País ganhou 13,7 milhões de pessoas ocupadas em 13 anos, enquanto avanço feminino superou o masculino e trabalhadores chegaram a 2025 com escolaridade maior.
Em 2025, o Brasil alcançou 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. Naquele ano, eram 89,3 milhões, o que significa que aproximadamente 13,7 milhões de trabalhadores foram incorporados à população ocupada em 13 anos, crescimento de 15,4%.
Os números fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além do recorde de ocupação, a força de trabalho chegou a 109,1 milhões de pessoas em 2025, enquanto o número de desocupados ficou em 6,2 milhões.
Recorde de 103 milhões de ocupados levou nível de ocupação brasileiro a 59,1% em 2025
O crescimento registrado desde 2012 levou o mercado de trabalho brasileiro ao maior contingente de ocupados da série histórica. O nível de ocupação, indicador que mostra a proporção de pessoas trabalhando dentro da população em idade de trabalhar, alcançou 59,1% em 2025, ante 58,6% no ano anterior.
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O resultado também representa uma recuperação importante diante do menor patamar registrado pela pesquisa. Em 2017, o nível de ocupação havia caído para 55,3%, diferença de 3,8 pontos percentuais em relação ao resultado alcançado em 2025.

Mulheres ganharam 7,6 milhões de trabalhadoras e avançaram mais que os homens desde 2012
Uma das principais mudanças ocorreu na participação feminina. O Brasil contabilizou 44,8 milhões de mulheres ocupadas em 2025, equivalentes a 43,5% de toda a população ocupada. Desde 2012, esse contingente cresceu 20,5%, com a incorporação de aproximadamente 7,6 milhões de trabalhadoras.
Entre os homens, o avanço foi menor no mesmo intervalo. Eles chegaram a 58,2 milhões de ocupados, ou 56,5% do total, depois de um crescimento de 11,7% e da incorporação de aproximadamente 6,1 milhões de trabalhadores. Os números mostram que os homens continuam sendo maioria, mas a participação feminina avançou proporcionalmente mais rápido.
Serviços ganharam milhões de trabalhadores enquanto agropecuária perdeu 2,3 milhões de ocupados
O crescimento do emprego também modificou a distribuição dos trabalhadores entre as atividades econômicas. Entre 2012 e 2025, administração pública, defesa, educação, saúde e serviços sociais passaram de aproximadamente 14,1 milhões para 19 milhões de ocupados, aumento próximo de 4,9 milhões.
Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas seguiram movimento semelhante, incorporando cerca de 3,8 milhões de pessoas. A agropecuária percorreu o caminho contrário: passou de 10,1 milhões para aproximadamente 7,9 milhões de ocupados, redução próxima de 2,3 milhões de trabalhadores.
Construção e serviços domésticos também terminaram o período com menos trabalhadores. Já comércio e reparação de veículos permaneceram como o maior grupo individual da pesquisa, reunindo aproximadamente 19,5 milhões de ocupados em 2025.

Escolaridade aumentou e quase um quarto dos trabalhadores passou a ter ensino superior completo
O perfil educacional de quem estava trabalhando no país também mudou profundamente. Em 2012, 35,7% dos ocupados tinham ensino médio completo ou superior incompleto. Em 2025, essa participação chegou a 43,6%, acompanhando o aumento da escolarização observado entre os brasileiros mais jovens.
A transformação fica ainda mais evidente quando todos os trabalhadores com pelo menos ensino médio completo são considerados. Esse grupo passou de menos da metade dos ocupados em 2012 para 68,5% em 2025. No ensino superior, a participação cresceu de 14,1% para 24,9%.
O movimento inverso ocorreu entre trabalhadores sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, cuja participação caiu de 32,6% para 18,3%. Segundo o analista William Kratochwill, do IBGE, o fenômeno acompanha o aumento da escolaridade dos jovens e sua maior permanência no ensino médio.
Trabalho por conta própria cresceu e passou a reunir um em cada quatro ocupados no Brasil
A maneira como os brasileiros se inserem no mercado de trabalho também mudou durante esses 13 anos. Os empregados continuaram sendo maioria, mas sua participação passou de 70,7% dos ocupados em 2012 para 69% em 2025.
O movimento mais evidente ocorreu entre os trabalhadores por conta própria. Essa categoria representava 22,4% dos ocupados em 2012 e alcançou 25,4% em 2025, o equivalente a aproximadamente um em cada quatro trabalhadores.
No sentido contrário, os trabalhadores familiares auxiliares perderam espaço e passaram de 3% para 1,2% da população ocupada. A mudança ajuda a mostrar como a composição das formas de trabalho também se transformou durante o período analisado.

Carteira assinada continuou sendo a principal forma de emprego no setor privado em 2025
Entre os empregados, 37,8% da população ocupada estava no setor privado com carteira assinada em 2025, mantendo esse grupo como o principal segmento. Em 2012, essa participação era de 39,2%.
Os trabalhadores privados sem carteira passaram de 12,6% para 13,4%, enquanto os domésticos recuaram de 6,8% para 5,5%. No setor público, incluindo servidores estatutários e militares, a participação variou de 12,1% para 12,3% dos ocupados.
Os dados da PNAD Contínua revelam, portanto, uma transformação que vai além do recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas. Em 13 anos, mulheres ampliaram sua presença, trabalhadores chegaram ao mercado com maior escolaridade e o trabalho por conta própria ganhou participação.
Ao mesmo tempo, a distribuição das ocupações entre os setores econômicos mudou. O resultado de 2025 retrata um mercado de trabalho maior do que o observado em 2012, mas também com perfil diferente daquele registrado no início da série histórica.
