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MG
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Bombeiro civil que já havia enfrentado as enchentes do RS percorre mais de 500 km de Piracicaba a Juiz de Fora, chega ao bairro que concentrava 21 mortes e se oferece para cavar escombros, entrar na água ou procurar desaparecidos: “estamos aqui para ajudar”

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 26/08/2026 às 08:51 Atualizado em 26/08/2026 às 08:52
Assista o vídeoRodrigo Bazaglia participa como voluntário do trabalho de resgate das vítimas em Juiz de Fora - Rovena Rosa/Agência Brasil
Rodrigo Bazaglia participa como voluntário do trabalho de resgate das vítimas em Juiz de Fora – Rovena Rosa/Agência Brasil
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Rodrigo Bazaglia percorreu mais de 500 km até Juiz de Fora e se juntou aos trabalhos em bairro devastado por deslizamentos após as chuvas de 2026.

Em 27 de fevereiro de 2026, o bombeiro civil Rodrigo Bazaglia chegou a Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais, depois de viajar com um grupo de voluntários por mais de 500 quilômetros desde Piracicaba, no interior de São Paulo. A missão era simples de explicar e difícil de executar: entrar em uma das regiões mais devastadas pelos temporais, ajudar moradores e reforçar, dentro de suas possibilidades, o trabalho que já mobilizava bombeiros, Defesa Civil e voluntários locais. O caso foi registrado pela Agência Brasil durante a cobertura da tragédia.

Rodrigo não escolheu uma área distante da destruição. Assim que chegou, dirigiu-se ao Parque Jardim Burnier, bairro da Zona Sudeste de Juiz de Fora que, naquele momento, concentrava 21 mortes. Levava consigo a experiência de outro desastre de enormes proporções: o grupo ao qual pertencia havia surgido durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Em Minas Gerais, ele se colocou à disposição para remover escombros, entrar na água, procurar desaparecidos ou simplesmente ajudar na limpeza das casas.

Mais de 500 quilômetros separavam Piracicaba da região devastada pelas chuvas

O grupo saiu de Piracicaba, em São Paulo, em direção a Juiz de Fora enquanto parte dos integrantes permanecia no interior paulista organizando arrecadações e a logística necessária para enviar doações.

Segundo a Agência Brasil, foram mais de 500 quilômetros de deslocamento. A distância, porém, representava apenas o início da operação. Ao chegar, os voluntários encontraram bairros cobertos por lama, casas destruídas, ruas bloqueadas e famílias que ainda procuravam parentes desaparecidos.

Rodrigo chegou na manhã da sexta-feira, 27 de fevereiro, poucos dias depois de as chuvas mais violentas atingirem a Zona da Mata mineira.

O destino foi justamente um dos pontos mais devastados de Juiz de Fora

Em vez de permanecer em uma área de apoio distante, Rodrigo seguiu diretamente para o Parque Jardim Burnier.

Naquele dia, o bairro contabilizava 21 vítimas fatais, segundo a reportagem produzida no local. Equipes ainda trabalhavam entre terra, estruturas destruídas e restos de imóveis atingidos pelos deslizamentos.

Foi ali que o bombeiro civil resumiu a disposição do grupo: se fosse necessário cavar, cavariam; se precisassem entrar na água, entrariam.

A frase que sintetizou sua chegada foi ainda mais curta: “Estamos aqui à disposição para ajudar.”

Chuvas provocaram enxurradas, soterramentos e desabamentos em série

O cenário encontrado pelos voluntários era consequência de um evento meteorológico extremo. O Governo de Minas informou que o grande volume de chuva registrado em curto espaço de tempo provocou alagamentos generalizados, enxurradas, interdições de vias, deslizamentos de encostas, soterramentos e desabamentos estruturais em municípios da Zona da Mata.

Um grupo de voluntários viajou mais de 500 quilômetros de Piracicaba, no interior de São Paulo, até Juiz de Fora,
Foto: Agencia Brasil

Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa estavam entre as cidades mais afetadas. Desde a noite de 23 de fevereiro, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais já havia deslocado para a região equipes especializadas do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres, cães treinados para localização de vítimas e ferramentas hidráulicas para remoção de escombros.

