Massa de ar polar recua após provocar mínimas negativas e geadas no Sul, enquanto avanço de instabilidades e tempo firme no Sudeste evidenciam contraste térmico expressivo entre regiões brasileiras ao longo dos últimos dias.
A massa de ar polar que derrubou as temperaturas no Sul do Brasil e levou cidades de Santa Catarina a registrarem marcas negativas começou a perder força nesta quarta-feira (29), depois de provocar geada intensa e formar gelo em áreas da Serra Catarinense.
O episódio chamou atenção pela intensidade e pela abrangência, com registros simultâneos de frio extremo em diferentes municípios da região Sul.
O frio mais forte ficou concentrado entre a madrugada e o amanhecer de terça-feira (28), quando São Joaquim marcou -3,33°C, segundo registros atribuídos à Epagri/Ciram.
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Também houve temperaturas abaixo de zero em Urupema, Bom Jardim da Serra e Urubici, localidades conhecidas pela recorrência de frio intenso durante o inverno.
Frio perde intensidade ao longo da semana no Sul
A tendência observada pelos meteorologistas indica elevação gradual das temperaturas, com o núcleo mais frio da massa polar se deslocando para o oceano e deixando de influenciar diretamente o continente.
Com essa mudança na dinâmica atmosférica, o Sul ainda deve registrar madrugadas frias, porém sem repetir os extremos observados no início da semana.
Até sexta-feira (1º), o frio mais rigoroso tende a se concentrar nas primeiras horas do dia, especialmente em áreas de maior altitude do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Na maior parte da região, as mínimas passam a variar em patamares menos severos, situando-se entre 10°C e 15°C em diversas cidades.
Esse comportamento ocorre porque o avanço do ar polar perde intensidade sobre o continente, enquanto áreas de instabilidade começam a aumentar a nebulosidade.
Com mais nuvens, há menor perda de calor durante a noite, o que dificulta novas quedas acentuadas de temperatura, embora a sensação de frio ainda persista nas manhãs.
Geada intensa atinge cidades da Serra Catarinense
Na Serra Catarinense, a combinação entre céu aberto, ar seco e vento fraco favoreceu a formação de geada ampla e visível em diferentes pontos da região.
Em algumas localidades, moradores registraram gramados, veículos e superfícies completamente cobertos por gelo nas primeiras horas do dia.
Além de São Joaquim, municípios como Urupema, Bom Jardim da Serra e Urubici apareceram entre os pontos mais frios do país durante o episódio.
Essas cidades apresentam características geográficas que contribuem para esse cenário, como altitude elevada e maior exposição à atuação de massas de ar frio.
Apesar do impacto visual e dos registros extremos, o frio não deve manter a mesma intensidade nos próximos dias.
A previsão indica aquecimento gradual, sem transição brusca para calor, mas suficiente para afastar o risco de novas mínimas negativas na maioria das localidades.
Sudeste tem sol, menos chuva e temperaturas em elevação
Enquanto o Sul enfrentava o auge da onda polar, parte do Sudeste apresentou condições opostas, com predomínio de tempo mais aberto e estabilidade atmosférica.
Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais registraram presença de sol, variação de nuvens e temperaturas em leve elevação ao longo do período da tarde.
A possibilidade de chuva existe, principalmente no litoral paulista e fluminense, mas ocorre de forma isolada e sem volumes significativos.
No interior do Sudeste e em áreas do Centro-Oeste, a tendência é de redução das precipitações, com predomínio de tempo seco e menor cobertura de nuvens.
“As áreas do Centro-Oeste e do Sudeste passam a ter uma condição menos favorável à chuva. Não é uma chuva tão presente ou intensa quanto no Sul”, afirmou o meteorologista Cesar Soares.
Contraste térmico entre regiões chama atenção
O contraste entre o frio intenso no Sul e o calor relativo em áreas do Sudeste chamou atenção por ocorrer em um intervalo curto de tempo.
Enquanto cidades serranas registravam temperaturas negativas ao amanhecer, regiões mais ao norte apresentavam tardes com sensação térmica mais elevada.
Esse tipo de diferença térmica é comum em períodos de transição, quando massas de ar frio avançam pelo território nacional, mas perdem força antes de atingir todas as regiões com a mesma intensidade.
Ainda assim, a mudança brusca de condições climáticas exige atenção, especialmente em setores como agricultura, transporte e saúde pública.
No Sul, a recomendação é acompanhar atualizações meteorológicas, principalmente em áreas rurais mais vulneráveis aos efeitos da geada.
Em cidades serranas, o frio nas madrugadas ainda pode afetar plantações sensíveis, além de impactar animais e dificultar deslocamentos nas primeiras horas do dia.
Esse cenário reforça a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas, sobretudo em períodos marcados por variações rápidas e contrastes acentuados entre diferentes regiões do país.

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