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Brasileiras que trocaram o país pela Islândia encaram invernos com apenas 3 horas de luz por dia, mas dizem que a segurança de andar na rua sem medo e a qualidade de vida compensam, numa comunidade estimada em 240 pessoas

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 23/08/2026 às 15:13 Atualizado em 23/08/2026 às 15:24
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Frio intenso, poucas horas de luz natural e custo de vida elevado fazem parte da rotina de brasileiras que decidiram morar na Islândia, onde experiências com segurança, serviços públicos, natureza e liberdade de circulação ajudam a mostrar como é viver no país.

Morar na Islândia exige adaptação a um inverno em que a luz natural se torna escassa, as temperaturas caem bastante e o custo cotidiano pesa no orçamento, enquanto brasileiras estabelecidas no país destacam segurança, serviços públicos e liberdade de circulação como mudanças importantes.

Entre essas brasileiras estão Anna Kellen Bull, do Rio de Janeiro, que vive em Reykjavík com o marido e o filho pequeno, e Luciana Moço, de Niterói, moradora da Islândia desde 2014 e também ligada profissionalmente ao setor de turismo.

Nos relatos publicados pelo UOL, a sensação de segurança aparece como uma das diferenças mais marcantes em relação ao Brasil, sobretudo para mulheres acostumadas a redobrar a atenção em deslocamentos, no transporte público ou ao caminhar sozinhas durante a noite.

Segundo Anna, circular tarde com o celular na mão não desperta a mesma preocupação de perder os pertences, e a brasileira também relatou ter sofrido assédio no transporte público no Brasil, experiência que afirma não ter enfrentado desde a mudança.

Já Luciana descreveu percepção semelhante ao observar a autonomia de mulheres e crianças no cotidiano islandês e resumiu essa diferença ao dizer ao UOL que “é como se o medo não existisse no cotidiano”, associando segurança à liberdade de circulação.

Brasileiras na Islândia enfrentam inverno com 3 horas de luz, mas destacam segurança, qualidade de vida e rotina organizada no país.
Brasileiras na Islândia enfrentam inverno com 3 horas de luz, mas destacam segurança, qualidade de vida e rotina organizada no país.

Inverno na Islândia reduz as horas de luz

Se a segurança pesa a favor da permanência, a adaptação climática exige mudanças profundas, sobretudo entre dezembro e março, período em que Anna relatou enfrentar aproximadamente três horas de luz diária, com amanhecer tardio e o retorno da escuridão ainda durante a tarde.

Em entrevista publicada em abril de 2023, ela explicou que a falta de luminosidade estava entre os desafios mais difíceis da mudança, porque os dias escuros alteravam sua disposição e a percepção de tempo durante uma estação muito diferente daquela vivida no Brasil.

Além da escuridão prolongada, o frio acrescenta outra camada à adaptação, já que Anna também relatou ter presenciado temperaturas próximas de 20 graus negativos em Reykjavík, embora tenha destacado a preparação local para mudanças meteorológicas e o uso de alertas de tempestade.

Outro ponto que exige planejamento é o custo de vida, pois Anna associou parte dos preços elevados à condição insular do país e afirmou que alguns produtos podem custar mais do que em outros destinos europeus, dificuldade somada à distância do Brasil.

Serviços públicos e segurança influenciam a permanência

Na avaliação das brasileiras, a experiência com os serviços públicos também pesa na escolha de permanecer no país, especialmente pela digitalização de procedimentos que reduz etapas burocráticas e permite resolver parte importante da rotina por sistemas ligados ao número de identificação local.

Por meio desse sistema, Anna contou que consegue consultar informações de saúde, exames e vacinas digitalmente, além de ter descrito de forma positiva o acompanhamento pré-natal, enquanto Luciana relacionou qualidade de vida ao funcionamento das instituições e à proximidade com a natureza.

Ainda assim, viver fora do país de origem não elimina dificuldades pessoais, e Luciana relatou situações em que percebeu tratamento diferente por não ser islandesa, embora não as tenha classificado como discriminação explícita, enquanto Anna reconheceu perdas e mudanças culturais.

A saudade também aparece nos depoimentos, com Luciana citando principalmente a família e a comida brasileira, enquanto Anna mencionou a espontaneidade dos cariocas; mesmo assim, ambas mantêm vínculos profissionais com a Islândia por atividades relacionadas à recepção de turistas brasileiros.

Brasileiras na Islândia enfrentam inverno com 3 horas de luz, mas destacam segurança, qualidade de vida e rotina organizada no país.
Brasileiras na Islândia enfrentam inverno com 3 horas de luz, mas destacam segurança, qualidade de vida e rotina organizada no país.

Turismo passou a fazer parte da rotina

Antes de transformar a Islândia em endereço, Anna já havia vivido fora do Brasil e conheceu o país durante uma viagem realizada quando ainda morava no Reino Unido; mais tarde, uma oportunidade de trabalho ajudou a consolidar a mudança para Reykjavík.

Com o tempo, auroras boreais, geleiras e paisagens que antes pertenciam ao roteiro de viagem também passaram a integrar sua atividade profissional, já que pedidos de seguidores por orientações sobre a Islândia levaram Anna a desenvolver serviços voltados a brasileiros interessados no destino.

Luciana seguiu trajetória semelhante no turismo e, segundo o UOL, também mantém uma operação voltada a visitantes, fazendo com que as duas brasileiras usem a experiência acumulada como moradoras para orientar pessoas interessadas em viajar pelo território islandês.

Comunidade brasileira na Islândia é estimada em 240 pessoas

Em dimensão populacional, a presença brasileira continua pequena quando comparada com destinos tradicionais da emigração nacional, já que relatório do Senado Federal de 2024 registra a comunidade na Islândia como estimada em 240 pessoas e atribui o atendimento consular à Embaixada do Brasil em Oslo.

Entre meses de pouca luminosidade, frio intenso, preços altos e distância da família, Anna e Luciana colocam como contrapartidas a possibilidade de circular com menos medo, confiar em serviços incorporados à rotina diária e manter contato constante com paisagens naturais do país.

Você aceitaria enfrentar meses de inverno com pouquíssimas horas de luz natural se, em troca, pudesse viver uma rotina marcada por maior sensação de segurança, liberdade para caminhar pelas ruas e acesso mais simples aos serviços do dia a dia?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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