Com o menor rebanho bovino em décadas, os Estados Unidos enfrentam preços recordes da carne, enquanto Trump amplia importações para conter a inflação, enfrenta críticas dos pecuaristas e vê o tema dominar debates eleitorais
O preço da carne bovina virou um problema para consumidores e produtores nos Estados Unidos. Com o menor rebanho em décadas, custos elevados e dificuldades para recuperar a produção, o alimento ganhou espaço no debate político das eleições de meio de mandato.
Carne moída fica 22% mais cara e pesa no bolso dos americanos
A carne bovina, um dos alimentos mais tradicionais dos Estados Unidos, está cada vez mais cara. Em setembro de 2026, o preço médio da carne moída chegou a US$ 6,79 por libra, equivalente a aproximadamente 454 gramas.
Segundo os dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (BLS) apresentados no material-base, o aumento foi de 7,4% em relação a setembro de 2025.
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Em janeiro de 2025, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato, a mesma quantidade custava US$ 5,55. A diferença representa uma alta acumulada de aproximadamente 22,3%.
O encarecimento passou a ocupar espaço nas discussões eleitorais, principalmente porque envolve um produto bastante consumido pelas famílias americanas.

Menor rebanho bovino em décadas ajuda a explicar os preços
A origem do problema está nas fazendas. Sucessivos períodos de estiagem, combinados com os custos elevados dos grãos e da alimentação animal, levaram produtores a diminuir seus plantéis.
Alguns pecuaristas também deixaram a atividade. O resultado foi uma redução significativa do número de bovinos disponíveis no país.
De acordo com os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mencionados no material-base, o rebanho retornou a níveis comparáveis aos registrados na década de 1950.
Mesmo com animais mais pesados e produtivos, a redução do plantel dificulta a ampliação da oferta doméstica.
A recuperação também não acontece rapidamente. A criação de bovinos exige tempo para reprodução, crescimento e engorda, o que impede uma resposta imediata dos produtores aos preços elevados.

Trump amplia importação de carne bovina e enfrenta críticas dos pecuaristas
Para tentar reduzir os preços, o governo Trump anunciou, em agosto de 2026, uma cota adicional de importação de 300 mil toneladas de aparas magras de carne bovina.
A medida, válida de setembro a novembro, permite importar até 100 mil toneladas por mês com tarifa reduzida. O produto é utilizado principalmente na fabricação de carne moída.
O Brasil está entre os países que podem aproveitar a medida. Segundo o Ministério da Agricultura brasileiro, a tarifa dentro da nova cota é de US$ 44 por tonelada, em vez da alíquota de 26,4%.
A decisão provocou críticas entre pecuaristas americanos. Representantes do setor argumentam que ampliar a concorrência com carne estrangeira não resolve a necessidade de recuperar o rebanho nacional.
Alta da carne entra na campanha eleitoral nos Estados Unidos
A discussão chegou às eleições de meio de mandato. No Mississippi, o democrata Scott Colom utilizou uma declaração da senadora republicana Cindy Hyde-Smith sobre a possibilidade de consumidores escolherem outras proteínas.
Em uma peça de campanha divulgada em outubro, Colom apresentou consumidores reagindo à fala da senadora. O vídeo relaciona o preço da carne à disputa por uma vaga no Senado.
Enquanto isso, a recomposição do rebanho continua sendo um desafio. Em julho de 2026, o USDA contabilizou 94,2 milhões de bovinos nos Estados Unidos, incluindo 28,5 milhões de vacas destinadas à produção de carne.
Esse último grupo apresentou redução de 1% em relação ao ano anterior.
A ampliação das importações é temporária, enquanto a recuperação da produção doméstica depende de um ciclo pecuário mais longo. Assim, o abastecimento e os preços continuam entre as preocupações do setor e do governo americano.
Matéria elaborada com base em dados e informações divulgados neste artigo da CNN.
