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Carne bovina do Brasil ganha nova rota marítima e já chega à China com crescimento de 48% nas exportações e movimentação de 32 mil contêineres em apenas 7 meses

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 29/08/2025 às 16:06
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Nova rota marítima ligando o Ceará à Ásia impulsiona exportações brasileiras, com destaque para a carne bovina, e já movimenta mais de 32 mil contêineres em sete meses, reforçando a competitividade do Porto do Pecém no cenário internacional.

A criação de uma nova rota marítima entre o Porto do Pecém, no Ceará, e países da Ásia vem impulsionando as exportações brasileiras, em especial de carne bovina.

Em apenas sete meses de operação, o corredor logístico registrou aumento de 48% no volume de cargas e movimentou 32.371 contêineres (TEUs), consolidando-se como alternativa estratégica para o comércio exterior.

Conexão com grandes portos asiáticos

A rota, inaugurada em janeiro e operada pela APM Terminals em parceria com a MSC, conecta o terminal cearense a alguns dos principais portos do continente asiático.

Entre eles estão Mundra, na Índia, Singapura, além dos chineses Yantian (Shenzhen), Ningbo, Xangai e Qingdao, além de Busan, na Coreia do Sul.

Essa rede fortalece a posição do Pecém como hub logístico, ampliando sua relevância não apenas para exportadores de commodities agrícolas e minerais, mas também para empresas do setor de proteína animal.

Segundo a APM Terminals, a rota vem sendo utilizada por diferentes perfis de carga e tem potencial para crescer ainda mais.

Nova rota marítima entre Ceará e Ásia aumenta exportações de carne bovina em 48% e movimenta mais de 32 mil contêineres.
Nova rota marítima entre Ceará e Ásia aumenta exportações de carne bovina em 48% e movimenta mais de 32 mil contêineres.

Primeiros embarques de carne bovina

Em julho, o trajeto ganhou importância adicional ao registrar os primeiros embarques de carne bovina com origem no terminal cearense.

A operação foi realizada pela Minerva Foods, com destino a Xangai, marcando a entrada da proteína animal na pauta de exportações via Pecém.

O movimento reforça a estratégia da companhia de diversificar rotas e ampliar presença em mercados de alta demanda.

A chegada da carne bovina à nova rota sinaliza uma ampliação da matriz exportadora do Nordeste.

Para os operadores portuários, esse tipo de carga é considerado estratégico, pois aumenta a regularidade do fluxo e atrai outros segmentos vinculados ao agronegócio.

Impactos para a competitividade do Ceará

O fortalecimento do Pecém amplia a competitividade do Ceará frente a grandes portos do Sudeste e Sul, historicamente os principais pontos de saída de cargas brasileiras.

Para André Gonzaga, gerente de operações da APM Terminals, a conexão direta com a Ásia reduz custos e tempo de transporte, um diferencial importante para cadeias que exigem agilidade, como proteína animal e algodão.

Já Daniel Rose, diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém, destacou que a expectativa é atrair novos perfis de carga tanto de exportação quanto de importação.

Segundo ele, a operação tem potencial para diversificar o perfil logístico da região e consolidar o terminal cearense como porta de entrada e saída para o comércio internacional.

Relevância para o agronegócio

A expansão dessa rota coincide com um momento de aumento da demanda global por carne bovina brasileira.

A China segue como maior compradora e responde por parcela significativa das exportações nacionais.

A utilização de novos corredores logísticos contribui para atender essa procura com maior eficiência, evitando gargalos em portos sobrecarregados e criando alternativas mais competitivas.

Além da carne bovina, outros produtos devem ganhar espaço nesse fluxo, como algodão, frutas e derivados de mineração.

O setor produtivo local avalia que o acesso direto à Ásia pelo Pecém pode atrair novos investimentos para a região, fortalecendo cadeias já existentes e estimulando a abertura de novos mercados.

Nova rota marítima entre Ceará e Ásia aumenta exportações de carne bovina em 48% e movimenta mais de 32 mil contêineres.
Nova rota marítima entre Ceará e Ásia aumenta exportações de carne bovina em 48% e movimenta mais de 32 mil contêineres.

Perspectivas de crescimento

A tendência é que o volume de cargas continue em alta nos próximos meses.

A movimentação de mais de 32 mil contêineres em apenas sete meses já demonstra a adesão dos exportadores ao novo corredor.

A expectativa das operadoras é ampliar gradualmente a diversidade de mercadorias e consolidar a rota como uma alternativa permanente, não apenas complementar, aos grandes portos brasileiros.

Com o avanço dessa operação, o Pecém passa a desempenhar papel cada vez mais relevante no comércio exterior brasileiro, especialmente em setores que dependem de transporte ágil e competitivo para se manterem em mercados exigentes como o asiático.

Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é: até que ponto a consolidação dessa rota poderá transformar o Ceará em um polo estratégico para o comércio internacional brasileiro?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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