejos e frentes frias.
Cidades procuram outros fornecedores de abrigos modulares
Existem outras empresas de construção modular nos Estados Unidos, e as prefeituras podem migrar para outros fornecedores. A especialização da Pallet em atendimento a pessoas sem teto, porém, envolvia treinamento de equipes e negociação com vizinhos contrários às vilas.
Em Everett, os galpões que guardavam os painéis começam a ser esvaziados, enquanto gestores de outras cidades buscam alternativas para manter o atendimento emergencial.
Na sua opinião, abrigos modulares montados em menos de uma hora, como os da Pallet, são uma boa saída emergencial para pessoas sem teto ou tiram o foco da construção de moradia permanente? Deixe sua opinião nos comentários.
