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Conta de luz fica R$ 3,77 mais leve em outubro numa casa de 200 kWh: Aneel aciona a bandeira tarifária verde e zera o valor extra depois de cinco meses de amarela

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 25/09/2026 às 19:35 Atualizado em 25/09/2026 às 19:36
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Conta de luz em foto de arquivo; com a bandeira verde, outubro não tem cobrança extra de bandeira na fatura.
Conta de luz em foto de arquivo; com a bandeira verde, outubro não tem cobrança extra de bandeira na fatura. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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Depois de cinco meses seguidos de bandeira amarela, a bandeira tarifária volta à verde, que não soma nada à tarifa; a casa de 200 kWh pagou R$ 18,85 extras de maio a setembro, antes dos impostos.

A conta de luz de outubro vem sem cobrança extra: a Aneel acionou a bandeira tarifária verde e tirou os R$ 3,77 que a amarela somava numa casa de 200 kWh desde maio.

A cor anunciada vale para o consumo de outubro no Sistema Interligado Nacional, a rede que liga Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Norte. Desde março de 2015, informa a Aneel, a cor é uma só para todo o sistema.

O que a Aneel decidiu para outubro

A Aneel anunciou nesta sexta-feira (25) a bandeira verde para outubro de 2026, em nota oficial. É a primeira verde desde abril, depois de cinco meses seguidos de amarela, de maio a setembro.

Bandeira tarifária mês a mês em 2025 e 2026.
Bandeira tarifária mês a mês em 2025 e 2026. Foto: arte com dados da Aneel (dados abertos)

O motivo, segundo a agência, é o começo da transição entre o período seco e o úmido em parte das principais bacias do país. Choveu mais no Sul e no Sudeste, e isso ajudou a estabilizar os reservatórios das hidrelétricas.

Com os reservatórios estáveis, o sistema pode acionar menos as fontes mais caras de geração, como as termelétricas, e por isso não há custo adicional para cobrar na conta de energia, explica a Aneel.

A data do anúncio estava marcada desde janeiro. O calendário da Aneel, publicado em 7 de janeiro de 2026, já marcava a bandeira tarifária de outubro para 25 de setembro de 2026.

Quanto cada cor cobra a cada 100 kWh

Na verde, a conta de luz não recebe acréscimo nenhum. A bandeira amarela soma R$ 0,01885 por kWh, ou R$ 1,885 a cada 100 kWh, mostra a tabela oficial da Aneel.

Na vermelha, o degrau é maior. O patamar 1 cobra R$ 4,463 a cada 100 kWh, mais que o dobro da amarela. O patamar 2 cobra R$ 7,877, mais de quatro vezes o valor da amarela, pela mesma tabela.

Esses valores estão em vigor desde abril de 2024, pela Resolução Homologatória 3.306, registra a série histórica da Aneel nos dados abertos. Lá, a conta aparece em reais por megawatt-hora: 18,85, 44,63 e 78,77.

A agência revê os valores uma vez por ano, no fim do período úmido, em abril, explica a página de perguntas e respostas da Aneel. Entram no cálculo o risco das hidrelétricas, o gasto com térmicas, o preço da energia no mercado de curto prazo e encargos do setor.

A conta de 150, 200 e 300 kWh em cada cor

A conta é direta: consumo do mês em kWh vezes o valor da bandeira por kWh. Numa casa que gasta 200 kWh, a bandeira amarela dá 200 × R$ 0,01885, ou R$ 3,77, pela tabela da Aneel.

Cor da bandeiraA cada 100 kWhCasa de 150 kWhCasa de 200 kWhCasa de 300 kWh
VerdeR$ 0R$ 0R$ 0R$ 0
AmarelaR$ 1,885R$ 2,83R$ 3,77R$ 5,66
Vermelha patamar 1R$ 4,463R$ 6,69R$ 8,93R$ 13,39
Vermelha patamar 2R$ 7,877R$ 11,82R$ 15,75R$ 23,63

Os valores da tabela são antes dos impostos e arredondados no centavo. Sobre a bandeira incidem os mesmos tributos da tarifa, informa a Aneel, e por isso o valor impresso na fatura sai maior.