Tragédia já contabilizava dezenas de mortes quando o voluntário chegou

Quando Rodrigo desembarcou em Juiz de Fora, o desastre ainda estava em evolução.

A Agência Brasil registrava naquele momento 59 mortes e três desaparecidos em Juiz de Fora, além de seis mortes e dois desaparecidos em Ubá. O número conjunto de pessoas desabrigadas ou desalojadas ultrapassava 4.200.

Os números continuariam mudando nos dias seguintes à medida que equipes de busca localizavam vítimas.

Posteriormente, balanços oficiais registraram 65 mortes em Juiz de Fora, enquanto as operações avançavam para a recuperação das áreas atingidas.

A dimensão da tragédia explica por que reforços vindos de outras regiões passaram a se integrar ao esforço local.

Rodrigo já tinha enfrentado outro desastre a mais de mil quilômetros dali

A mobilização de Piracicaba não nasceu em fevereiro de 2026.

O grupo havia se formado em 2024, quando voluntários se reuniram às pressas para atuar durante as enchentes históricas do Rio Grande do Sul. Muitos dos participantes nem sequer se conheciam antes daquela operação.

A experiência criou um vínculo entre eles.

Quando o novo desastre atingiu Minas Gerais, aquela rede informal voltou a funcionar. Enquanto alguns voluntários viajaram até Juiz de Fora, outros ficaram responsáveis por arrecadar materiais e organizar o envio de ajuda.

Rodrigo voltou, portanto, a uma situação que conhecia: cidades atingidas pela água, famílias desalojadas e operações emergenciais que exigiam mão de obra e organização.

Mas o cenário em Minas Gerais apresentou uma dificuldade diferente

Rodrigo percebeu uma diferença importante entre as duas tragédias. No Rio Grande do Sul, segundo seu relato, o grupo havia chegado quando chuvas e inundações ainda estavam acontecendo intensamente. Em Juiz de Fora, a dimensão das perdas humanas tornava o contato com moradores especialmente delicado.

Não era apenas uma operação para retirar água, carregar móveis ou limpar casas.

Havia famílias acompanhando buscas por parentes desaparecidos, funerais acontecendo paralelamente e bairros inteiros tentando compreender quantas pessoas haviam perdido.

No Parque Jardim Burnier, essa dimensão humana era especialmente evidente.

Bombeiro estava disposto a procurar desaparecidos ou simplesmente retirar lama

O voluntariado em um desastre dessa natureza não se limita a uma única especialidade.

Rodrigo chegou preparado para ajudar tanto em atividades relacionadas às buscas quanto em tarefas mais simples, como remoção de lama e limpeza das áreas atingidas.

Rodrigo Bazaglia participa como voluntário do trabalho de resgate das vítimas em Juiz de Fora - Rovena Rosa/Agência Brasil
Rodrigo Bazaglia participa como voluntário do trabalho de resgate das vítimas em Juiz de Fora – Rovena Rosa/Agência Brasil

Esse trabalho complementar pode ser importante depois das operações mais urgentes.

Uma casa que permanece estruturalmente segura ainda pode ficar praticamente inutilizável após ser tomada por lama, móveis destruídos, água contaminada e toneladas de resíduos.

Ao mesmo tempo, regiões com soterramentos exigem atuação coordenada e especializada, razão pela qual voluntários precisam trabalhar em articulação com Corpo de Bombeiros e Defesa Civil.

Governo mobilizou equipes especializadas e cães de busca

A resposta oficial alcançava uma escala muito maior. O Governo de Minas informou ter mobilizado equipes especializadas em busca e salvamento terrestre, incluindo ferramentas de desmanche hidráulico capazes de auxiliar na remoção controlada de estruturas e cães preparados para procurar pessoas sob escombros.

Também foram desencadeadas ações de saúde, assistência humanitária, segurança pública e recuperação da infraestrutura.

