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Campo-grandense largou trabalho como produtora de eventos e bartender, mudou-se com o namorado para Portugal, passou 2 anos em empregos da mesma área e depois fez habilitação para pesados e curso exigido até virar caminhoneira e hoje cruza a Europa ao lado dele desde 2024, conhecendo o continente enquanto trabalha

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 20/08/2026 às 18:15 Atualizado em 20/08/2026 às 18:16
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Mudança de país, troca de profissão e semanas inteiras dentro de um caminhão transformaram a rotina de um casal de Campo Grande que recomeçou a vida em Portugal e encontrou no transporte rodoviário internacional uma nova forma de trabalhar, viajar e construir estabilidade longe do Brasil.

Thalita Pantaleão trocou a rotina de produtora de eventos e bartender em Campo Grande por uma vida sobre rodas na Europa.

Ao lado do namorado, Daniel Jorge, ela deixou Mato Grosso do Sul, recomeçou em Portugal, passou por uma fase de adaptação profissional e documental e, depois de buscar habilitação para veículos pesados e concluir o curso exigido para exercer a função, entrou no transporte rodoviário internacional.

Hoje, o casal trabalha junto em viagens que atravessam diferentes países europeus e mantém o caminhão como espaço de trabalho, descanso e convivência durante semanas.

Segundo reportagem do Jornal Midiamax, publicada em 7 de junho de 2026, Thalita tinha 24 anos e Daniel, 32, quando relataram a trajetória.

Os dois saíram de Campo Grande em fevereiro de 2022 e foram morar em Lisboa sem experiência anterior no setor de transportes.

No Brasil, ela atuava como produtora de eventos e bartender; já em Portugal, continuou procurando oportunidades na mesma área enquanto o casal tentava organizar a nova vida e regularizar a documentação.

Da produção de eventos à habilitação para caminhões

A mudança profissional não aconteceu logo na chegada.

Durante os dois primeiros anos em Portugal, Thalita e Daniel permaneceram em Lisboa e buscaram alternativas que pudessem oferecer mais estabilidade financeira.

Foi depois desse período que decidiram investir no transporte pesado, mesmo sem histórico profissional com caminhões.

A escolha envolveu uma nova mudança de cidade e uma sequência de etapas antes de entrar de fato na estrada.

O casal deixou Lisboa e se estabeleceu em Covilhã, no distrito de Castelo Branco.

A cidade menor e o custo de vida mais baixo pesaram na decisão.

A partir dali, os dois tiraram a habilitação necessária para conduzir veículos pesados e fizeram posteriormente o curso exigido para ocupar profissionalmente a função.

Daniel começou a trabalhar primeiro; Thalita entrou depois, até que os dois passaram a viajar juntos.

Transporte internacional leva casal por diferentes países da Europa

A profissão transformou a rotina do casal em uma operação internacional.

Eles trabalham para uma empresa espanhola no transporte de alimentos, com viagens que partem da Espanha e seguem para diferentes destinos dentro e fora da União Europeia.

Cada ciclo pode manter os dois aproximadamente 21 dias seguidos na estrada, período em que o caminhão deixa de ser apenas instrumento de trabalho e passa também a funcionar como moradia temporária.

As jornadas relatadas giram entre 18 e 21 horas por dia para a operação do casal.

Como os dois trabalham juntos, a rotina é organizada em revezamentos, pausas e períodos de descanso ao longo das viagens.

O veículo fornecido pela empresa possui duas camas adaptadas para formar um espaço semelhante a uma cama de casal, além de utensílios de cozinha e aparelhos elétricos usados para manter parte da vida cotidiana dentro da cabine.

Caminhão vira espaço de trabalho, descanso e convivência

Dormir, preparar comida, estudar e passar o tempo livre no próprio caminhão fazem parte da experiência.

Nas paradas, áreas de serviço ao longo das rotas oferecem banheiros, restaurantes, lojas e outros serviços.

Esses intervalos também se tornaram uma maneira de conhecer lugares que dificilmente entrariam em um roteiro turístico planejado com antecedência, já que os destinos dependem das cargas e das demandas da empresa.

A imprevisibilidade das rotas é justamente um dos aspectos que mais atraem Thalita.

Em seu relato, ela descreveu a possibilidade de tomar café da manhã na França e jantar na Bélgica como exemplo da dinâmica da profissão.

O casal também já passou por países como Polônia e Suécia, ampliando o contato com regiões que antes não faziam parte de seus planos de viagem.

Nos períodos em que não está dirigindo ou descansando, Thalita tenta manter atividades pessoais dentro da própria cabine.

Ela faz aulas de francês, lê livros e produz conteúdo para as redes sociais.

Daniel, por sua vez, utiliza parte do tempo livre para jogar no computador.

A organização desses hobbies surgiu como forma de tornar mais suportáveis os longos períodos longe de uma residência fixa durante as operações internacionais.

Recomeço em Portugal começou com dificuldades para encontrar moradia

A atual rotina contrasta com os primeiros meses em Portugal.

Quando chegaram ao país, Thalita e Daniel enfrentaram dificuldade para encontrar moradia e passaram aproximadamente dois meses dividindo uma casa com outras 15 pessoas.

Em vez de alugar um quarto inteiro, o casal relatou que pagava por uma cama em um dormitório compartilhado, solução encontrada enquanto ainda tentava criar contatos e se estabelecer em Lisboa.

Antes da mudança, os dois haviam planejado o recomeço e vendido os bens que possuíam no Brasil em cerca de dois meses.

Mesmo levando dinheiro reservado para a instalação em Portugal, perceberam que a falta de referências e contatos locais dificultava a locação de um apartamento.

A situação só melhorou depois que construíram uma rede de conhecidos capaz de ajudar no acesso a uma moradia própria.

Trabalho como caminhoneira mudou os planos profissionais

A experiência também modificou a percepção de Thalita sobre a própria profissão.

O interesse por caminhões não existia antes da mudança para a Europa, e o casal não tinha experiência prévia no transporte rodoviário pesado.

A adesão ao setor surgiu como uma oportunidade concreta de crescimento financeiro associada ao desejo de viajar, aprender idiomas e conhecer outras culturas, objetivos que já faziam parte dos planos pessoais dos dois.

Ao mesmo tempo, a vida na estrada exige permanência prolongada longe de familiares e amigos.

Thalita relata que a saudade é uma das partes mais difíceis do processo de imigração e do trabalho itinerante.

O cotidiano profissional concentra no mesmo espaço direção, descanso, alimentação, estudo, lazer e convivência, enquanto o destino seguinte pode mudar de acordo com as necessidades do transporte.

Entre o trabalho anterior em eventos, a mudança para Portugal, a passagem por Lisboa e Covilhã, a habilitação para pesados e a entrada no transporte internacional, a trajetória de Thalita foi construída em etapas.

Desde 2024, a estrada passou a fazer parte da vida profissional do casal, com ciclos de cerca de três semanas fora de casa e trajetos que transformam fronteiras europeias em parte da rotina de trabalho.

Você trocaria uma profissão conhecida por semanas dentro de um caminhão para trabalhar atravessando diferentes países da Europa ao lado de quem escolheu construir a vida com você?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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