Kadangotu House foi desenhada em torno do vento, das árvores e das chuvas de monção: aberturas baixas puxam a brisa dos arrozais, janelas altas liberam o ar quente e paredes de laterita reduzem a entrada de calor.
Duas irmãs decidiram construir uma casa em um terreno ancestral de 1,5 acre, equivalente a cerca de 6.070 m², perto de Kannur, no estado indiano de Kerala, mas colocaram uma condição no projeto: em vez de depender primeiro de máquinas para combater o calor, a construção deveria usar vento, sombra, materiais locais e a própria geometria da casa para permanecer confortável. O resultado foi a Kadangotu House, concluída em dezembro de 2024, onde Renu Krishnadas afirma ter passado 21 dias sem ligar o ar-condicionado, conforme reportagem publicada pelo The Better India.
O teste chama atenção porque Kerala combina calor intenso, chuvas de monção e umidade que pode ultrapassar 80%. Mesmo assim, segundo Renu, os ventiladores foram suficientes durante sua permanência de três semanas.
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Porém, não existe um equipamento milagroso escondido dentro das paredes.
A estratégia reúne várias decisões relativamente simples: orientação conforme os ventos, ventilação cruzada, efeito chaminé, pé-direito alto, paredes vazadas, laterita local e telhado com duas camadas de telhas de barro.
Além disso, a arquiteta Amrutha Kishor, do escritório Elemental, preservou árvores que já existiam no terreno e chegou a modificar a planta para construir ao redor de uma delas.
Assim, a casa tenta responder ao clima antes de recorrer à climatização mecânica.
Duas irmãs juntaram o próprio dinheiro para construir em terreno herdado pela família
A origem da Kadangotu House também faz parte da história.
Renu Krishnadas e Rekha Utham decidiram construir uma única casa juntas em uma propriedade que havia permanecido na família por gerações.
Renu vive em Dubai há cerca de 40 anos e trabalha no setor financeiro, enquanto Rekha trabalha no Bahrein.
O terreno chegou a Renu por meio de sua mãe, Vishalakshi.
Antes disso, a própria Vishalakshi havia herdado a propriedade pelo lado materno da família.
Assim, a terra seguiu uma tradição matrilinear associada à história de Kerala.
Depois da morte da mãe, em 2020, as duas irmãs decidiram construir juntas.
Além disso, fizeram outra escolha: usariam apenas o próprio dinheiro para financiar a casa.
A fonte, entretanto, não informa o custo total da obra.
Portanto, não há base factual para transformar o projeto em uma casa “barata” ou atribuir um valor de construção.
Antes de desenhar os cômodos, arquiteta estudou de onde vinha o vento
A arquiteta começou pelo clima.
Em vez de desenhar primeiro a casa e depois instalar soluções para resfriá-la, Amrutha Kishor estudou de onde vinha o vento no terreno.
Esse detalhe determinou a posição das aberturas.
A propriedade fica próxima de arrozais, de onde chega parte da brisa que atravessa a casa.
Primeiro, o ar entra por aberturas mais baixas.
Depois, atravessa os ambientes.
Enquanto isso, o ar interno aquecido sobe naturalmente.
Finalmente, janelas posicionadas em regiões mais altas permitem que esse ar escape.
Esse movimento recebe o nome de efeito chaminé, ou stack effect.
Com isso, a construção cria circulação contínua sem depender exclusivamente de equipamentos elétricos.
Efeito chaminé deixa o ar quente subir e escapar pelas janelas altas
A física por trás da estratégia é relativamente simples.
Ar quente tende a subir.
Portanto, quando a casa oferece saídas em pontos elevados, parte desse ar consegue deixar o ambiente.
Ao mesmo tempo, aberturas inferiores permitem a entrada de ar mais fresco.
Assim, uma diferença de altura ajuda a movimentar naturalmente o ar.
O pé-direito elevado da Kadangotu House amplia esse espaço vertical.
Além disso, a orientação das aberturas aproveita a brisa externa.
A arquitetura combina, portanto, ventilação cruzada horizontal com movimento vertical do ar.
Essa estratégia reduz a sensação de ar parado, especialmente relevante em uma região com elevada umidade.
Paredes vazadas de argila puxam ar para dentro da cozinha
Uma das escolhas que inicialmente despertou desconfiança da família foram as paredes jali.
Jali é uma solução tradicional formada por elementos vazados.
Na Kadangotu House, os blocos são feitos de argila.
A arquiteta colocou esses elementos no lado norte da cozinha, justamente em uma região importante para a entrada de ar.
No começo, integrantes da família duvidaram da praticidade.
Entretanto, depois de passarem tempo dentro da casa, perceberam que as aberturas ajudavam a manter a ventilação.
Assim, o elemento cumpre duas funções.
