Com até 900 kg, os bisões conseguem manter a taxa metabólica em temperaturas de até -62°C e possuem 19,3 mil pelos densos por polegada quadrada, 4,5 vezes mais que o gado; especialistas dizem que a pelagem frontal densa ajuda esses animais a enfrentar vento, gelo e neve sem se virar.
Os bisões estão entre os grandes mamíferos mais adaptados ao frio intenso da América do Norte. Animais que podem chegar a aproximadamente 900 kg e 1,8 metro de altura já foram observados encarando tempestades de neve, comportamento favorecido por uma estrutura corporal e uma pelagem capazes de protegê-los quando vento, gelo e temperaturas extremamente baixas atingem seu habitat.
O tema ganhou atenção após alegações nas redes sociais e foi analisado pelo Snopes em 23 de fevereiro de 2024, com atualização em 26 de fevereiro. Especialistas consultados pela publicação confirmaram que bisões realmente podem ficar voltados para tempestades, mas destacaram que não há evidência de que eles façam isso conscientemente para atravessar o mau tempo mais rápido.
Bisões podem pesar 900 kg e ainda enfrentar condições extremas

O bisão-americano é considerado o maior mamífero terrestre da América do Norte. Os maiores exemplares podem atingir cerca de 900 kg, dimensão que contrasta com a capacidade desses animais de permanecer em ambientes submetidos a neve intensa, vento e frio severo.
-
Cientistas descobrem que rochas porosas entre 1.000 e 2.500 metros podem virar “baterias” subterrâneas de 1 TWh, guardar excedente solar e eólico e abastecer uma pequena cidade
-
Após naufrágio acabar com a renda da família no Pará, mãe e três filhas criam negócio com sementes, conquistam feira em Belém e transformam escamas de peixe em biojoias
-
Funcionário usa chaleira compartilhada do trabalho para cozinhar ovos, encontra no dia seguinte um aviso permanente proibindo a prática e publica a situação nas redes, onde mais de 1,6 milhão de visualizações transformam a discussão da copa em debate sobre bom senso e uso de utensílios coletivos
-
Pintura de Rubens fica escondida por mais de 400 anos em uma mansão de Paris, reaparece quando um leiloeiro vai avaliar o imóvel para venda, tem autenticidade confirmada por raios X e análise de pigmentos e termina arrematada por € 2,3 milhões, valor que sobe para € 2,94 milhões com taxas
O tamanho, entretanto, é apenas uma parte da explicação. Os bisões possuem adaptações fisiológicas e uma cobertura corporal especializada que reduzem os efeitos da perda de calor. Em vez de depender apenas de abrigo, seu próprio corpo funciona como uma barreira contra condições que seriam muito mais difíceis para outros animais domésticos.
Temperaturas de até -62°C não derrubam imediatamente sua taxa metabólica
Segundo informações da Associação Canadense de Bisões citadas pelo Snopes, esses animais apresentam elevada tolerância térmica e conseguem manter sua taxa metabólica em temperaturas que chegam a -62°C, equivalentes a aproximadamente -80°F.
Essa característica ajuda a controlar o gasto energético durante períodos de frio extremo. Conforme a explicação apresentada pelos especialistas, a redução das necessidades relacionadas à alimentação e ao gasto corporal permite que uma parcela maior da energia disponível seja destinada à termorregulação, processo usado pelo organismo para preservar uma temperatura adequada.
Pelagem chega a 19,3 mil pelos por polegada quadrada

Um dos números mais impressionantes está escondido na superfície do corpo. Os bisões apresentam aproximadamente 19.300 pelos por polegada quadrada, segundo os dados citados pelo especialista Jeff Martin na análise do Snopes.
Para efeito de comparação, o gado possui aproximadamente 4.500 pelos na mesma área. Isso significa que a densidade encontrada no bisão é cerca de 4,5 vezes maior, criando uma cobertura muito mais espessa entre a pele do animal e o ambiente congelante.
Duas camadas ajudam a impedir que o frio alcance a pele
A proteção não depende apenas da quantidade de pelos. A pelagem apresenta diferentes estruturas. Os pelos externos são mais compridos e ajudam a afastar umidade da superfície corporal, além de diminuir os efeitos do vento frio sobre o animal.
Abaixo deles existe uma camada de subpelo lanoso extremamente densa, responsável por reter calor próximo ao corpo. De acordo com Martin, esses pelos internos também apresentam características que aumentam sua eficiência térmica, criando um isolamento natural essencial durante os períodos mais severos do inverno.
Parte frontal do corpo funciona como escudo contra vento e neve
A distribuição dessa proteção também ajuda a explicar por que os bisões podem permanecer de frente para tempestades. Cabeça e ombros apresentam cobertura particularmente robusta, oferecendo uma região corporal preparada para receber diretamente vento, neve e gelo.
Quando o animal se posiciona dessa maneira, os pelos longos e densos da parte frontal dificultam que o ar congelante e a neve atinjam áreas menos protegidas por baixo da pelagem. A orientação do corpo pode, portanto, aproveitar justamente a região que possui melhor isolamento.
Bisões realmente encaram nevascas, mas explicação viral exagerou

