Transporte de medicamentos ganha peso na operação aérea entre Europa e Brasil, enquanto a Latam Cargo amplia volumes, rotas e estrutura especializada para cargas farmacêuticas que exigem controle de temperatura e cuidados específicos.
O transporte de produtos farmacêuticos realizado pela Latam Cargo entre a Europa e o Brasil cresceu cerca de 150% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com os mesmos sete meses de 2025.
Segundo dados divulgados pela companhia, o avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento das remessas de medicamentos à base de GLP-1, classe que inclui produtos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”.
O movimento ocorreu em meio à expansão mais ampla do transporte aéreo de cargas entre os dois mercados. Considerando medicamentos, equipamentos industriais, têxteis, commodities e os demais produtos transportados, a Latam Cargo movimentou quase 32 mil toneladas entre Europa e Brasil no período, volume 27% superior ao registrado de janeiro a julho do ano passado.
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A participação dos medicamentos GLP-1 ajuda a dimensionar o impacto dessa demanda sobre a operação. De acordo com os números divulgados pela Latam, esses produtos responderam por aproximadamente 15% do volume total transportado pela companhia entre Europa e Brasil nos primeiros sete meses de 2026.
A expressão “canetas emagrecedoras” é utilizada de forma ampla para medicamentos injetáveis agonistas do receptor de GLP-1. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) cita entre os princípios ativos dessa classe a semaglutida, a tirzepatida e a liraglutida.
As indicações variam de acordo com cada medicamento e incluem tratamentos para diabetes tipo 2 e, em determinados produtos, obesidade.
Medicamentos exigem controle de temperatura durante o transporte
O crescimento desse tipo de carga impõe exigências diferentes das encontradas no transporte de mercadorias convencionais. Medicamentos podem depender de faixas específicas de temperatura e de procedimentos destinados a preservar suas condições durante armazenamento, movimentação no aeroporto e transporte entre os países.
A Latam Cargo informa que sua operação farmacêutica utiliza monitoramento de temperatura, áreas climatizadas, segregação das cargas e coberturas térmicas, além de procedimentos para diminuir o tempo em que os produtos permanecem expostos no pátio dos aeroportos.
No caso de contêineres ativos, a operação prevê conexão à energia e acompanhamento de bateria e temperatura durante o manuseio.
A companhia mantém certificação CEIV Pharma, concedida pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), e divide a solução para esse mercado entre modalidades passiva e ativa de controle de temperatura.
A infraestrutura inclui ainda um hub farmacêutico em Miami equipado para trabalhar com diferentes faixas térmicas e armazenar contêineres especializados.

Quase 32 mil toneladas incluem cargas de diferentes setores
O aumento dos medicamentos ocorreu dentro de uma operação que permanece bastante diversificada. Cerca de 75% das quase 32 mil toneladas movimentadas entre Europa e Brasil de janeiro a julho corresponderam a cargas gerais e consolidadas, como produtos de automação, máquinas destinadas à mineração, itens têxteis e commodities.
Alemanha, Bélgica, Espanha e Itália apareceram como os principais países europeus de origem das cargas transportadas para o Brasil durante o período. Países Baixos e França vieram em seguida, mostrando que o fluxo não depende de um único polo de embarque no continente.
Parte dessas mercadorias chega ao país utilizando o espaço disponível nos porões de aeronaves que também transportam passageiros. Nesse segmento, Lisboa–São Paulo, Madri–São Paulo e Frankfurt–São Paulo estiveram entre os principais fluxos registrados pela empresa nos sete primeiros meses de 2026.
Já nas operações realizadas com aeronaves cargueiras, as ligações Frankfurt–Viracopos e Bruxelas–Viracopos tiveram destaque.
A malha ganhou ainda uma alternativa entre Bruxelas e São José dos Campos, enquanto novos voos de passageiros partindo de Bruxelas e Amsterdã para São Paulo aumentaram a capacidade disponível para mercadorias.
Essa combinação permite que a carga viaje tanto em aviões exclusivamente cargueiros quanto aproveitando a capacidade de voos internacionais de passageiros.
Segundo os dados divulgados pela empresa, as três afiliadas Latam Cargo Brasil, Latam Cargo Chile e Latam Cargo Colômbia operam juntas uma frota de 20 aeronaves cargueiras, além do espaço disponível nos voos de passageiros do grupo.

Expansão acompanha maior procura por medicamentos GLP-1
Para Jorge Carretero, gerente de Vendas de Carga na Europa do Latam Airlines Group, a expansão dos produtos farmacêuticos evidencia o aumento da procura por soluções logísticas especializadas entre os mercados europeu e brasileiro.
O executivo também relaciona o crescimento de 27% de toda a carga à ampliação da conectividade e à capacidade da rede de atender diferentes setores.
O salto na demanda por medicamentos ocorre ainda em um momento de expansão da oferta desse segmento no mercado brasileiro. Em julho, por exemplo, a Anvisa aprovou cinco novos medicamentos injetáveis de semaglutida sintética para diabetes.
A agência informou que a priorização das análises dessa classe começou em 2025 diante da necessidade de abastecimento do mercado e do aumento dos pedidos de registro.
Na logística, esse aumento significa uma participação maior de cargas que exigem cuidados específicos dentro de uma rede que também transporta máquinas, matérias-primas e produtos industriais.
Entre janeiro e julho, a combinação entre maior procura por medicamentos GLP-1 e ampliação das conexões aéreas ajudou a Latam Cargo a registrar, ao mesmo tempo, crescimento de 150% no segmento farmacêutico e avanço de 27% no volume total transportado entre Europa e Brasil.