Ele recupera uma linguagem arquitetônica regional e, ao mesmo tempo, cria passagens permanentes para o fluxo de ar.
Renu passou 21 dias na casa e diz que não precisou ligar o ar-condicionado
A principal prova prática relatada pela família aconteceu depois da conclusão da obra.
Renu conhecia bem o calor de Kerala e duvidava que apenas pé-direito alto e circulação de ar fossem suficientes.
Então, passou mais de três semanas na propriedade.
Durante 21 dias, afirma que não ligou o ar-condicionado nenhuma vez.
Segundo ela, os ventiladores foram suficientes.
Esse resultado, porém, precisa ser interpretado corretamente.
A reportagem não apresenta medições instrumentais contínuas de temperatura interna e externa.
Também não fornece dados de consumo elétrico antes e depois ou uma comparação com uma casa convencional equivalente.
Portanto, os 21 dias sem ar-condicionado representam a experiência relatada por uma moradora, não um ensaio laboratorial de desempenho térmico.
Ainda assim, a experiência ajuda a demonstrar como as decisões arquitetônicas funcionaram no uso cotidiano.
Laterita local desacelera a entrada do calor pelas paredes
A circulação de ar resolve apenas parte do problema.
Se paredes e cobertura transferissem rapidamente o calor externo para dentro da casa, a ventilação teria mais dificuldade para manter conforto.
Por isso, a equipe utilizou laterita extraída localmente.
Amrutha descreve o material como tendo baixa transmissão térmica.
Na prática, isso significa que o calor do lado de fora não atravessa imediatamente a parede.
A laterita absorve parte dessa energia e a libera de forma mais gradual conforme a temperatura externa diminui.
Além disso, o material pode absorver parte da umidade do ar.
Essa característica ganha relevância em Kerala, onde a umidade frequentemente ultrapassa 80%.
Portanto, as paredes exercem uma função térmica além da estrutural e estética.
Material tradicional voltou a aparecer sem ser escondido por revestimentos
A laterita possui longa história na arquitetura de Kerala.
Entretanto, segundo a arquiteta, o uso aparente desse material se tornou menos comum nas construções atuais.

Na Kadangotu House, a equipe decidiu mantê-lo visível.
Isso reduz a necessidade de esconder completamente a alvenaria sob camadas decorativas e também reforça a identidade local da construção.
A escolha se conecta a um movimento mais amplo da arquitetura que volta a olhar para materiais tradicionais sob outra perspectiva.
No Brasil, por exemplo, um prédio de 11 mil m² em Jundiaí usa madeira engenheirada, preserva 38 mil m² de vegetação e recebeu 580 painéis solares, mostrando como materiais e decisões construtivas podem assumir papel central em projetos de menor impacto ambiental.
Na Índia, a laterita cumpre outra função: ajudar a casa a responder ao clima tropical quente e úmido.
Telhado usa duas camadas de telha, fibra de coco e uma bolsa de ar
O teto recebeu uma solução igualmente importante.
A equipe instalou duas camadas de telhas de argila Mangalore. Entre elas, colocou uma camada de fibra de coco e um espaço de ar. Essa configuração cria várias barreiras antes que o calor alcance o interior.
Primeiro, a camada externa recebe radiação solar.
Depois, o espaço intermediário dificulta a transmissão direta.
Além disso, a fibra de coco ajuda a separar termicamente as camadas.
Com isso, a cobertura reduz a velocidade com que o calor entra nos ambientes.
Novamente, nenhuma peça funciona isoladamente.
Telhado, paredes e ventilação trabalham juntos.
Inclinação forte do telhado também responde às chuvas de monção
Kerala não exige apenas proteção contra calor.
A região também recebe chuvas intensas durante a monção.
Por isso, o telhado possui inclinação acentuada.
Quando grandes volumes de água atingem a cobertura, a geometria permite escoamento rápido.
Assim, a mesma casa responde a dois extremos climáticos.
Durante períodos quentes, a cobertura ajuda a reduzir a transferência de calor.
Já durante as chuvas, conduz a água para fora com maior eficiência.
A forma arquitetônica, portanto, não nasceu apenas de preferência estética.
Ela responde diretamente ao ambiente.
Árvore no caminho da construção obrigou arquiteta a mudar a planta
Talvez uma das decisões mais visuais tenha surgido quando uma árvore apareceu justamente onde uma parte da casa poderia ser construída.
A solução mais simples seria cortá-la.
A família recusou essa opção.
Então, Amrutha redesenhou os ambientes ao redor da árvore e manteve raízes e solo preservados.
A escolha possui forte componente afetivo.
Segundo Namitha, filha de Rekha, sua avó havia plantado as árvores da propriedade.
Além disso, o terreno possui um bosque ligado à história da família e ao Theyyam, tradição ritual do norte de Kerala.
Assim, remover a vegetação significaria apagar parte da memória do lugar.
