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Arquiteto passou sete anos procurando um terreno impossível para morar, encontrou em uma antiga pedreira uma rocha glacial de 12 mil anos e construiu ao redor do bloco, transformando a formação natural no centro da casa onde vive com a mulher e os dois filhos

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 28/07/2026 às 17:15
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Rock’n’House, Saugerties, NY, USA
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Christian Wassmann encontrou uma rocha glacial de 12 mil anos em uma antiga pedreira e construiu ao redor dela uma casa sustentável de 280 m².

O arquiteto suíço Christian Wassmann e a mulher, Luisa Gui, passaram sete anos procurando um terreno no interior do estado de Nova York onde pudessem construir uma casa para a família. O casal tinha duas exigências incomuns: uma propriedade com vista ampla e uma grande rocha natural que pudesse participar diretamente do projeto arquitetônico.

A busca terminou quando eles receberam a indicação de uma área à venda em uma antiga pedreira nas montanhas Catskill. O terreno ficava no final de uma estrada de cascalho com aproximadamente 1,6 quilômetro e se abria para uma paisagem voltada ao Vale do Hudson.

No ponto mais alto da clareira, uma enorme rocha glacial permanecia equilibrada desde o fim da última Era do Gelo. Wassmann contou que telefonou para o corretor antes mesmo de sair do carro, porque a formação correspondia ao elemento natural que ele e a mulher procuravam.

Rocha glacial de 12 mil anos virou o centro da Rock’n’House

A formação encontrada no terreno é um bloco errático glacial, nome dado às rochas transportadas e depositadas pelo movimento das geleiras. A Architectural Digest apresenta a pedra como uma formação com aproximadamente 12 mil anos, deixada naquele ponto pelo recuo do gelo pré-histórico.

Em vez de retirar, cortar ou esconder o bloco, Wassmann decidiu construir ao redor dele. A residência recebeu o nome Rock’n’House, e a rocha passou a funcionar como centro físico, visual e geométrico de todo o projeto.

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O bloco ficou dentro de um pátio parcialmente envolvido pela casa, separado dos ambientes internos por grandes painéis curvos de vidro triplo. Sua presença pode ser observada da sala, da cozinha, dos corredores e de diferentes pontos da residência.

Paredes curvas acompanham o formato da rocha natural

Mesmo nos espaços sem visão direta para a pedra, as paredes curvas ou radiais apontam para o centro da formação.

A rocha não aparece apenas como elemento decorativo instalado depois da obra, mas como referência usada para organizar a planta da residência.

A posição dos cômodos, as circulações internas, o desenho do telhado e a orientação das estruturas de madeira foram determinados a partir do bloco natural. A casa parece contornar a pedra sem tentar dominá-la, preservando o ponto exato em que ela foi depositada pela geleira.

Da cozinha, uma janela circular enquadra a formação. Na área social, painéis de vidro curvo mantêm a pedra permanentemente visível e permitem que ela participe das mudanças de luz, chuva, neve e vegetação ao longo das estações.

Casa de 280 m² foi construída em uma antiga pedreira

A Rock’n’House foi concluída em 2023, na região de Saugerties, no estado de Nova York. Segundo a empresa de engenharia climática Transsolar, a residência possui aproximadamente 280 metros quadrados de área construída.

Christian Wassmann vive no local com Luisa Gui e os dois filhos, Kiki e Lorenzo. A propriedade foi concebida como residência familiar, observatório doméstico e estrutura de geração de energia, conectando a vida cotidiana à topografia das montanhas Catskill.

Antes de concluir o desenho, o arquiteto passou fins de semana no terreno, dormindo em um trailer Airstream. Ele estudou o relevo, observou o céu e mapeou a orientação da propriedade até retornar à ideia inicial de envolver a rocha com a casa.

Telhado solar transforma a residência em usina de energia

O telhado cônico é uma das estruturas mais marcantes da Rock’n’House. Sua inclinação e orientação foram calculadas para aproveitar a trajetória do Sol, enquanto o formato acompanha a organização radial dos ambientes ao redor da rocha.

Christian Wassmann encontrou uma rocha glacial de 12 mil anos em uma antiga pedreira e construiu ao redor dela uma casa sustentável de 280 m².
Casa ao redor de pedra

A cobertura possui 226 telhas fotovoltaicas e produz aproximadamente 18 mil kWh de eletricidade por ano. O consumo anual estimado da residência é de cerca de 8 mil kWh, deixando uma sobra próxima de 10 mil kWh.

A energia excedente pode alimentar um automóvel elétrico ou ser enviada para a rede. O sistema transforma a cobertura em uma pequena usina solar capaz de gerar mais que o dobro da eletricidade necessária para o funcionamento da casa.

Rock’n’House foi projetada para produzir mais do que consome

O Studio Christian Wassmann descreve a residência como uma casa climaticamente positiva, capaz de produzir, durante sua vida útil, mais energia do que será consumida pelo edifício.

O arquiteto projetou a construção para permanecer em uso por pelo menos um século e afirmou que sua ambição estrutural alcança até 300 anos. A longa duração esperada também influencia a escolha dos materiais, a eficiência energética e a forma como a casa se adapta ao terreno.

