Sedã e SUV Exobot foram apresentados em 21 de setembro na Cidade Econômica Rei Abdullah, com vendas previstas para 2027 e a missão de abrir espaço para uma indústria automobilística saudita
Na apresentação realizada dentro de seu complexo industrial, a Ceer mostrou um sedã e um SUV elétricos de linhas angulares, portas que se abrem para cima e uma versão de 850 cv. Os modelos Exobot são a primeira aposta visível da Arábia Saudita para criar uma marca de automóveis projetados e fabricados no país. A estreia, porém, é apenas o começo: transformar os veículos exibidos em produção regular exigirá fornecedores, compradores e uma expansão cuidadosa, conforme matéria publicada pela Reuters no dia 21 de setembro de 2026.
O Exobot estreia com desempenho de esportivo e vendas previstas para 2027
A Ceer apresentou o Exobot em duas carrocerias. O sedã mede 5,26 metros de comprimento; o SUV, 5,02 metros. Ambos têm 2,1 metros de largura e dispensam a coluna normalmente situada entre as portas dianteiras e traseiras. Segundo o presidente da empresa, Jim DeLuca, materiais de alta resistência assumem a função estrutural dessa peça. O desenho chama atenção, mas também impõe à fabricante a tarefa de demonstrar que a solução funciona na produção em série.
Na versão First Edition, anunciada pela Ceer, três motores elétricos entregam 850 cv e 1.000 Nm de torque às quatro rodas. A empresa informa aceleração de zero a 100 km/h em 2,6 segundos para o sedã e 2,9 segundos para o SUV. São números divulgados pela fabricante para uma edição específica; eles não descrevem necessariamente todas as versões futuras do Exobot.
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As vendas na Arábia Saudita devem começar no início de 2027, segundo a Reuters. Até lá, a Ceer terá de converter a apresentação dos carros em fabricação, entregas e atendimento aos proprietários. Preços e resultados comerciais ainda não fazem parte dessa estreia.
Por trás dos carros, o país tenta formar uma cadeia de fornecedores
Criada pelo fundo soberano saudita PIF em parceria com a taiwanesa Foxconn, a Ceer integra a estratégia de diversificar uma economia historicamente dependente do petróleo. A Foxconn forneceu a arquitetura elétrica dos modelos, enquanto a BMW contribuiu com engenharia, de acordo com a Reuters. A empresa pretende fabricar os veículos em seu complexo na Cidade Econômica Rei Abdullah, onde ocorreu a apresentação.
O desafio vai além da montagem. Para sustentar uma indústria local, a Ceer precisa reunir componentes, mão de obra, logística e conhecimento técnico. Fornecedores internacionais como Lear, Shin Young, Benteler e Fangxin instalaram operações no país, segundo a Reuters. O esforço ocorre em meio à disputa por escala que já leva fabricantes de veículos elétricos a ampliar suas fábricas em outros mercados.
A ambição também nasce de tentativas anteriores que não avançaram. A Reuters lembra que uma proposta de fábrica da Jaguar Land Rover na Arábia Saudita foi abandonada e que a Toyota recusou um projeto em 2019, citando custos trabalhistas elevados e falta de fornecedores locais. A Ceer aposta em uma rede mais ampla de parceiros para enfrentar esses obstáculos, enquanto a escala das fábricas de carros elétricos aumenta a pressão competitiva sobre qualquer marca estreante.
A próxima etapa inclui cinco modelos e motores além dos elétricos
Depois do sedã e do SUV, a Ceer planeja lançar mais cinco modelos entre 2028 e 2030, conforme o cronograma informado à Reuters. Embora tenha começado como fabricante de elétricos, a empresa agora prevê também híbridos plug-in e veículos a combustão em sua linha completa. DeLuca atribuiu a mudança à necessidade de acompanhar a demanda do mercado.
A expansão comercial deverá começar por mercados vizinhos em 2028 e avançar gradualmente pelo Oriente Médio e pelo norte da África. Para a Ceer, vender fora da Arábia Saudita dependerá de consolidar primeiro a operação doméstica. A movimentação acompanha uma cadeia global na qual até a logística das baterias de carros elétricos exige instalações e transporte especializados.
O fundo soberano saudita projeta que a Ceer contribua com US$ 8 bilhões para o PIB até 2034, além de melhorar a balança comercial. Trata-se de uma projeção institucional, não de um resultado já alcançado. Com os dois Exobot apresentados, o próximo marco verificável será o início das vendas e a capacidade da fábrica de entregar os carros anunciados.