Consequentemente, as árvores deixaram de ser obstáculos para a arquitetura e passaram a determinar a própria planta.
Família recusou cortar árvores plantadas pela avó
Durante a construção, empreiteiros sugeriram remover algumas árvores.
Porém, a família resistiu.
A equipe preservou o máximo possível da cobertura vegetal existente.
Além disso, utilizou mão de obra local e materiais obtidos nas proximidades.
Essas decisões ajudam a reduzir intervenções no terreno.
Árvores maduras também criam sombra e influenciam o microclima ao redor da casa.
Portanto, preservá-las pode oferecer benefícios térmicos além do valor emocional.
Ainda assim, a fonte não apresenta números sobre redução de temperatura gerada especificamente pelas árvores.
Assim, o dado comprovado é a preservação da vegetação e a adaptação do projeto ao terreno, não uma economia energética quantificada.
Construção sustentável não precisa começar com tecnologia futurista
A Kadangotu House ajuda a desmontar uma associação comum.
Uma casa sustentável não precisa necessariamente depender de equipamentos altamente tecnológicos.
Nesse caso, grande parte do desempenho vem de decisões antigas e relativamente simples: barro, pedra, sombra, vento e geometria.
Isso não significa rejeitar tecnologia moderna.
Significa reduzir a necessidade dela quando o próprio edifício consegue resolver parte do problema.
Essa lógica também aparece em pesquisas de novos materiais. Cientistas já transformaram resíduos de madeira que seriam queimados em uma espuma biodegradável capaz de substituir plástico em embalagens e isolamento, mostrando como a construção e a indústria procuram reduzir impacto tanto por tecnologias novas quanto pelo melhor aproveitamento de materiais.
Na casa de Kerala, porém, a principal tecnologia é o próprio projeto arquitetônico.
Projeto possui ar-condicionado preparado para uma necessidade futura
Existe uma ressalva importante.
A Kadangotu House não eliminou fisicamente a possibilidade de climatização artificial.
Amrutha afirma que normalmente deixa pontos e infraestrutura preparados para instalação de aparelhos, caso os moradores precisem no futuro.
Essa decisão torna a proposta mais pragmática.
O objetivo não é obrigar uma família a viver sem ar-condicionado em qualquer circunstância.
A meta é fazer com que a construção continue habitável e confortável mesmo quando o equipamento permanece desligado.
Portanto, a casa busca reduzir dependência.
Ela não transforma climatização mecânica em algo proibido.
Arquiteta diz que decisões não exigiram orçamento substancialmente diferente
Outra informação chama atenção.
Segundo Amrutha, projetar a casa dessa maneira não exigiu um orçamento de construção substancialmente diferente.
A arquiteta atribui o resultado principalmente a decisões de projeto bem pensadas.
Contudo, a reportagem não apresenta planilhas de custo.
Além disso, não compara a Kadangotu House com outra residência de mesma área, acabamento e localização.
Portanto, não é possível calcular uma economia percentual.
Da mesma forma, a fonte não informa o valor total pago pelas irmãs.
O que podemos afirmar é mais específico: a responsável pelo projeto diz que a abordagem climática não exigiu aumento substancial do orçamento.
Casa foi concluída em dezembro de 2024
A obra terminou em dezembro de 2024.
Depois disso, a família realizou uma celebração ligada à tradição do Theyyam.
O encontro começou com expectativa de ser pequeno.
Entretanto, mais moradores da vila apareceram e a reunião cresceu.
Para a família, esse momento mostrou que a nova construção não precisava romper com a história do terreno.
Ao contrário, a casa trouxe pessoas novamente para uma propriedade ligada a várias gerações.
Assim, o projeto combina desempenho climático e memória familiar.
Irmãs escolheram uma única casa em vez de dividir a propriedade
Renu e Rekha também tomaram uma decisão incomum para muitas famílias.
Em vez de separar o terreno e construir duas casas, decidiram compartilhar uma única residência.
Essa escolha preservou uma parcela maior da propriedade e manteve a lógica de um lugar comum para diferentes gerações.
Além disso, os netos poderão continuar retornando ao mesmo espaço familiar.
Portanto, a arquitetura não atende apenas ao clima.
Ela também responde à forma como a família pretende usar a propriedade no futuro.
Casa mostra como orientação pode reduzir trabalho do ar-condicionado
A principal lição técnica aparece antes mesmo da escolha dos materiais.
Orientação importa.
Uma janela mal posicionada pode receber sol intenso durante horas.
Já uma abertura instalada na direção adequada pode captar vento.
Da mesma forma, pé-direito baixo pode dificultar a circulação vertical do ar, enquanto uma saída elevada oferece espaço para o ar quente escapar.
Essas decisões acontecem na prancheta.
Depois da construção, corrigi-las pode ficar caro ou impossível.
