Estudo da UFRJ e do Instituto Proshark identificou seis fêmeas grávidas em diferentes fases da gestação e reforçou a importância ambiental do complexo Ilha Grande-Sepetiba.
Pesquisadores do Instituto Proshark e da Universidade Federal do Rio de Janeiro identificaram uma área utilizada por três espécies ameaçadas de tubarão no litoral fluminense. O estudo analisou animais encontrados no complexo estuarino Ilha Grande-Sepetiba e revelou a presença de fêmeas grávidas em diferentes momentos da gestação.
Publicado em 14 de agosto de 2026 na revista Brazilian Journal of Biology, o trabalho registrou tubarões-rotadores, tubarões-galha-preta e tubarões-mangona. As descobertas indicam que essa extensa área costeira pode ter importância durante diferentes etapas do ciclo reprodutivo dessas espécies.
O complexo estudado se estende por aproximadamente 60 quilômetros e ocupa cerca de 3,1 mil km². A região alcança Angra dos Reis, Mangaratiba, Itaguaí e parte do extremo oeste do município do Rio de Janeiro.
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Seis fêmeas grávidas ajudaram pesquisadores a entender o uso da região
Ao todo, seis fêmeas capturadas acidentalmente durante atividades pesqueiras foram analisadas pelos pesquisadores. Depois das avaliações, os animais passaram por medição e foram devolvidos ao ambiente marinho.
A equipe examinou o número de embriões, o conteúdo vitelino e os diferentes estágios de desenvolvimento embrionário. Os resultados mostraram que as fêmeas não estavam todas no mesmo momento da gestação.
Entre os animais analisados estavam o tubarão-rotador (Carcharhinus brevipinna), o tubarão-galha-preta (Carcharhinus limbatus) e o tubarão-mangona (Carcharias taurus). As três espécies são consideradas ameaçadas de extinção.
A pesquisa também utilizou telemetria satelital para acompanhar os deslocamentos dos tubarões. Esse acompanhamento ajudou a ampliar a compreensão sobre como os animais utilizam a região.

Diferentes fases da gestação reforçam importância do complexo Ilha Grande-Sepetiba
A descoberta de fêmeas grávidas em diferentes estágios chamou atenção porque indica um uso mais amplo da região durante o período reprodutivo. O resultado não se limita, portanto, a um único momento da gestação.
Segundo Fernanda Lana, bióloga, presidente do Instituto Proshark e autora responsável pelo estudo, os registros mostram que as fêmeas utilizam a região em diferentes fases. Isso reforça a possibilidade de o complexo desempenhar papel importante durante todo o ciclo reprodutivo.
A presença desses animais em fases distintas também amplia o valor científico do complexo Ilha Grande-Sepetiba. Os pesquisadores passaram a ter mais evidências para investigar onde os tubarões permanecem durante a reprodução.
Manguezais, enseadas protegidas e costões oferecem abrigo para os tubarões
As características naturais da região ajudam a explicar a presença das fêmeas e de seus filhotes. O complexo reúne manguezais, enseadas protegidas e costões rochosos, além de oferecer diferentes fontes de alimento.
Esses ambientes podem fornecer abrigo para fêmeas gestantes e animais jovens. Por esse motivo, identificar áreas utilizadas durante o ciclo reprodutivo pode contribuir para orientar medidas de conservação.
Os dados obtidos também contribuíram para o reconhecimento da Enseada de Piraquara de Fora, em Angra dos Reis, como uma Área Importante para Tubarões e Raias, conhecida pela sigla ISRA.
A classificação está ligada à União Internacional para a Conservação da Natureza. A área reconhecida inclui ainda a Praia do Laboratório.
Drones e telemetria podem revelar berçários primários e rotas migratórias
As próximas etapas da pesquisa deverão aprofundar o conhecimento sobre os locais utilizados pelos tubarões. A intenção é identificar áreas consideradas berçários primários e compreender melhor os deslocamentos dessas espécies.
Para isso, novas pesquisas devem combinar drones com sistemas de telemetria satelital e acústica. As ferramentas poderão ajudar a acompanhar os animais em diferentes pontos do complexo Ilha Grande-Sepetiba.
O objetivo também será identificar com maior precisão as rotas migratórias percorridas pelos tubarões. Esses dados poderão complementar os registros já obtidos com as seis fêmeas grávidas estudadas.
A descoberta reforça, assim, a importância científica do litoral entre Sepetiba e Ilha Grande. A região reúne condições usadas por três espécies ameaçadas durante diferentes fases da reprodução e permanece como foco das próximas pesquisas.
Você acredita que a identificação desses possíveis berçários pode ajudar a ampliar a proteção dos tubarões no litoral do Rio de Janeiro?
