A bandeira amarela permanece na conta de luz pelo quinto mês seguido em setembro de 2026, enquanto o Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta reservatórios desiguais pelo país e a demanda de energia cresce mais rápido bem no limiar da primavera, que começa amanhã sob um El Niño classificado como muito forte
A primavera começa amanhã, terça-feira, 22 de setembro de 2026, às 21h05. Nesse mesmo instante, a bandeira amarela segue ativa na conta de luz desde maio, agora no quinto mês seguido, segundo a Aneel.
Segundo o ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico, os reservatórios do país devem terminar setembro bem desiguais entre as regiões. Um deles passa dos 90% de capacidade. Outro fecha o mês abaixo da metade.
Bandeira amarela chega ao quinto mês seguido e mantém a conta de luz mais cara
A Aneel informou a bandeira amarela para setembro de 2026 em 28 de agosto. É o mesmo patamar dos últimos meses, sem trégua para quem paga a conta de luz.
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A cobrança extra é de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, direto na fatura de quem mora no país, informa a Aneel. A bandeira amarela está ativa desde maio de 2026, quando o sinal subiu por causa de condições piores de geração de energia.
Desde então, a bandeira verde, que não cobra nada a mais, não voltou a ser acionada em nenhum mês. É a sequência mais longa de bandeira amarela seguida no ano, segundo o histórico que a própria Aneel divulga a cada mês.
Quanto custa cada bandeira tarifária, da verde à vermelha
A bandeira verde não cobra nenhum adicional na conta de luz, segundo a tabela oficial da Aneel. Já a bandeira amarela, em vigor agora, soma R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, todo mês, enquanto durar.
Acima dela vem a bandeira vermelha, dividida em dois patamares, mostra a mesma tabela. O primeiro cobra R$ 4,46 a cada 100 kWh, e o segundo sobe para R$ 7,87, mais de quatro vezes o valor da amarela atual.
Nenhum dos dois patamares da vermelha está em vigor neste momento. Mas o tamanho do salto entre as cores explica por que o anúncio mensal da Aneel pesa tanto no bolso de quem paga a conta de luz.
Reservatório do Sudeste/Centro-Oeste começa a primavera abaixo de 56%, aponta o ONS
O boletim do ONS de 14 de setembro informa que o reservatório do Sudeste/Centro-Oeste chega a 55,8% da capacidade ao fim do mês. É o subsistema mais apertado do país nesta primavera.
Essa região concentra a maior parte da população e do consumo de energia elétrica do Brasil. Um reservatório mais baixo ali pesa mais no sistema elétrico do que o mesmo aperto em outra área.
O Nordeste deve fechar setembro com 67,1% e o Norte com 73,5%, segundo a mesma projeção do ONS. Nenhum dos dois chega ao nível do Sul, mas também não repete o aperto do Sudeste/Centro-Oeste, a margem mais curta entre os quatro subsistemas.
Sul opera com reservatório quase cheio, mas a energia sobe mais rápido lá
O Sul é a exceção do país. Segundo o ONS, a região deve fechar setembro com 91,4% de energia armazenada, resultado de chuva muito acima da média nos últimos meses.
A energia natural afluente da região chega a 219% da média histórica do período, mostra o boletim do ONS. É quase o dobro do volume de água que normalmente alimenta as usinas do Sul nesta época do ano.
Mesmo com o reservatório cheio, o consumo de energia no Sul deve crescer 3,5% em setembro ante o mesmo mês de 2025, chegando a 13.434 MWmed, informa o ONS.
É o calor do fim da estação empurrando o uso de ar-condicionado e de equipamentos de refrigeração pela região inteira.
Demanda de energia deve crescer 4,9% em setembro, com o Nordeste na frente
A carga de energia de todo o Sistema Interligado Nacional, o SIN, deve fechar setembro com alta de 4,9% ante o mesmo mês de 2025, para 84.294 MWmed, mostra o boletim do ONS.
É o consumo de um país inteiro passando mais energia pelas linhas de transmissão de uma ponta a outra do território, num único mês de primavera.
O Nordeste lidera o crescimento, com alta de 10,7% na carga, para 14.886 MWmed. Atrás vêm o Norte, com 7,9%, o Sul, com 3,5%, e o Sudeste/Centro-Oeste, com a menor alta, de 3,0%, ainda segundo o ONS.
ONS avalia ligar usinas térmicas a partir de setembro
O ONS avalia acionar usinas térmicas e reservas de potência operativa a partir de setembro de 2026, segundo boletim sobre o período de setembro a fevereiro de 2027. O motivo é a combinação de mais consumo com menos água nos reservatórios.
A condição hidrológica desfavorável concentra-se no Norte, no Sudeste e no Centro-Oeste, segundo o ONS. Só o Sul mantém condição favorável, graças à chuva acima da média que já enche seus reservatórios nesta primavera.
O que o ONS projeta para os reservatórios até fevereiro de 2027
Para o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, o ONS informa que trabalha com afluências entre 80% e 111% da média histórica, uma faixa larga que mistura cenário bom e cenário ruim.
No caso otimista, o reservatório do Sudeste/Centro-Oeste fecha 13,2 pontos percentuais acima do nível de fevereiro de 2026. No pessimista, fecha 13,7 pontos percentuais abaixo, mostra o mesmo boletim do ONS.
Bandeira amarela pode virar outra cor: Aneel anuncia a de outubro nesta sexta
A Aneel informa que vai anunciar a bandeira tarifária de outubro de 2026 em 25 de setembro, quatro dias depois desta reportagem. Até lá, quem paga a conta de luz segue sob a bandeira amarela.
Se os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste continuarem apertados e a demanda de energia seguir subindo com o calor da primavera, a bandeira amarela tem espaço para se manter ou até piorar em outubro. Uma queda para a bandeira verde depende de melhora na geração.
Calor e El Niño ajudam a explicar por que a energia sobe agora
Por trás do aumento de consumo está o clima: o país atravessa um El Niño muito forte neste fim de 2026, o que costuma elevar a temperatura e o uso de energia em boa parte do território nacional.

O que muda na prática para quem paga a conta de luz
Na prática, uma casa que consome 300 kWh por mês paga R$ 5,66 a mais só por causa da bandeira amarela de setembro. O cálculo é desta redação: a reportagem parte do valor de R$ 1,885 a cada 100 kWh definido pela Aneel.
É dinheiro que cobre o custo mais alto de gerar energia nos momentos de aperto do sistema, quando usinas térmicas mais caras entram para completar o que falta nos reservatórios.
Esse valor pode subir se a bandeira vermelha for acionada, o que não acontece desde antes de maio de 2026. Por enquanto, o sinal amarelo é o meio-termo: mais caro que o normal, mas ainda longe do teto da tarifa.
Primavera começa amanhã e deve aprofundar o contraste entre as regiões do país
A estação muda oficialmente às 21h05 de amanhã, terça-feira, mas o efeito sobre a conta de luz e sobre os reservatórios já está em curso. O g1 mostra que a virada da estação tende a testar o sistema elétrico em várias frentes ao mesmo tempo.
Os números usados nesta reportagem vêm do boletim do ONS/Aneel, que juntos monitoram reservatório, demanda e preço da energia no país.
A próxima atualização da bandeira tarifária sai em 25 de setembro. O próximo boletim de reservatórios do ONS deve confirmar se o Sudeste/Centro-Oeste segue como o ponto mais apertado do sistema elétrico nacional.
