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Após barrar frango brasileiro por causa de doença em Santa Catarina, México volta atrás e preserva mercado estimado em 25 mil toneladas e US$ 70 milhões por mês

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 02/11/2026 às 16:18 Atualizado em 02/11/2026 às 16:19
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Veículos da defesa agropecuária e faixa da Cidasc na área monitorada por causa da doença de Newcastle em Santa Catarina
Equipes da Cidasc atuam na região dos focos da doença de Newcastle no Oeste de Santa Catarina. Foto: Ascom/Cidasc.
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O México voltou a comprar frango de estados brasileiros habilitados após limitar a Santa Catarina o embargo provocado pela doença de Newcastle. A mudança preserva um mercado estimado em 25 mil toneladas e US$ 70 milhões mensais.

Uma decisão do México devolveu aos frigoríficos brasileiros o acesso a um mercado estimado em US$ 70 milhões por mês. Em 30 de outubro de 2026, o país mudou as restrições sanitárias adotadas após a identificação da doença de Newcastle em Santa Catarina. A proibição, que havia alcançado todo o território brasileiro, passou a atingir somente o estado catarinense. As demais regiões habilitadas recuperaram a possibilidade de exportar produtos avícolas para o mercado mexicano.

A reviravolta ocorreu menos de duas semanas após a confirmação do primeiro foco da doença em uma granja comercial de perus no Oeste de Santa Catarina. Segundo estimativas do setor divulgadas pela CNN Brasil, o México representa um mercado de aproximadamente 25 mil toneladas de carne de frango e US$ 70 milhões em receita por mês. O valor mostra a dimensão do comércio que a decisão ajuda a preservar; as vendas efetivas dependem dos contratos, das condições sanitárias e dos embarques.

De uma suspensão para todo o Brasil a uma restrição concentrada em Santa Catarina

O México havia suspendido importações brasileiras de aves e produtos avícolas após a confirmação da doença em Nova Itaberaba, no dia 18 de outubro. A decisão inicial atingiu exportadores de diferentes regiões, embora a ocorrência sanitária estivesse concentrada no Oeste catarinense. Para empresas habilitadas em outros estados, o bloqueio alcançou uma rota comercial importante.

O quadro mudou quando as autoridades mexicanas reconheceram a regionalização sanitária negociada pelo Brasil. Na nota oficial de 30 de outubro, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que o embargo passou a ficar limitado a Santa Catarina, preservando as exportações provenientes das demais unidades da Federação que já cumprem os requisitos de habilitação.

A mudança foi negociada pelo Mapa e pelo Ministério das Relações Exteriores, com participação de representantes do setor produtivo e das autoridades mexicanas. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que o entendimento utiliza regras sanitárias capazes de distinguir a área afetada das origens consideradas aptas a vender. Para frigoríficos habilitados fora de Santa Catarina, a decisão restabelece uma opção de destino para a produção.

O mercado mexicano representa cerca de 25 mil toneladas de frango por mês

A dimensão econômica explica a atenção dedicada ao México. A estimativa setorial citada pela CNN Agro em 30 de outubro coloca o fluxo comercial em torno de 25 mil toneladas e US$ 70 milhões mensais. Para empresas que trabalham com produção contínua, armazenagem refrigerada e contratos internacionais, manter um comprador importante ajuda a organizar as escalas das fábricas e os embarques.

Os dados anteriores mostram o peso desse destino. Segundo o relatório anual da ABPA, o México comprou 244.391 toneladas de carne de frango brasileira em 2025, aproximadamente 15% acima do volume de 2024. O país está entre os principais compradores nas Américas, ao lado de Chile, Cuba, Peru e Argentina.

O Brasil chegou ao episódio com exportações de frango em expansão. Dados setoriais publicados no balanço de setembro indicaram 4,421 milhões de toneladas vendidas ao exterior de janeiro a setembro de 2026, com receita de US$ 8,673 bilhões. A manutenção de mercados internacionais tem peso para uma cadeia que reúne criadores integrados, frigoríficos, transporte, embalagens e operações portuárias.

Três focos em Santa Catarina provocaram uma mobilização com dezenas de equipes

A emergência começou em Nova Itaberaba, em 18 de outubro, quando foi confirmado o vírus da doença de Newcastle em uma granja de perus de corte. Na sequência, o serviço veterinário identificou outros focos em Coronel Freitas, no dia 24, e Nova Erechim, no dia 26. Os três estabelecimentos estavam dentro da área de vigilância intensificada, conforme as informações da defesa agropecuária.

A resposta envolveu interdição das granjas, retirada sanitária das aves, limpeza, desinfecção e controle do trânsito em propriedades rurais. A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) informou em 31 de outubro que os três focos comerciais já haviam passado pelos procedimentos de despovoamento, limpeza e desinfecção.

Naquela atualização, os agentes de vigilância já tinham inspecionado todos os estabelecimentos comerciais do terceiro raio de monitoramento, e 70 estabelecimentos apresentaram resultados laboratoriais negativos nas amostras processadas. Mais de 80 profissionais continuavam em campo, com quatro barreiras sanitárias ativas para controlar a circulação de veículos e materiais. O trabalho avançava também sobre pequenas propriedades e criações de subsistência.

Profissional da Cidasc recebe material para exames laboratoriais de Newcastle em Nova Itaberaba, Santa Catarina
Recebimento de amostras no laboratório de apoio à vigilância contra Newcastle, em Nova Itaberaba. Foto: Kelly Magri/Cidasc.

