Nova rota marítima ligando o Ceará à Ásia impulsiona exportações brasileiras, com destaque para a carne bovina, e já movimenta mais de 32 mil contêineres em sete meses, reforçando a competitividade do Porto do Pecém no cenário internacional.
A criação de uma nova rota marítima entre o Porto do Pecém, no Ceará, e países da Ásia vem impulsionando as exportações brasileiras, em especial de carne bovina.
Em apenas sete meses de operação, o corredor logístico registrou aumento de 48% no volume de cargas e movimentou 32.371 contêineres (TEUs), consolidando-se como alternativa estratégica para o comércio exterior.
Conexão com grandes portos asiáticos
A rota, inaugurada em janeiro e operada pela APM Terminals em parceria com a MSC, conecta o terminal cearense a alguns dos principais portos do continente asiático.
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Entre eles estão Mundra, na Índia, Singapura, além dos chineses Yantian (Shenzhen), Ningbo, Xangai e Qingdao, além de Busan, na Coreia do Sul.
Essa rede fortalece a posição do Pecém como hub logístico, ampliando sua relevância não apenas para exportadores de commodities agrícolas e minerais, mas também para empresas do setor de proteína animal.
Segundo a APM Terminals, a rota vem sendo utilizada por diferentes perfis de carga e tem potencial para crescer ainda mais.
Primeiros embarques de carne bovina
Em julho, o trajeto ganhou importância adicional ao registrar os primeiros embarques de carne bovina com origem no terminal cearense.
A operação foi realizada pela Minerva Foods, com destino a Xangai, marcando a entrada da proteína animal na pauta de exportações via Pecém.
O movimento reforça a estratégia da companhia de diversificar rotas e ampliar presença em mercados de alta demanda.
A chegada da carne bovina à nova rota sinaliza uma ampliação da matriz exportadora do Nordeste.
Para os operadores portuários, esse tipo de carga é considerado estratégico, pois aumenta a regularidade do fluxo e atrai outros segmentos vinculados ao agronegócio.
Impactos para a competitividade do Ceará
O fortalecimento do Pecém amplia a competitividade do Ceará frente a grandes portos do Sudeste e Sul, historicamente os principais pontos de saída de cargas brasileiras.
Para André Gonzaga, gerente de operações da APM Terminals, a conexão direta com a Ásia reduz custos e tempo de transporte, um diferencial importante para cadeias que exigem agilidade, como proteína animal e algodão.
Já Daniel Rose, diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém, destacou que a expectativa é atrair novos perfis de carga tanto de exportação quanto de importação.
Segundo ele, a operação tem potencial para diversificar o perfil logístico da região e consolidar o terminal cearense como porta de entrada e saída para o comércio internacional.
Relevância para o agronegócio
A expansão dessa rota coincide com um momento de aumento da demanda global por carne bovina brasileira.
A China segue como maior compradora e responde por parcela significativa das exportações nacionais.
A utilização de novos corredores logísticos contribui para atender essa procura com maior eficiência, evitando gargalos em portos sobrecarregados e criando alternativas mais competitivas.
Além da carne bovina, outros produtos devem ganhar espaço nesse fluxo, como algodão, frutas e derivados de mineração.
O setor produtivo local avalia que o acesso direto à Ásia pelo Pecém pode atrair novos investimentos para a região, fortalecendo cadeias já existentes e estimulando a abertura de novos mercados.
Perspectivas de crescimento
A tendência é que o volume de cargas continue em alta nos próximos meses.
A movimentação de mais de 32 mil contêineres em apenas sete meses já demonstra a adesão dos exportadores ao novo corredor.
A expectativa das operadoras é ampliar gradualmente a diversidade de mercadorias e consolidar a rota como uma alternativa permanente, não apenas complementar, aos grandes portos brasileiros.
Com o avanço dessa operação, o Pecém passa a desempenhar papel cada vez mais relevante no comércio exterior brasileiro, especialmente em setores que dependem de transporte ágil e competitivo para se manterem em mercados exigentes como o asiático.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é: até que ponto a consolidação dessa rota poderá transformar o Ceará em um polo estratégico para o comércio internacional brasileiro?