Com a verde, a casa de 200 kWh deixa de pagar em outubro os R$ 3,77 da amarela. Em outubro de 2025, com a vermelha patamar 1, a mesma casa pagou R$ 8,93 de bandeira, mostra a mesma conta.

Quem decide a cor e com quais números

Quem bate o martelo é a Aneel. A cada mês, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) reavalia as condições de operação, explica a agência. É o ONS que define a melhor forma de gerar a energia que o país vai usar.

Linha de transmissão de energia, em foto de arquivo.
Linha de transmissão de energia, em foto de arquivo. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Arquivo/Agência Brasil

Dessa avaliação sai a previsão de quanto virá das hidrelétricas e quanto das térmicas, além do preço da energia no mercado de curto prazo. A cor sai da previsão de custo do mês, detalha a Aneel.

Economizar em casa não muda a cor da bandeira tarifária, porque ela vale para todo o sistema, afirma a agência. Gastar menos, porém, reduz a própria conta de luz, seja qual for a cor.

Antes de 2015, o aumento chegava com atraso de até um ano

O sistema de bandeiras começou em 2015. Antes dele, a variação no custo de geração só ia para a conta no reajuste seguinte, registra a Aneel. O atraso podia chegar a um ano.

A agência trata a bandeira como sinal de preço, e não como custo novo. O consumidor paga no mês em que a energia fica cara e vê a cobrança numa linha separada da fatura, detalha a página oficial.

O reajuste anual de cada distribuidora já é calculado como se a bandeira fosse verde, informa a Aneel. Se a geração sair mais cara e a cor mudar, a diferença chega pela bandeira tarifária, e não pela tarifa.

O valor mais alto da série veio em 2021. Na seca daquele ano, uma bandeira extra, chamada escassez hídrica, cobrou R$ 142 por megawatt-hora a partir de setembro. Era o mesmo que R$ 14,20 a cada 100 kWh, mostra o histórico nos dados abertos.

Verde até abril, amarela até setembro e verde em outubro: 2026 mês a mês

Janeiro, fevereiro, março e abril de 2026 tiveram bandeira verde, sem cobrança extra. No anúncio de fevereiro, a agência informou que as chuvas melhoraram na segunda quinzena de janeiro.

A virada veio no anúncio de 24 de abril, e a bandeira amarela passou a valer em maio. A Aneel explicou a troca pela redução das chuvas na passagem do período chuvoso para o seco, com menos geração hidrelétrica e mais térmicas ligadas.

Junho, julho e agosto repetiram a cor. Em 28 de agosto, a agência manteve a bandeira amarela para setembro, o quinto mês seguido de R$ 1,885 a cada 100 kWh. A geração seguia em condições menos favoráveis, informou a Aneel.

Com a verde de outubro, 2026 soma cinco meses verdes, cinco amarelos e nenhum vermelho até aqui, pelo acionamento oficial das bandeiras e pela nota de 25 de setembro.

Um ano atrás, outubro veio vermelho

Em 2025, a sequência foi bem mais cara. Depois de quatro meses verdes, maio teve amarela, e junho e julho, vermelha patamar 1. Agosto e setembro chegaram à vermelha patamar 2, mostra o histórico da Aneel.

A cor de outubro de 2025 saiu em 26 de setembro daquele ano: vermelha patamar 1, um degrau abaixo dos dois meses anteriores. Novembro também ficou na vermelha 1, e dezembro desceu para a amarela, detalha a série.

Pela tabela, uma casa de 200 kWh pagou R$ 53,13 de bandeira de maio a setembro de 2025. Nos mesmos cinco meses de 2026, a mesma casa pagou R$ 18,85, antes dos impostos, mostra a conta mês a mês.

Em agosto e setembro de 2025, meses de vermelha patamar 2, as distribuidoras faturaram R$ 2,93 bilhões com bandeiras, registra a Aneel.