Relatórios sanitários, resultados laboratoriais e medidas de contenção fornecem aos compradores os elementos necessários para definir o alcance das restrições. O reconhecimento mexicano veio enquanto a defesa agropecuária continuava a vigilância no Oeste de Santa Catarina.

Por que a doença encontrada em perus interfere na exportação de frango

A doença de Newcastle é causada por um vírus capaz de atingir várias espécies de aves domésticas e silvestres. Sua circulação exige resposta rápida em estabelecimentos de criação comercial, porque a enfermidade pode provocar perdas na produção. Por isso, certificados exigidos no comércio internacional incluem critérios de vigilância e controle sanitário para diferentes produtos avícolas.

O primeiro foco catarinense foi confirmado por análise laboratorial em 18 de outubro, depois de investigação do serviço veterinário oficial. A identificação acionou protocolos destinados a proteger propriedades próximas, a produção de aves e os compromissos comerciais com outros países.

O Mapa e a Cidasc ressaltam que carne de aves e ovos submetidos à inspeção sanitária oficial continuam seguros para consumo. As medidas emergenciais se concentram na circulação do vírus entre aves. Para os criadores, os cuidados incluem restringir a entrada de pessoas e veículos nas granjas, monitorar as aves e comunicar alterações de saúde ao serviço veterinário.

Uma regra internacional preservou frigoríficos de outros estados

Regionalização sanitária é o reconhecimento de que uma ocorrência de doença pode exigir restrições a uma área delimitada, enquanto outras regiões continuam aptas a comerciar produtos dentro das exigências dos compradores. Para funcionar, essa divisão depende de vigilância, comprovação sanitária e reconhecimento pelo país importador.

Equipe de defesa agropecuária organiza informações de campo no centro de operações da emergência de Newcastle em Santa Catarina
Equipes organizam as ações de resposta à doença de Newcastle no centro de operações em Santa Catarina. Foto: divulgação/Cidasc.

O mecanismo aparece nas orientações da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). No caso mexicano, a aplicação permitiu manter a restrição a Santa Catarina e preservar o comércio das origens brasileiras habilitadas fora do estado.

O resultado comercial vai além do México. Um levantamento do Mapa divulgado em 28 de outubro calculou que negociações de regionalização com diversos parceiros ajudaram a evitar perdas potenciais da ordem de US$ 954 milhões ao ano, em comparação com um cenário de suspensão integral das compras. A projeção reúne vários mercados e foi calculada a partir das exportações brasileiras de 2025.

O Porto de Paranaguá mostra a força da rota internacional do frango

Para entender o tamanho da logística envolvida, basta observar um corredor de exportação brasileiro. Segundo a administração dos Portos do Paraná, Paranaguá embarcou 1,87 milhão de toneladas de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026, respondendo por 47% das exportações brasileiras do produto por via marítima naquele período.

Contêineres refrigerados, câmaras de armazenagem, caminhões e terminais portuários fazem parte dessa cadeia. A regularidade das vendas externas ajuda a sustentar operações dependentes de planejamento e prazos rigorosos para movimentar alimentos perecíveis. O Paraná está entre as maiores bases da avicultura brasileira e utiliza essa infraestrutura para alcançar diferentes mercados.

Os números de Paranaguá abrangem embarques para diversos países. A decisão mexicana preserva uma das oportunidades de comercialização para plantas habilitadas de regiões fora do foco, conforme os certificados e as regras sanitárias estabelecidas entre os governos.

O que a retomada significa para produtores e para quem compra frango no Brasil

As exportações fazem parte da formação do mercado brasileiro de carne de frango. Quando um comprador externo altera pedidos, frigoríficos podem ajustar a distribuição da produção entre mercados internos e externos. Ração, oferta de aves, transporte, consumo e contratos também entram na formação dos preços.

A retomada das compras mexicanas preserva uma saída relevante para a indústria avícola e reduz a incerteza para empresas de outras regiões. O valor pago pelo consumidor brasileiro segue condicionado ao conjunto da oferta e da demanda, incluindo milho, farelo de soja, energia e transporte. Uma mudança de regra comercial pode afetar as decisões dos frigoríficos, mas seu impacto específico nas prateleiras depende da evolução das operações.

Para as famílias, as autoridades sanitárias confirmam a segurança dos produtos avícolas submetidos à inspeção oficial. No comércio exterior, frigoríficos habilitados fora da área afetada recuperam a possibilidade de atender o mercado mexicano, respeitando as condições acordadas.

Santa Catarina continua sob vigilância enquanto os demais estados recuperam o mercado

O estado catarinense segue sujeito às restrições mexicanas durante os protocolos de acompanhamento e controle da doença. A Cidasc informou no fim de outubro que suas equipes concluíram a desinfecção dos três focos e avançaram nas visitas às propriedades da região. As análises laboratoriais e a vigilância sanitária continuam importantes para novas etapas de normalização comercial.

Para os demais estados brasileiros habilitados, a decisão de 30 de outubro restabeleceu uma rota de exportação que movimenta dezenas de milhões de dólares mensais em estimativas setoriais. O México voltou a aceitar produtos avícolas de origens brasileiras autorizadas, enquanto a defesa agropecuária mantém o controle na área afetada. Uma mudança comercial com efeitos que chegam aos produtores, às indústrias e aos portos envolvidos no abastecimento internacional de alimentos.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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