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Brasil prevê R$ 1,2 bilhão até 2030 para ampliar pesquisas do subsolo e identificar novas áreas com potencial mineral em diferentes estados

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Escrito por Ana Alice Publicado em 02/11/2026 às 22:52
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Brasil prevê R$ 1,2 bilhão até 2030 para ampliar pesquisas do subsolo, mapear regiões e identificar novas áreas com potencial mineral no país. - Imagem: Ilustrativa via I.A
Brasil prevê R$ 1,2 bilhão até 2030 para ampliar pesquisas do subsolo, mapear regiões e identificar novas áreas com potencial mineral no país. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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A expansão das pesquisas geológicas envolve levantamentos em diferentes regiões, novas ferramentas de consulta e cooperação científica. O planejamento reúne iniciativas que podem ajudar a identificar áreas de interesse para a mineração brasileira.

O governo federal prevê R$ 1,2 bilhão em investimentos até 2030 para ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, com pesquisas destinadas a investigar o subsolo, identificar áreas com potencial mineral e fornecer informações técnicas para futuras atividades de exploração.

O anúncio foi feito pelo diretor-presidente do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Vilmar Simões, durante a abertura do 52º Congresso Brasileiro de Geologia, realizada no domingo (01), em Fortaleza, no Ceará.

A informação foi publicada oficialmente pela instituição nesta segunda-feira (02).

O planejamento contempla levantamentos realizados por aeronaves, análises geoquímicas e produção de mapas geológicos detalhados.

Parte dessas atividades já está em andamento em estados como Tocantins, Goiás, Maranhão e Piauí, enquanto outras frentes deverão avançar conforme a execução dos programas.

Apesar do valor anunciado, os R$ 1,2 bilhão representam uma previsão de investimentos para os próximos anos, e não recursos integralmente liberados.

Para 2027, cerca de R$ 300 milhões foram incluídos na proposta orçamentária federal, que ainda depende das etapas legais de aprovação.

Governo prevê R$ 300 milhões em 2027 para ampliar pesquisas geológicas

Uma das primeiras etapas do planejamento financeiro envolve a destinação de aproximadamente R$ 300 milhões para atividades do SGB em 2027.

Durante o congresso, Vilmar Simões explicou que o montante foi encaminhado ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), instrumento utilizado pelo governo federal para apresentar ao Congresso Nacional a previsão de receitas e despesas do ano seguinte.

Segundo o dirigente, a iniciativa pretende aprofundar as investigações em províncias minerais brasileiras, regiões que apresentam características geológicas associadas à ocorrência de determinados recursos minerais.

“Esse projeto tem por objetivo investigar com maior profundidade todas as províncias minerais conhecidas no nosso país”, afirmou Simões, conforme comunicado divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil.

O trabalho previsto vai além da identificação de possíveis depósitos. Os levantamentos também permitem reunir informações sobre a estrutura das rochas, a composição química de materiais encontrados na superfície e as características geológicas de diferentes regiões.

Esses dados podem orientar pesquisas minerais posteriores, inclusive na seleção de áreas que necessitam de estudos mais detalhados.

A aprovação orçamentária será determinante para a execução das próximas etapas.

Até o momento do anúncio, o SGB não havia apresentado um cronograma anual completo de desembolsos que detalhasse a distribuição dos R$ 1,2 bilhão até 2030.

Tocantins, Goiás, Maranhão e Piauí já recebem levantamentos do SGB

Enquanto o governo planeja ampliar os investimentos, parte das pesquisas mencionadas pelo Serviço Geológico do Brasil já apresenta resultados ou está em execução.

No Tocantins, um bloco de levantamento aerogeofísico foi concluído. Em Goiás, o órgão informou a finalização de trabalhos em parte do território estadual, enquanto outro bloco permanecia em fase de conclusão.

As atividades utilizam equipamentos transportados por aeronaves para medir propriedades físicas das rochas, permitindo estudar características do subsolo mesmo em regiões onde as formações geológicas não estão diretamente expostas.

Aeronave empregada em levantamentos aerogeofísicos no Tocantins, projeto iniciado pelo Serviço Geológico do Brasil para ampliar o conhecimento sobre as características do subsolo. Crédito: Igo Estrela/SGB.
Aeronave empregada em levantamentos aerogeofísicos no Tocantins, projeto iniciado pelo Serviço Geológico do Brasil para ampliar o conhecimento sobre as características do subsolo. Crédito: Igo Estrela/SGB.

Outra frente de investigação está concentrada na Bacia do Parnaíba, que abrange áreas do Maranhão e do Piauí.

Nessa região, o SGB desenvolve levantamentos aerogeofísicos destinados a ampliar a disponibilidade de informações sobre a estrutura geológica da bacia.