Quanto a bandeira amarela já custou em 2026

Cinco meses de bandeira amarela custaram, na conta de luz, R$ 14,14 numa casa de 150 kWh e R$ 18,85 numa de 200 kWh. Na de 300 kWh, foram R$ 28,28. É o valor mensal da tabela vezes cinco, antes dos impostos.

No país inteiro, o número é outro. As distribuidoras faturaram R$ 967,6 milhões com as bandeiras nas competências de maio a julho de 2026, mostra a base de dados abertos da Aneel. Quem informa esses valores são as próprias empresas.

Nos mesmos três meses de 2025, com uma amarela e duas vermelhas patamar 1, o faturamento passou de R$ 1,75 bilhão. A base, atualizada em 21 de setembro, ainda não registra agosto e setembro de 2026.

Como estão os reservatórios agora

Em 23 de setembro, o Sudeste/Centro-Oeste guardava 57,3% da capacidade de armazenar energia, segundo o ONS. O Sul estava com 83,2%, o Nordeste com 70,2% e o Norte com 74,8%.

Reservatórios por região em 23 de setembro de 2025 e de 2026, em % da capacidade.
Reservatórios por região em 23 de setembro de 2025 e de 2026, em % da capacidade. Foto: arte com dados do ONS (dados abertos)

Somadas as quatro regiões, os reservatórios estavam com 62,3% da capacidade. No mesmo 23 de setembro, em 2025, eram 56,9%, e o Sudeste/Centro-Oeste tinha 51,9%, o nível mais baixo das quatro, registra o operador.

Sul e Norte estão abaixo de 2025. O Sul tinha 91,2% e agora tem 83,2%, e o Norte passou de 83,4% para 74,8%. O Nordeste foi na direção contrária, de 55,4% para 70,2%, informa o ONS.

Por que o Sudeste pesa mais que as outras regiões

O Sudeste/Centro-Oeste concentra a maior parte da água que vira energia no país. Pela capacidade máxima que o ONS informa, a região guarda 204,6 mil dos 292,1 mil megawatts-mês do sistema, cerca de 70% do total.

Com esse peso, 1 ponto percentual do Sudeste/Centro-Oeste equivale a cerca de 2 mil megawatts-mês. É mais que 10 pontos do Norte, que somam cerca de 1,5 mil, mostra a base do operador.

O nível da região caiu ao longo da seca, conforme a série diária. Eram 66,1% em 30 de abril, 58% em 31 de agosto e 57,3% em 23 de setembro.

Choveu acima da média em setembro, e a queda do Sudeste perdeu força

De 1º a 23 de setembro, a água que chegou às usinas do Sudeste/Centro-Oeste ficou em 151% da média do mês, conforme o ONS. No Sul, passou de 260% da média.

Vertedouro da hidrelétrica de Itaipu, em foto de arquivo.
Vertedouro da hidrelétrica de Itaipu, em foto de arquivo. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O operador mede isso como energia natural afluente: a água que entra nos rios, convertida na energia que as usinas poderiam gerar com ela. No Norte e no Nordeste, o número ficou abaixo da média, em 54% e 68%, detalha o ONS.

O armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste ainda recuou, mas pouco: de 57,8% em 1º de setembro para 57,3% no dia 23, registra o operador. De 30 de abril a 31 de agosto, a queda tinha sido de 8,1 pontos, cerca de 2 por mês.

Na nota de 25 de setembro, a Aneel diz que o aumento das chuvas no Sul e no Sudeste “contribuiu para estabilizar o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas”.

Tarifa social: quem tem desconto na bandeira

Famílias da tarifa social têm desconto também na bandeira tarifária. A Aneel informa que às bandeiras se aplicam os mesmos descontos da tarifa social. Pela regra atual, esse desconto zera o consumo de até 80 kWh por mês.