Por isso, a arquitetura bioclimática tenta incorporar o clima desde a primeira planta.
Soluções passivas também podem reduzir pressão sobre redes elétricas
Existe uma consequência que vai além da conta individual de energia.
Quando milhares de residências ligam aparelhos de climatização simultaneamente, a demanda elétrica cresce.
Assim, edifícios que precisam de menos refrigeração mecânica podem ajudar a reduzir picos de consumo.
A reportagem, entretanto, não mede quanto a Kadangotu House economiza de eletricidade.
Portanto, seria incorreto atribuir uma redução específica em kWh.
Ainda assim, permanecer 21 dias sem ligar o aparelho, segundo Renu, mostra como uma construção pode diminuir a utilização de climatização em determinadas condições.
A mesma busca por soluções adaptadas ao ambiente aparece em projetos completamente diferentes. Na China, por exemplo, engenheiros criaram uma plataforma solar offshore de 100 kW feita com compósito de madeira e bambu para enfrentar corrosão no mar, outro exemplo de como materiais precisam responder diretamente ao local onde serão utilizados.
Umidade acima de 80% torna o resultado ainda mais relevante
Calor seco e calor úmido produzem sensações diferentes.
Quando a umidade ultrapassa 80%, o suor evapora com mais dificuldade.
Consequentemente, o corpo pode sentir mais desconforto.
Kerala enfrenta justamente esse tipo de condição.
Por isso, manter o ar em movimento ganha importância.
A casa não tenta “secar” mecanicamente todo o ambiente.
Em vez disso, utiliza a ventilação para melhorar a sensação térmica.
Além disso, materiais e cobertura reduzem o ganho de calor.
A combinação explica por que uma única solução — como simplesmente abrir uma janela — não seria suficiente.
Casa climática depende da soma de várias decisões pequenas
A Kadangotu House funciona quase como uma cadeia.
A orientação capta o vento.
Pelas aberturas baixas, o ar consegue entrar.
Em seguida, o pé-direito alto oferece espaço para o calor subir.
No alto, janelas permitem que esse ar escape.
Enquanto isso, a laterita desacelera a transferência térmica.
Na cobertura, o telhado em camadas reduz a entrada de calor.
Sua inclinação também favorece o escoamento das chuvas.
Por fim, as árvores oferecem sombra e ajudam a preservar o microclima existente.
Nenhum desses elementos, sozinho, explica todo o conforto relatado.
Porém, juntos, eles reduzem a necessidade de corrigir posteriormente o ambiente com máquinas.
Arquitetura volta a perguntar algo básico: de onde vem o vento?
A principal provocação do projeto talvez seja justamente sua simplicidade.
Antes de perguntar qual aparelho instalar, a arquiteta perguntou: de onde vem o vento?
Depois, analisou onde o sol incide.
Além disso, observou quais árvores poderiam permanecer.
Finalmente, escolheu materiais que já pertenciam à tradição construtiva da região.
Esse processo oferece uma lógica que pode ser aplicada além de Kerala.
Entretanto, copiar a casa literalmente para outro clima não faria sentido.
Uma região fria, seca ou com ventos diferentes exigiria soluções diferentes.
Portanto, a arquitetura bioclimática não oferece uma planta universal.
Ela oferece um método: entender o lugar antes de desenhar o edifício.
Duas irmãs transformam terreno de 1,5 acre em casa que trabalha com o clima
A trajetória começa em uma propriedade recebida pela família através de gerações de mulheres.
Depois da morte da mãe, em 2020, Renu e Rekha decidiram construir juntas.
Elas reuniram o próprio dinheiro e escolheram um terreno de 1,5 acre, cercado por coqueiros, jaqueiras, arrozais e árvores plantadas pela avó.
Então, Amrutha Kishor desenhou a casa ao redor do que já existia.
Em vez de derrubar uma grande árvore, mudou a planta.
Para evitar ambientes completamente fechados e dependentes de refrigeração, criou ventilação cruzada e efeito chaminé.
Na escolha dos materiais, priorizou laterita, argila, fibra de coco e telhas Mangalore em vez de apostar apenas em soluções industriais.
A casa ficou pronta em dezembro de 2024.
Depois, Renu passou 21 dias no imóvel.
Mesmo em uma região onde a umidade pode superar 80%, afirma que não ligou o ar-condicionado nenhuma vez e utilizou apenas ventiladores.
Isso não transforma a Kadangotu House em prova de que qualquer residência tropical pode abandonar o ar-condicionado.
Entretanto, mostra algo mais concreto: antes de gastar eletricidade para corrigir uma casa quente, a própria arquitetura pode evitar que parte desse calor fique presa dentro dela.
Você construiria uma casa priorizando ventilação natural, materiais locais e árvores existentes mesmo que isso exigisse adaptar toda a planta do imóvel?