A instituição também informou que está avançando com estudos geoquímicos, utilizados para investigar a composição de materiais geológicos e identificar variações na concentração de elementos químicos.

Essas pesquisas ajudam a caracterizar áreas de interesse, mas não significam que novas jazidas tenham sido descobertas ou que existam projetos de extração mineral aprovados nos locais estudados.

A confirmação de depósitos economicamente aproveitáveis depende de etapas adicionais de pesquisa, análise técnica e avaliação da viabilidade dos recursos encontrados.

Mapas mais detalhados podem orientar a busca por novos depósitos minerais

Além dos levantamentos aéreos, o programa anunciado pelo SGB prevê ampliar o mapeamento geológico em escala 1:100.000, especialmente nas províncias minerais brasileiras.

Nesse tipo de representação cartográfica, um centímetro no mapa corresponde a um quilômetro no terreno. A escala permite reunir informações geológicas com um nível de detalhamento importante para estudos regionais de potencial mineral.

O trabalho está relacionado às diretrizes do Plano Decenal de Mapeamento Geológico Básico 2025-2034 (PlanGeo), elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil.

O documento estabelece como uma das prioridades a ampliação dos mapas em escala 1:100.000 em províncias minerais, distritos mineiros e regiões consideradas favoráveis a novas descobertas.

De acordo com o planejamento oficial do PlanGeo 2025-2034, o programa contempla 73 blocos de mapeamento, distribuídos entre áreas que exigem diferentes níveis de detalhamento.

O plano também prevê ampliar a cobertura cartográfica de regiões com menor conhecimento geológico.

Essas diretrizes fazem parte de um planejamento mais amplo e não representam, isoladamente, a lista de projetos que receberão os R$ 1,2 bilhão anunciados até 2030.

O SGB também possui um planejamento específico para a pesquisa de recursos minerais no período de 2026 a 2035, que contempla minerais críticos e estratégicos ligados à transição energética, segurança alimentar e outras cadeias produtivas.

Conforme o Plano Decenal de Pesquisa de Recursos Minerais 2026-2035, divulgado pela instituição, as áreas de interesse incluem ainda rochas e minerais industriais, gemas e minerais nucleares.

Embora tenham objetivos relacionados, os diferentes programas possuem escopos próprios.

O anúncio de novembro não especificou quais minerais serão priorizados em cada estado nem apresentou uma relação definitiva das áreas que receberão novos levantamentos.

Universidades e novas ferramentas de pesquisa entram no planejamento geológico

Para ampliar a produção de mapas e estudos técnicos, o Serviço Geológico do Brasil pretende reforçar a cooperação com universidades e centros de pesquisa.

Vilmar Simões destacou essa necessidade durante o congresso, relacionando a participação das instituições acadêmicas ao desenvolvimento dos novos trabalhos de mapeamento.

O dirigente também informou que o SGB está ampliando suas equipes por meio de convocações de profissionais aprovados em concurso público, com previsão de novas chamadas nos meses seguintes.

Além dos investimentos previstos para o conhecimento geológico, a instituição mantém uma carteira de aproximadamente R$ 400 milhões em projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, realizados em parceria com diferentes organizações, incluindo a Petrobras.

Esse valor corresponde a uma carteira de iniciativas já existente e não deve ser somado automaticamente aos R$ 1,2 bilhão anunciados, pois o comunicado não esclarece a eventual sobreposição entre os programas.

Entre as iniciativas citadas está a revitalização do Museu de Ciências da Terra, na Urca, no Rio de Janeiro, com apoio de uma parceria com a Petrobras de aproximadamente R$ 110 milhões.

Outro projeto mencionado foi o Centro de Referência em Geociências, que deverá abrigar infraestrutura laboratorial voltada a análises de isotopia e geocronologia, técnicas utilizadas para investigar a composição e a idade de materiais geológicos.

Durante o mesmo congresso, o SGB apresentou o GeoBusca, sistema desenvolvido para facilitar o acesso às informações acumuladas pela instituição ao longo de décadas de pesquisas.

Segundo comunicado publicado nesta segunda-feira (02), a plataforma reúne referências a cerca de 5 milhões de dados geocientíficos e permite realizar consultas em linguagem natural, direcionando os usuários para estudos e documentos disponíveis nas bases oficiais.

A ferramenta utiliza recursos de inteligência artificial generativa para auxiliar na localização dos conteúdos, incluindo informações sobre potencial mineral, levantamentos geofísicos, geoquímica e mapeamento geológico.

O GeoBusca foi disponibilizado inicialmente em versão beta, destinada à avaliação e ao aprimoramento do sistema.

Os documentos completos continuam disponíveis nas bases técnicas do SGB, que permanecem como referência para a consulta e a verificação das informações científicas.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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