O desastre não afetou apenas residências. Ruas, unidades de atendimento, transportes e serviços públicos foram pressionados simultaneamente.

É nesse tipo de cenário que grupos voluntários acabam preenchendo demandas auxiliares que crescem muito mais rápido do que a capacidade imediata das estruturas locais.

Moradores transformaram igrejas e outros espaços em centros de arrecadação

A mobilização não vinha apenas de outros estados. Em Juiz de Fora, estudantes de medicina também subiram as ladeiras do Parque Jardim Burnier para auxiliar moradores. Uma das mobilizações havia começado em uma igreja e reunia alimentos, produtos de higiene e kits destinados à limpeza das residências.

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Somente naquela semana, cerca de 50 kits haviam sido entregues no bairro Vitorino Braga, outra área atingida.

A estudante Lívia André, do Centro Universitário Antônio Carlos, explicou à Agência Brasil que o grupo se oferecia para atividades como limpeza, produção de refeições e trabalho braçal.

O quadro revela como uma operação de desastre se expande muito além das equipes que aparecem nas buscas.

Depois do resgate começa outra batalha: limpar e reconstruir

Quando as buscas terminam em uma determinada área, a emergência não desaparece. Famílias precisam encontrar abrigo, recuperar documentos, retirar lama, avaliar estruturas, substituir móveis, encontrar roupas e voltar a ter acesso regular a água, alimentação e medicamentos.

Meses depois da tragédia, a dimensão da reconstrução continuava aparecendo nos números oficiais.

Em junho de 2026, a Agência Brasil informou que 4.985 famílias de Juiz de Fora e Ubá já haviam recebido o Auxílio-Reconstrução, totalizando mais de R$ 36 milhões pagos naquele momento.

O benefício de R$ 7,3 mil era destinado a famílias que perderam suas casas ou tiveram de deixá-las por risco de desabamento.

A viagem de Rodrigo mostra como grupos formados em um desastre reaparecem no seguinte

Talvez o aspecto mais particular da história esteja justamente na origem do grupo. A enchente do Rio Grande do Sul em 2024 reuniu pessoas que, em muitos casos, nem se conheciam. A experiência não terminou quando os voluntários voltaram para casa.

Dois anos depois, diante de outra tragédia, parte daquela rede novamente colocou equipamentos no veículo, organizou doações e pegou a estrada.

O destino dessa vez estava a mais de 500 quilômetros de Piracicaba. E Rodrigo escolheu justamente um dos bairros mais atingidos.

De Piracicaba ao Parque Jardim Burnier, uma missão sem tarefa definida

Rodrigo Bazaglia não viajou para Minas Gerais sabendo exatamente qual serviço encontraria quando chegasse.

Essa talvez seja a característica que melhor resume sua participação.

Ele percorreu mais de 500 quilômetros sabendo apenas que, no destino, havia famílias atingidas e uma operação que precisava de ajuda. Poderia ser necessário procurar desaparecidos. Poderia ser necessário retirar lama. Poderia ser necessário carregar materiais ou ajudar a limpar uma casa.

A disposição era fazer aquilo que fosse necessário dentro das condições da equipe.

Quando chegou ao Parque Jardim Burnier, havia 21 mortes contabilizadas somente naquele bairro, e o balanço de vítimas em Juiz de Fora continuava aumentando.

Ao redor dele, bombeiros, Defesa Civil, moradores, estudantes e outros voluntários trabalhavam em uma cidade que ainda tentava localizar desaparecidos ao mesmo tempo em que começava a reconstrução.

Dois anos antes, a água havia levado aquele grupo ao Rio Grande do Sul.

Em 2026, uma nova tragédia reuniu parte deles novamente, desta vez no interior de Minas Gerais. E depois de mais de 500 quilômetros de estrada, Rodrigo chegou sem escolher trabalho: se fosse necessário cavar, entraria nos escombros; se fosse necessário enfrentar a água, ajudaria na água; e, se restasse apenas limpar o que a chuva havia destruído, começaria pela limpeza.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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