Escavações no Palazzo de Villa Adriana revelaram uma câmara subterrânea anterior à residência imperial, com cerâmicas, terracotas decoradas e indícios de uso como silo ou depósito, enquanto fileiras densas de vasos mostram como o jardim era renovado a cada estação.
Arqueólogos da Universidade Pablo de Olavide localizaram uma câmara subterrânea em Villa Adriana, na área do Palazzo, em Tívoli, perto de Roma. O achado pertence à época republicana e pode anteceder a monumental residência erguida pelo imperador Adriano no século II.
Segundo o Diário da Universidade Pablo de Olavide, a campanha ocorreu entre abril e maio e foi conduzida em coordenação com o Istituto di Villa Adriana e Villa d’Este. A equipe trabalha de forma contínua no sítio desde 2003.
Câmara abandonada ainda na República pode guardar a fase mais antiga do sítio
A estrutura hipogeia foi encontrada em um dos peristilos do Palazzo, uma das áreas residenciais mais importantes do complexo. Esse setor foi construído sobre uma villa republicana anterior, parcialmente reaproveitada quando a residência imperial ganhou forma.
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Os pesquisadores consideram que o espaço subterrâneo pode ter funcionado como silo ou depósito. Ele foi abandonado e parcialmente preenchido ainda no período republicano, possivelmente em uma etapa antiga, com restos de construção e materiais cerâmicos.
Dentro da câmara apareceram peças de cerâmica e um conjunto de terracotas arquitetônicas decoradas com representações de animais. Até a conclusão dos estudos desses materiais, a equipe mantém a formulação cautelosa: o achado pode ser o testemunho arquitetônico mais antigo já documentado em Villa Adriana.

Escavação liga a residência de Adriano a uma ocupação anterior
A descoberta muda a leitura de uma área conhecida sobretudo pela escala e pela sofisticação da obra imperial. A câmara se relaciona a uma villa que existia antes do retiro de Adriano e abre uma janela para a ocupação do terreno durante a República Romana.
A UNESCO informa que Villa Adriana foi construída como retiro entre 117 e 138 e reúne cerca de 30 edifícios distribuídos por 120 hectares nas colinas de Tívoli. O conjunto combinou referências arquitetônicas da Grécia, de Roma e do Egito em uma espécie de cidade ideal.
O sítio entrou na Lista do Patrimônio Mundial em 1999. A presença de galerias, passagens subterrâneas, jardins, piscinas e edifícios residenciais ajuda a explicar por que uma estrutura mais antiga sob o Palazzo pode ampliar de forma importante a cronologia conhecida do lugar.
Fileiras densas de vasos revelam um jardim renovado conforme a floração
A campanha também avançou sobre os jardins de Villa Adriana. No peristilo, os arqueólogos confirmaram um canteiro perimetral formado por fileiras contínuas de vasos colocados muito próximos uns dos outros ao redor do pátio.
O arranjo permitia substituir plantas quando o período de floração terminava. Novos vasos com espécies floridas podiam entrar no lugar dos anteriores, mantendo a aparência do jardim ao longo das estações.
Também foram identificados espaços próprios para árvores e arbustos. A disposição ordenada mostra que a vegetação não ocupava o pátio ao acaso: fazia parte de um desenho planejado para dialogar com a arquitetura monumental ao redor.

Vasos intactos e terracotas ajudam a reconstruir a vida no Palazzo
Campanhas anteriores já haviam encontrado vasos cerâmicos intactos no mesmo setor. A nova escavação acrescenta a câmara hipogeia e materiais republicanos a esse conjunto, aproximando duas camadas diferentes da história local.
A arqueologia romana aparece aqui não apenas nas paredes monumentais, mas em objetos de uso, recipientes, restos de construção e soluções de jardinagem. São vestígios que permitem estudar tanto o período anterior à residência imperial quanto a rotina de manutenção de seus espaços verdes.
Participaram da campanha professores, pesquisadores e estudantes da Universidade Pablo de Olavide, do Institute of Classical Studies da Universidade de Londres, da Universidade Nacional de Educação a Distância, das universidades de Córdoba e Murcia e da Universidade Roma Tre.
Estudos dos materiais ainda precisam confirmar a antiguidade da construção
A classificação como construção mais antiga documentada no complexo ainda depende da análise final dos materiais recuperados. Por isso, os responsáveis evitam transformar a hipótese arqueológica em conclusão definitiva.
Mesmo com essa cautela, a combinação entre uma câmara republicana, terracotas decoradas, cerâmicas e um jardim planejado oferece novas pistas sobre a longa ocupação da área. O achado permite olhar para além do projeto de Adriano e investigar o que já existia ali antes da residência imperial.
Você acredita que novas escavações podem revelar etapas ainda mais antigas de Villa Adriana? Comente sua opinião e compartilhe esta descoberta com quem acompanha história e arqueologia.
