O caminhoneiro aposentado Pedro Maccari colheu em julho de 2026, no quintal de casa em Morro da Fumaça, um aipim de 61 quilos plantado havia dois anos e sete meses. A raiz cresceu em terreno arenoso, sem adubo, e virou atração para vizinhos e parentes.
A ideia era simples: puxar a rama e levar a raiz para a cozinha. Só que o caminhoneiro aposentado Pedro Maccari precisou de picareta e de uma alavanca de ferro para tirar do chão um aipim de 61 quilos no quintal de casa, no bairro Maccari, em Morro da Fumaça, no Sul de Santa Catarina, segundo o ND Mais. A colheita foi noticiada em 14 de julho de 2026.
O tamanho não estava nos planos de ninguém. Maccari havia plantado a muda cerca de dois anos e sete meses antes e não esperava encontrar uma raiz daquele porte, com alguns ramos chegando a cerca de 80 centímetros. Depois da colheita, parentes, amigos e vizinhos foram até a propriedade só para ver de perto.
A colheita que exigiu ferramenta pesada

O primeiro sinal de que algo estava diferente veio na hora de puxar. “Eu achava que ia arrancar fácil, fui obrigado a arrancar com uma picareta e depois pegar uma alavanca de ferro”, contou o aposentado.
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A sequência de ferramentas mostra a resistência da raiz. Picareta é instrumento para romper solo compactado, e alavanca de ferro serve para fazer força de erguimento, ou seja, foi preciso primeiro soltar o entorno e depois levantar o peso.
O resultado justificou o esforço. Foram 61 quilos de raiz retirados de um único pé, quantidade que exigiria mais de uma pessoa apenas para carregar até a varanda.
Dois anos e sete meses debaixo da terra
O tempo de permanência no solo é a explicação central para o tamanho. A muda ficou plantada por cerca de dois anos e sete meses, o equivalente a 31 meses.
Esse prazo está bem acima do que a cultura costuma pedir. O aipim é normalmente colhido antes de completar dois anos, em ciclos que variam conforme a variedade, o clima e o objetivo da lavoura.
Deixar a raiz na terra por mais tempo tende a produzir exatamente o que aconteceu. A planta segue acumulando reservas na raiz enquanto não for arrancada, o que aumenta o volume, mas mexe na qualidade do que se colhe.
A variedade que estava no quintal

O material plantado tem nome específico. A raiz é da variedade Vassourinha, segundo o registro do caso feito pela imprensa da região.
Nomes de variedades são comuns entre quem planta para consumo próprio. Cada tipo tem tempo de ciclo, resistência e textura diferentes, e a escolha costuma vir da tradição familiar ou da troca de ramas entre vizinhos.
No caso, o resultado fugiu completamente do padrão da variedade. Nenhuma característica de tipo explica sozinha uma raiz de 61 quilos, já que o fator determinante foi o tempo somado às condições do terreno.
Nenhuma grama de adubo
O produtor faz questão de destacar que não usou nada. “É uma terrinha, não coloquei adubo nem nada, foi só da natureza mesmo”, afirmou.
A surpresa dele com o próprio resultado é o que mais chama atenção no relato. “Eu fiquei contente. Nunca colhi isso aí. Foi uma surpresa pra mim”, completou.
O tipo de solo também entra na conta. Ele descreve o terreno como arenoso, característica que costuma facilitar o crescimento de raízes por oferecer menos resistência física à expansão.
O detalhe do toco que ajuda a explicar
Há um elemento no local do plantio que passa despercebido em uma leitura rápida. A muda foi colocada perto do toco de uma árvore velha em decomposição, onde ele apenas acrescentou um pouco de terra antes de plantar.
Madeira apodrecendo funciona como fonte natural de nutrientes. A decomposição libera matéria orgânica no solo ao longo dos anos, o que cria uma condição de fertilidade sem que ninguém tenha aplicado produto algum.
Isso não contradiz o relato do aposentado. Ele de fato não usou adubo comprado nem fertilizante industrial, mas o ponto escolhido para o plantio já oferecia uma reserva orgânica em formação. Pesquisas sobre manejo de solo e culturas de subsistência em Santa Catarina são conduzidas por instituições como a Epagri.