A mudança veio da Medida Provisória 1.300, de maio de 2025, convertida na Lei 15.235 em 8 de outubro de 2025. Nas faturas emitidas desde 5 de julho de 2025, os primeiros 80 kWh saem de graça, detalha a Aneel. O que passar disso não tem desconto.

Têm direito as famílias do CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa, informa a página da tarifa social. Também entram idosos de 65 anos ou mais e pessoas com deficiência que recebem o BPC.

Entram ainda famílias do CadÚnico com renda de até 3 salários mínimos que tenham alguém tratado com aparelho elétrico de uso contínuo. Nesse caso, a família leva relatório e atestado médico à distribuidora, explica a agência.

O desconto é automático desde janeiro de 2022 para quem é titular da conta de luz, registra a Aneel. Vale para uma residência por família, e o CadÚnico precisa ter sido atualizado nos últimos 2 anos.

A conta de uma família da tarifa social que gasta 150 kWh

Uma família da tarifa social que gasta 150 kWh paga bandeira só sobre 70 kWh, a parte acima dos 80 gratuitos. Na bandeira amarela, são 70 × R$ 0,01885, ou R$ 1,32 no mês, contra R$ 2,83 de uma casa sem o benefício.

Na vermelha patamar 1, a mesma família pagaria R$ 3,12; no patamar 2, R$ 5,51. Com consumo de até 80 kWh, a fatura pode trazer só cobranças que não dependem da energia, como ICMS e iluminação pública, informa a Aneel.

Há ainda o Desconto Social, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, para famílias do CadÚnico com renda entre meio e um salário mínimo por pessoa. A Lei 15.235 isenta essas famílias das quotas da CDE, um encargo da conta, até 120 kWh por mês.

Quem paga a bandeira e quem fica de fora

Todo consumidor cativo das distribuidoras paga a bandeira tarifária, na proporção do que gasta e seja qual for a classe de consumo, informa a Aneel. Entram casas, comércio e indústria atendidos pela distribuidora local.

Ficam fora os consumidores de sistemas isolados, que não estão ligados à rede nacional, mesmo quando a distribuidora faz parte dela. Clientes de cooperativas de energia pagam desde julho de 2015, detalha a agência.

A bandeira também entra na cobrança mínima. Quem paga o custo de disponibilidade paga a bandeira sobre esse mínimo, explica a Aneel. Ele é de 30 kWh na ligação monofásica, 50 kWh na bifásica de três fios e 100 kWh na trifásica.

Como cortar kWh com a etiqueta do aparelho

O gasto de um aparelho sai da potência escrita na etiqueta. A conta: potência em watts, vezes as horas de uso, dividido por 1.000, dá o consumo em kWh.

Interruptor com aviso para apagar a luz, em foto de arquivo.
Interruptor com aviso para apagar a luz, em foto de arquivo. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Um chuveiro com 5.500 W na etiqueta, ligado 10 minutos por dia, gasta 27,5 kWh em 30 dias. A conta: 5.500 × (10 ÷ 60) × 30 ÷ 1.000. Cortar 5 minutos por dia tira 13,75 kWh do mês.

Só na bandeira, esses 13,75 kWh valem pouco: nada na verde de outubro, R$ 0,26 na amarela e R$ 1,08 na vermelha patamar 2, pelos valores da tabela. A tarifa em si responde pela maior parte da conta de energia, afirma a Aneel, e é nela que o corte pesa mais.

A tarifa por kWh muda de uma distribuidora para outra e vem impressa na fatura. Multiplicar os kWh economizados por esse valor mostra quanto cai a conta de luz antes da bandeira e dos impostos.

Onde conferir a cor e quando sai a de novembro

A distribuidora tem até dois dias úteis depois do anúncio para informar a bandeira em vigor no próprio site, detalha a Aneel. A regra comercial das bandeiras está na Resolução Normativa 1.000, de 2021.

A próxima decisão tem data: 30 de outubro, com a cor da conta de luz de novembro. Depois vêm 27 de novembro, para dezembro, e 23 de dezembro, para janeiro de 2027, conforme o calendário oficial da Aneel.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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