Frio intenso, poucas horas de luz natural e custo de vida elevado fazem parte da rotina de brasileiras que decidiram morar na Islândia, onde experiências com segurança, serviços públicos, natureza e liberdade de circulação ajudam a mostrar como é viver no país.
Morar na Islândia exige adaptação a um inverno em que a luz natural se torna escassa, as temperaturas caem bastante e o custo cotidiano pesa no orçamento, enquanto brasileiras estabelecidas no país destacam segurança, serviços públicos e liberdade de circulação como mudanças importantes.
Entre essas brasileiras estão Anna Kellen Bull, do Rio de Janeiro, que vive em Reykjavík com o marido e o filho pequeno, e Luciana Moço, de Niterói, moradora da Islândia desde 2014 e também ligada profissionalmente ao setor de turismo.
Nos relatos publicados pelo UOL, a sensação de segurança aparece como uma das diferenças mais marcantes em relação ao Brasil, sobretudo para mulheres acostumadas a redobrar a atenção em deslocamentos, no transporte público ou ao caminhar sozinhas durante a noite.
-
Depois de passar 20 anos presa em uma jaula de metal, ursa Celeste foi resgatada e após duas décadas de confinamento, finalmente chegou a um santuário de 12,7 hectares de natureza, onde pisou na grama, ganhou piscina e brinquedos e voltou a viver em grupo
-
“Melhor que picanha”: açougueiro mostra corte de carne que custa menos de R$ 30 e pode surpreender quem procura um churrasco barato; ele também explica como deixar a carne macia e suculenta
-
Brasil prepara acesso ao Porto de Santos para trens gigantes de até 2,4 km e 140 vagões após pacote de R$ 2 bilhões que criou seis pátios, mexeu em mais de 90 km de trilhos e instalou 126 aparelhos de mudança de via na Baixada Santista
-
“Eu vou ficar louca”: funcionária das Casas Bahia viraliza ao ser abordada por vários clientes perguntando se a rede está falindo após pedido de recuperação judicial; vídeo no TikTok já passa de 825,7 mil visualizações
Segundo Anna, circular tarde com o celular na mão não desperta a mesma preocupação de perder os pertences, e a brasileira também relatou ter sofrido assédio no transporte público no Brasil, experiência que afirma não ter enfrentado desde a mudança.
Já Luciana descreveu percepção semelhante ao observar a autonomia de mulheres e crianças no cotidiano islandês e resumiu essa diferença ao dizer ao UOL que “é como se o medo não existisse no cotidiano”, associando segurança à liberdade de circulação.

Inverno na Islândia reduz as horas de luz
Se a segurança pesa a favor da permanência, a adaptação climática exige mudanças profundas, sobretudo entre dezembro e março, período em que Anna relatou enfrentar aproximadamente três horas de luz diária, com amanhecer tardio e o retorno da escuridão ainda durante a tarde.
Em entrevista publicada em abril de 2023, ela explicou que a falta de luminosidade estava entre os desafios mais difíceis da mudança, porque os dias escuros alteravam sua disposição e a percepção de tempo durante uma estação muito diferente daquela vivida no Brasil.
Além da escuridão prolongada, o frio acrescenta outra camada à adaptação, já que Anna também relatou ter presenciado temperaturas próximas de 20 graus negativos em Reykjavík, embora tenha destacado a preparação local para mudanças meteorológicas e o uso de alertas de tempestade.
Outro ponto que exige planejamento é o custo de vida, pois Anna associou parte dos preços elevados à condição insular do país e afirmou que alguns produtos podem custar mais do que em outros destinos europeus, dificuldade somada à distância do Brasil.
Serviços públicos e segurança influenciam a permanência
Na avaliação das brasileiras, a experiência com os serviços públicos também pesa na escolha de permanecer no país, especialmente pela digitalização de procedimentos que reduz etapas burocráticas e permite resolver parte importante da rotina por sistemas ligados ao número de identificação local.
Por meio desse sistema, Anna contou que consegue consultar informações de saúde, exames e vacinas digitalmente, além de ter descrito de forma positiva o acompanhamento pré-natal, enquanto Luciana relacionou qualidade de vida ao funcionamento das instituições e à proximidade com a natureza.
Ainda assim, viver fora do país de origem não elimina dificuldades pessoais, e Luciana relatou situações em que percebeu tratamento diferente por não ser islandesa, embora não as tenha classificado como discriminação explícita, enquanto Anna reconheceu perdas e mudanças culturais.
A saudade também aparece nos depoimentos, com Luciana citando principalmente a família e a comida brasileira, enquanto Anna mencionou a espontaneidade dos cariocas; mesmo assim, ambas mantêm vínculos profissionais com a Islândia por atividades relacionadas à recepção de turistas brasileiros.

Turismo passou a fazer parte da rotina
Antes de transformar a Islândia em endereço, Anna já havia vivido fora do Brasil e conheceu o país durante uma viagem realizada quando ainda morava no Reino Unido; mais tarde, uma oportunidade de trabalho ajudou a consolidar a mudança para Reykjavík.
Com o tempo, auroras boreais, geleiras e paisagens que antes pertenciam ao roteiro de viagem também passaram a integrar sua atividade profissional, já que pedidos de seguidores por orientações sobre a Islândia levaram Anna a desenvolver serviços voltados a brasileiros interessados no destino.
Luciana seguiu trajetória semelhante no turismo e, segundo o UOL, também mantém uma operação voltada a visitantes, fazendo com que as duas brasileiras usem a experiência acumulada como moradoras para orientar pessoas interessadas em viajar pelo território islandês.
Comunidade brasileira na Islândia é estimada em 240 pessoas
Em dimensão populacional, a presença brasileira continua pequena quando comparada com destinos tradicionais da emigração nacional, já que relatório do Senado Federal de 2024 registra a comunidade na Islândia como estimada em 240 pessoas e atribui o atendimento consular à Embaixada do Brasil em Oslo.
Entre meses de pouca luminosidade, frio intenso, preços altos e distância da família, Anna e Luciana colocam como contrapartidas a possibilidade de circular com menos medo, confiar em serviços incorporados à rotina diária e manter contato constante com paisagens naturais do país.
Você aceitaria enfrentar meses de inverno com pouquíssimas horas de luz natural se, em troca, pudesse viver uma rotina marcada por maior sensação de segurança, liberdade para caminhar pelas ruas e acesso mais simples aos serviços do dia a dia?