Nas redes sociais, uma versão mais espetacular desse comportamento passou a circular: os bisões supostamente caminhariam diretamente para dentro das nevascas porque saberiam que, dessa maneira, atravessariam a tempestade mais rápido.
O Snopes classificou essa afirmação como “mista”. O comportamento de enfrentar a tempestade já foi observado, mas os pesquisadores ouvidos pela publicação afirmaram que não existem evidências suficientes para atribuir ao animal uma intenção estratégica de diminuir o tempo passado dentro da nevasca.
Encarar a tempestade não significa necessariamente caminhar contra ela
O especialista Jeff Martin destacou uma diferença importante. Segundo ele, os bisões são observados encarando tempestades com maior frequência do que propriamente caminhando contra elas. O animal pode permanecer parado, deitado ou em movimento enquanto mantém a região frontal voltada para o vento.
Essa distinção muda a interpretação do comportamento. Em vez de uma corrida calculada para chegar rapidamente ao outro lado da tempestade, a posição pode simplesmente permitir que o bisão utilize sua parte corporal mais protegida como primeira barreira contra o clima.
Caminhar contra uma nevasca também teria alto custo energético
Paul Stoy, professor ligado à Universidade de Wisconsin-Madison, chamou atenção para outro problema da explicação viral. Avançar diretamente contra vento e neve exigiria grande quantidade de energia e provavelmente economizaria apenas uma pequena parcela do tempo de exposição à tempestade.
Por isso, atribuir aos bisões uma estratégia consciente para “atravessar mais rápido” uma nevasca não encontra sustentação suficiente nas evidências apresentadas. Uma explicação mais simples é que cabeça, pescoço e ombros possuem uma proteção tão eficiente que ficar voltado para o vento pode ser fisicamente vantajoso.
Gado costuma reagir ao vento de maneira diferente
A comparação com o gado ajuda a mostrar como as adaptações corporais influenciam o comportamento. Especialistas relatam que bovinos domésticos tendem a acompanhar a direção do vento, comportamento que pode levá-los a se deslocar por grandes distâncias durante tempestades.
Em áreas cercadas, isso pode criar outro problema: os animais podem acabar concentrados nos limites dos pastos. Os bisões, por outro lado, foram observados mantendo-se voltados para a tempestade, protegidos justamente pela região onde sua pelagem é mais espessa.
Uma nevasca de 2013 mostrou um contraste impressionante
Jim Matheson, da National Bison Association, citou um episódio ocorrido na Dakota do Sul em 2013. Uma forte nevasca provocou a morte de dezenas de milhares de cabeças de gado, enquanto, segundo o relato mencionado pelo Snopes, não houve registro de bisões mortos naquele evento.
Esse episódio isolado não prova que uma única característica explique a sobrevivência. Ainda assim, ajuda a ilustrar a diferença entre animais criados para suportar naturalmente as condições das Grandes Planícies e espécies domésticas que podem apresentar menor resistência diante de eventos meteorológicos extremos.
Não há prova de que sejam os únicos animais capazes desse comportamento

Outra parte frequentemente repetida nas redes sociais afirma que os bisões seriam os únicos animais do mundo que enfrentam nevascas diretamente. Os especialistas também consideram essa conclusão inadequada.
Nem todas as espécies foram observadas em circunstâncias comparáveis, e muitos animais sequer vivem em ambientes sujeitos a nevascas. Por isso, a ausência de relatos semelhantes em outras espécies não permite afirmar cientificamente que o comportamento seja exclusivo dos bisões.
19,3 mil pelos ajudam a explicar um animal construído para o inverno
A combinação é extraordinária mesmo sem a interpretação viral: até 900 kg de massa corporal, tolerância metabólica relatada até -62°C, cerca de 19,3 mil pelos por polegada quadrada e uma densidade de pelagem aproximadamente 4,5 vezes superior à encontrada no gado. Somadas, essas características ajudam os bisões a enfrentar condições que levariam outros animais aos seus limites.
O comportamento de ficar de frente para vento, gelo e neve parece aproveitar uma anatomia moldada para suportar justamente esse tipo de exposição, mas ainda existem perguntas sobre o que determina essa reação. Você imaginava que a diferença entre a pelagem de um bisão e a de um bovino pudesse ser tão grande? E encararia uma nevasca de frente se tivesse essa proteção natural? Deixe sua opinião nos comentários.

