BNDES aprova até R$ 2,18 bilhões para a Bram construir quatro navios offshore em Navegantes (SC). Projeto prevê propulsão híbrida e empregos.
Um investimento de aproximadamente R$ 2,42 bilhões vai movimentar a construção naval em Santa Catarina, com a fabricação de quatro embarcações offshore no estaleiro Navship, em Navegantes, entre 2027 e 2030. Para viabilizar o projeto da Bram Offshore Transportes Marítimos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de até R$ 2,18 bilhões, com recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM). A encomenda prevê a manutenção de cerca de 2 mil empregos diretos durante as obras.
As embarcações serão utilizadas em atividades ligadas à exploração e produção de petróleo e gás, especialmente em serviços que exigem equipamentos operados remotamente no ambiente submarino. Além da capacidade de apoio a essas operações, os novos navios terão sistemas de propulsão híbrida e tecnologias desenvolvidas para melhorar a eficiência energética.
Quatro navios terão tecnologia híbrida para operações submarinas
As unidades encomendadas pela Bram serão do tipo RSV (ROV Support Vessel), categoria de embarcação utilizada para dar suporte a veículos submarinos controlados remotamente. Esses equipamentos permitem realizar inspeções, manutenções e instalações em estruturas submersas, com o apoio operacional dos navios durante a execução dos serviços.
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A construção também incluirá soluções para diminuir o consumo de combustível e limitar as emissões atmosféricas. Entre os recursos previstos está um sistema de propulsão híbrido com baterias, acompanhado de outras tecnologias destinadas a melhorar o desempenho das embarcações nas atividades offshore.
Dessa forma, o investimento reúne a ampliação da frota de apoio marítimo e a incorporação de sistemas voltados à eficiência operacional, em um segmento que atende diretamente às necessidades das atividades de petróleo e gás em alto-mar.

Construção em Navegantes deve manter cerca de 2 mil postos de trabalho
A produção das quatro embarcações ficará concentrada na unidade da Navship, em Navegantes, onde a execução dos serviços deverá se estender de 2027 a 2030. Ao longo desse intervalo, a estimativa é de que aproximadamente 2 mil postos diretos de trabalho sejam mantidos no estaleiro.
Os efeitos sobre o emprego também deverão alcançar a etapa posterior à construção. Quando os navios começarem a operar, a previsão é de abertura de aproximadamente 120 vagas diretas e outras 160 indiretas nas atividades relacionadas ao apoio marítimo.
Esses números representam momentos diferentes do empreendimento: enquanto os 2 mil postos estão associados à manutenção do quadro de trabalhadores durante as obras, as 280 oportunidades adicionais são estimadas para a fase operacional das embarcações.
Financiamentos do BNDES alcançam R$ 6,6 bilhões no polo naval catarinense
A aprovação dos recursos para a Bram representa a terceira operação financiada pelo BNDES com dinheiro do Fundo da Marinha Mercante, entre 2025 e 2026, destinada à construção de novas embarcações de apoio marítimo em Santa Catarina.
Considerados em conjunto, os três financiamentos somam R$ 6,6 bilhões, com previsão de geração de 4 mil postos de trabalho. Os valores mostram a dimensão dos projetos aprovados para o polo naval catarinense durante o período, incluindo a nova encomenda destinada ao estaleiro de Navegantes.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o governo federal busca incentivar a fabricação de navios mais modernos, capazes de oferecer melhor desempenho e menores emissões de gases de efeito estufa em comparação com embarcações atualmente utilizadas no segmento.
Mercadante também informou que, desde 2023, o banco já aprovou mais de R$ 15 bilhões em operações destinadas à indústria naval brasileira, considerando os financiamentos realizados em todo o país.
Bram integra grupo internacional que atua no Brasil desde 1991
Responsável pela encomenda, a Bram Offshore Transportes Marítimos pertence ao grupo Edison Chouest Offshore, que mantém atividades no mercado brasileiro desde 1991. A empresa trabalha com diferentes categorias de embarcações utilizadas para atender às demandas logísticas e operacionais da exploração e produção de petróleo e gás.
O financiamento destinado à companhia será viabilizado pelo FMM, instrumento que disponibiliza recursos para o desenvolvimento da navegação mercante e para as atividades de construção e reparação naval no Brasil.
A gestão do fundo está vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, que atua por intermédio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM).
