Estudo da Empresa de Pesquisa Energética identifica três áreas com ventos favoráveis à geração offshore, analisa 20 regiões do litoral brasileiro e apresenta critérios técnicos, ambientais e econômicos para orientar futuros projetos no mar
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou três áreas de destaque para a geração de energia eólica offshore no litoral brasileiro. O levantamento analisou as condições dos ventos ao longo da costa e dividiu o território marítimo em 20 regiões.
Três áreas apresentam condições de vento favoráveis à geração de energia
O estudo da EPE identificou três pontos classificados como hotspots, nome utilizado para áreas que se destacam por determinadas características. Nesse caso, o principal critério foi a velocidade média dos ventos.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram dados históricos e compararam o comportamento dos ventos em diferentes trechos do litoral brasileiro.
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A avaliação considerou tanto as mudanças diárias quanto as variações ao longo das estações do ano. Com essas informações, a costa foi dividida em 20 regiões com características semelhantes.
O trabalho também comparou três bases públicas de dados: ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas. O objetivo foi selecionar a fonte mais adequada para estudar o potencial eólico marítimo brasileiro.
Energia eólica offshore ainda depende de outros fatores
Apesar dos resultados, a identificação dessas três áreas não significa que elas estejam liberadas para receber parques eólicos.
A velocidade do vento é importante para a geração de eletricidade, mas não basta para garantir que um empreendimento seja viável.
É preciso considerar os custos de instalação, a infraestrutura disponível e os possíveis impactos ambientais.
Outro ponto envolve as atividades que já acontecem no mar. Pesca, navegação e turismo precisam ser considerados durante a escolha dos locais.
Áreas de conservação ambiental, ecossistemas marinhos e comunidades também fazem parte dessa avaliação.
Nova metodologia segue regras estabelecidas pela legislação brasileira
A EPE desenvolveu uma metodologia para ajudar na escolha de áreas destinadas a futuros projetos de geração de eletricidade no mar.
O procedimento reúne critérios técnicos, ambientais, sociais e econômicos. A proposta é fornecer informações ao poder concedente, responsável pelas decisões sobre a oferta de áreas marítimas.
A iniciativa está relacionada à Lei nº 15.097/2025, que estabelece regras para o aproveitamento do potencial energético offshore no Brasil.
A versão final da metodologia foi publicada em julho de 2026, após consulta pública conduzida pelo Ministério de Minas e Energia.
Segundo a EPE, a Consulta Pública nº 191/2025 recebeu aproximadamente 400 contribuições de 41 instituições. As sugestões foram utilizadas para aperfeiçoar a proposta.
Instalação de parques eólicos no mar ainda exige investimentos e licenciamento
O levantamento representa uma etapa de planejamento. Antes da instalação de qualquer parque eólico, os empreendedores precisam cumprir outras exigências.
Entre elas está o licenciamento ambiental, que avalia os impactos de cada projeto e estabelece condições para sua instalação e operação.
A expansão da geração offshore também depende de investimentos em linhas de transmissão para transportar a eletricidade até os centros consumidores.
Além disso, o setor precisa desenvolver fornecedores, formar profissionais e avançar na regulamentação.
Esses fatores, juntamente com as condições dos ventos, serão determinantes para avaliar quais áreas poderão receber projetos eólicos e em quais condições os empreendimentos poderão funcionar.
Dados e informações da matéria: VEJA.