O problema que ninguém esperava
A raiz gigante trouxe uma frustração junto. Maccari chegou a cozinhar o aipim, mas o resultado não foi bom para consumo.
A avaliação dele foi direta. “Não tá bom para comer, tá muito velho. Ele já quase não tem mais sabor”, disse o aposentado.
Esse desfecho tem lógica agronômica. Raízes deixadas muito tempo no solo tendem a ficar mais fibrosas e a perder qualidade de mesa, o que explica por que o ponto de colheita importa tanto quanto o tamanho.
O destino final dos 61 quilos
Sem serventia na cozinha, a raiz ganhou outro uso. “Eu vou picar e dar para os terneirinhos”, afirmou Maccari, referindo-se aos bezerros.
É uma prática comum na pequena propriedade. Aipim picado entra na alimentação animal quando não serve para consumo humano, aproveitando o valor energético da raiz.
Assim, nada se perde no quintal. Os 61 quilos que não viraram almoço viram ração, dentro da lógica de aproveitamento que caracteriza a produção de subsistência.
Um quintal com cerca de 50 pés
A produção dele não é comercial. Maccari planta cerca de 50 pés de aipim para consumo próprio e para distribuir entre os vizinhos.
Esse formato é o retrato da agricultura de fundo de quintal. Não há venda, contrato nem meta de produtividade, apenas plantio para abastecer a casa e repassar o excedente para quem mora perto.
Ele também mantém outra atividade artesanal. O aposentado produz vinhos artesanais, segundo a reportagem, o que reforça o perfil de quem trabalha a terra por hábito e não por renda.
De caminhoneiro a produtor de quintal
A trajetória dele ajuda a entender a rotina atual. Maccari é caminhoneiro aposentado e passou a dedicar o tempo à propriedade no bairro que leva o próprio sobrenome.
A transição da estrada para o quintal é comum na região. Municípios do Sul catarinense combinam atividade urbana com pequenas propriedades familiares, em que o cultivo segue como parte do cotidiano mesmo depois da aposentadoria.
E foi justamente essa rotina sem pressa que produziu o caso. Quem planta para consumo não tem calendário rígido de colheita, e é por isso que uma raiz pôde ficar 31 meses esquecida no solo.
Como o aipim é chamado pelo Brasil
A mesma raiz tem nomes diferentes conforme a região. No Sul do país predomina “aipim”, no Sudeste é mais comum “mandioca” e no Norte e Nordeste aparece como “macaxeira”.
A variação de nome costuma gerar confusão fora do estado. Trata-se do mesmo produto, ainda que existam variedades distintas destinadas ao consumo direto e ao processamento industrial.
É um alimento de peso na mesa brasileira. A raiz aparece cozida, frita, em purê, em bolo e em farinha, o que explica por que uma colheita fora do normal vira assunto tão rápido.
Por que a imagem viralizou
O que transformou a colheita em notícia foi o registro visual. A foto da raiz de 61 quilos circulou e despertou curiosidade nos moradores do município.
A reação local foi imediata. Parentes, amigos e vizinhos foram até a propriedade para ver a raiz de perto, transformando o quintal em ponto de visitação improvisado.
O apelo da imagem é fácil de entender. Um alimento comum em formato incomum quebra a expectativa de quem olha, especialmente quando aparece ao lado de uma pessoa para efeito de comparação.
E você, já colheu algo assim no quintal?
Um aipim de 61 quilos que precisou de picareta e alavanca para sair do chão, cresceu por dois anos e sete meses sem adubo nenhum e terminou virando comida de bezerro por ter perdido o sabor. É o tipo de história que só acontece em quintal de quem planta sem pressa e sem meta.
E você, já colheu alguma coisa fora do tamanho normal na sua horta? Acha que valeria a pena deixar mais tempo na terra mesmo perdendo o sabor, ou é melhor colher na hora certa? Conte nos comentários a sua opinião e marque aquela pessoa que vive dizendo que vai plantar alguma coisa no quintal.