A produção solar, o isolamento térmico, a climatização geotérmica e o aproveitamento da água foram integrados desde o início. A sustentabilidade não aparece como equipamento acrescentado ao final, mas como parte da própria arquitetura.

Telhado cônico recolhe água para um lago de natação

A cobertura também funciona como sistema de captação de água da chuva. Seu formato conduz o volume recebido em direção ao centro do projeto, perto da rocha glacial.

Tubulações encaminham a água por baixo da laje e pela encosta até um lago de natação planejado para a parte inferior da propriedade. O sistema reúne telhado, pátio, drenagem e paisagem em um mesmo percurso.

A residência também utiliza água obtida em profundidade. O projeto oficial informa que a água potável e o fluido empregado na climatização geotérmica vêm do subsolo, ampliando a integração entre a construção e os recursos naturais do terreno.

Poços geotérmicos aquecem e resfriam a casa

A estratégia climática da Rock’n’House começa por uma estrutura bem isolada, vidros triplos e cortinas externas que controlam a incidência solar. No inverno, a residência aproveita ganhos passivos de calor; no verão, o sombreamento ajuda a limitar o superaquecimento.

Dois poços geotérmicos de circuito fechado, cada um com aproximadamente 91 metros de profundidade, estão conectados a uma bomba de calor. O sistema fornece aquecimento e resfriamento por circulação de ar e pisos radiantes.

Um equipamento de recuperação de energia renova o ar durante as estações mais extremas. Na primavera e no outono, a posição das janelas favorece a ventilação cruzada natural, reduzindo a necessidade de climatização mecânica.

Sala rebaixada expõe a pedra original da montanha

Na sala principal, Wassmann criou uma área de convivência rebaixada que alcança a camada de bluestone existente sob a construção. Durante a escavação, a equipe desceu aproximadamente 1,8 metro e encontrou uma superfície marcada pelo movimento das antigas geleiras.

Rock'n'House, Saugerties, NY, USA
Rock’n’House, Saugerties, NY, USA

Em vez de cobrir completamente a pedra, o projeto deixou parte do leito rochoso exposto dentro da residência. A formação natural reaparece como piso no ponto mais baixo da área social.

Tubulações radiantes instaladas nas paredes podem resfriar o ambiente no verão. Em períodos de chuva intensa, pequenas quantidades de água atravessam fissuras da pedra e formam temporariamente uma superfície refletora sobre a rocha.

Madeira certificada sustenta o telhado curvo

A estrutura foi construída com madeira proveniente de florestas certificadas. Vigas, pilares e painéis de madeira laminada cruzada foram pré-fabricados e posicionados radialmente em direção ao centro da rocha.

A cobertura curva e projetada para fora é sustentada por apenas quatro pilares. A engenharia estrutural utilizou modelagem tridimensional para calcular as forças geradas pelo telhado, pelos grandes painéis de vidro e pela geometria organizada ao redor do bloco.

Nas áreas internas, as paredes curvas receberam reboco de argila natural respirável. O material possui conteúdo mineral que reage à iluminação e reforça a ligação visual entre madeira, pedra, solo e luz solar.

Escadaria da Rock’n’House aponta para a Estrela Polar

A geometria da residência também foi definida pela posição dos corpos celestes. A escada acompanha a latitude aproximada de 42 graus da propriedade e segue paralela ao eixo norte-sul da Terra.

Seu corrimão oco funciona como dispositivo de observação a olho nu. Ao olhar pelo tubo, o morador consegue localizar Polaris, a Estrela Polar, utilizada há séculos como referência de orientação no Hemisfério Norte.

Wassmann alinhou a rocha, a casa e o corrimão com instrumentos de medição. Um elemento comum da circulação interna foi transformado em pequeno observatório, conectando o deslocamento entre os pavimentos à posição da estrela no céu.

Construção durante a pandemia exigiu trabalho artesanal

A execução da Rock’n’House coincidiu com as dificuldades da pandemia. Wassmann participou diretamente de várias etapas ao lado de carpinteiros locais, engenheiros, especialistas suíços e amigos.

O arquiteto ajudou a montar os componentes pré-fabricados de madeira, concretar os pisos, polir as superfícies e instalar as telhas fotovoltaicas. Também trabalhou na colocação das grandes paredes de vidro que cercam o pátio central.

A instalação do vidro curvo entre a residência e a rocha foi uma das operações mais delicadas. Wassmann recorreu a vídeos técnicos, alugou um guindaste e reuniu colaboradores para encaixar os painéis sem danificar a pedra nem a estrutura.

Rocha de 12 mil anos virou parte da vida familiar

As aberturas da residência revelam o Vale do Hudson, as montanhas Berkshires e a Overlook Mountain, mas a principal paisagem permanece no centro do projeto: a grande rocha glacial preservada no ponto mais alto da antiga pedreira.

A construção não tenta imitar nem esconder a formação. Ela se curva ao redor do bloco e mantém aberta a relação entre pedra, céu, madeira, água e vegetação.

Depois de sete anos procurando um terreno, Christian Wassmann encontrou a formação que definiu toda a casa. A rocha de 12 mil anos permaneceu exatamente onde estava, mas passou a organizar uma residência familiar de 280 metros quadrados que produz mais que o dobro da energia elétrica que consome.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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