1. Início
  2. Ciência e Tecnologia
  3. Capazes de viver por mais de 3 mil anos, sequoias gigantes enfrentaram incêndios extremos na Califórnia, e aquelas expostas a queimadas controladas na década anterior tiveram quase quatro vezes mais chances de sobreviver às chamas de 2020 e 2021
Faça um comentário 4 min de leitura

Capazes de viver por mais de 3 mil anos, sequoias gigantes enfrentaram incêndios extremos na Califórnia, e aquelas expostas a queimadas controladas na década anterior tiveram quase quatro vezes mais chances de sobreviver às chamas de 2020 e 2021

Imagem de perfil do autor Fabio Lucas Carvalho
Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 26/07/2026 às 15:18
Estudo revela que sequoias expostas a queimadas controladas têm quatro vezes mais chances de sobrevivência após incêndios.
Estudo revela que sequoias expostas a queimadas controladas têm quatro vezes mais chances de sobrevivência após incêndios.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo
Prefira o CPG no Google

Estudo com cerca de 26.400 sequoias em 19 bosques da Califórnia indica que queimadas controladas reduziram em 77% o risco de morte e podem ter preservado aproximadamente 1.900 árvores durante incêndios extremos.

Sequoias gigantes expostas a queimadas controladas nos dez anos anteriores tiveram quase quatro vezes mais chances de sobreviver aos incêndios de 2020 e 2021 na Serra Nevada da Califórnia, segundo estudo da Universidade da Califórnia, Davis.

Queimadas controladas reduziram em 77% o risco de morte

A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, analisou os efeitos do Castle Fire, ocorrido em 2020, e do KNP Complex, registrado em 2021. Os dois incêndios atingiram bosques de sequoias gigantes e mataram milhares dessas árvores.

Os resultados mostram que as queimadas controladas realizadas durante a década anterior reduziram em aproximadamente 77% a probabilidade de morte das sequoias. Nas áreas tratadas, a chance de sobrevivência foi cerca de quatro vezes maior.

A comparação foi feita entre árvores localizadas em áreas submetidas ao manejo do fogo e sequoias próximas, situadas em porções não tratadas dos mesmos bosques.

Simulações computacionais indicaram que as queimadas realizadas antes dos grandes incêndios evitaram a morte de aproximadamente 1.900 sequoias gigantes.

Os pesquisadores também estimaram que outras 3.900 árvores poderiam ter sobrevivido se todas as sequoias presentes nos bosques atingidos tivessem recebido tratamento semelhante.

“As queimadas controladas são eficazes na redução da mortalidade de sequoias gigantes, mesmo nos incêndios florestais extremos de hoje”, afirmou o autor principal, Dan Dixon.

Dixon era pesquisador de pós-doutorado na UC Davis e trabalhava no laboratório da professora Yufang Jin quando o estudo foi conduzido.

“Se o objetivo é proteger as sequoias gigantes, o fogo controlado é uma ferramenta essencial disponível para os gestores”, acrescentou o pesquisador.

Estudo avaliou cerca de 26.400 sequoias em 19 bosques

Cientistas da UC Davis, do Serviço Geológico dos Estados Unidos e dos Parques Nacionais Sequoia e Kings Canyon participaram da pesquisa.

A equipe avaliou aproximadamente 26.400 sequoias gigantes distribuídas por 19 bosques afetados pelo Castle Fire e pelo KNP Complex.

Para examinar as condições existentes antes dos incêndios e estimar os danos posteriores, os pesquisadores combinaram diferentes dados de sensoriamento remoto.

Um dos recursos utilizados foi o lidar aerotransportado, tecnologia que emprega pulsos de laser para medir a estrutura da floresta. A análise também incorporou imagens de alta resolução captadas pelos satélites PlanetScope.

Essa combinação permitiu avaliar as condições do material combustível antes da passagem do fogo e relacionar essas características com a sobrevivência das árvores.

Segundo Yufang Jin, a união entre sensoriamento remoto de alta resolução e uma estrutura estatística rigorosa revelou informações sobre as queimadas controladas que ultrapassam o alcance de relatos ou levantamentos de campo tradicionais.

Décadas de manejo criaram condições diferentes entre os bosques

Os Parques Nacionais Sequoia e Kings Canyon mantêm desde a década de 1960 um dos programas de queimadas controladas mais extensos dos Estados Unidos, segundo o estudo.

Esse trabalho criou, ao longo das décadas, bosques com históricos de fogo bastante diferentes. Algumas áreas haviam recebido queimadas controladas recentemente, enquanto outras permaneceram sem incêndios por mais de 100 anos.

Nos locais sem fogo, madeira morta, arbustos e outros materiais combustíveis se acumularam. O contraste entre as áreas proporcionou aos cientistas uma oportunidade de medir os efeitos do manejo anterior durante incêndios extremos.

As queimadas controladas reduzem a quantidade de combustível disponível na floresta. Com menos material acumulado, o estudo indica que os bosques podem apresentar menor mortalidade quando são alcançados por um incêndio de grandes proporções.

“Este estudo é oportuno, considerando o histórico de supressão de incêndios nessas florestas e o ritmo e a escala crescentes do desbaste de combustível no estado nos últimos anos”, declarou Jin.

Árvores milenares também são vulneráveis ao fogo extremo

As sequoias gigantes estão entre os maiores e mais longevos organismos do planeta. Uma única árvore pode pesar o equivalente a 15 baleias-azuis e permanecer viva por mais de 3.000 anos.

Na natureza, essas árvores crescem somente nas encostas ocidentais da Serra Nevada, na Califórnia. Elas evoluíram em uma paisagem marcada por incêndios periódicos de baixa intensidade.

Sua casca espessa e suas copas elevadas oferecem proteção. Incêndios menores também removem vegetação, reciclam nutrientes e ajudam a criar condições favoráveis ao crescimento de novas sequoias.

Essas características fizeram com que as sequoias adultas fossem consideradas por muitas pessoas praticamente imunes ao fogo. A percepção mudou depois das temporadas de 2020 e 2021, quando bosques inteiros foram atingidos.

“As árvores vivem por tanto tempo e já experimentaram tanta variação climática, diferenças em incêndios florestais, secas, elas viram de tudo”, afirmou Dixon. “Ter tantas mortas em apenas dois anos foi algo sem precedentes.”

O estudo aponta que as sequoias continuam resistentes aos incêndios comuns, mas podem morrer quando expostas a chamas suficientemente intensas.

Segundo a pesquisa, mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a gravidade de distúrbios que atingem florestas primárias, entre eles secas e incêndios extremos. Nesse cenário, as queimadas controladas aparecem como ferramenta disponível para reduzir a vulnerabilidade dos bosques.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x