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Carne bovina dispara mais de 22% nos EUA, rebanho cai ao menor nível em décadas e crise no preço do alimento vira arma eleitoral contra Trump

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 02/11/2026 às 15:32 Atualizado em 02/11/2026 às 16:14
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Com carne bovina 22% mais cara e menor rebanho desde a década de 1950, Trump amplia importações e enfrenta críticas de pecuaristas em plena disputa eleitoral
Imagem: Divulgação / ABIEC
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Com o menor rebanho bovino em décadas, os Estados Unidos enfrentam preços recordes da carne, enquanto Trump amplia importações para conter a inflação, enfrenta críticas dos pecuaristas e vê o tema dominar debates eleitorais

O preço da carne bovina virou um problema para consumidores e produtores nos Estados Unidos. Com o menor rebanho em décadas, custos elevados e dificuldades para recuperar a produção, o alimento ganhou espaço no debate político das eleições de meio de mandato.

Carne moída fica 22% mais cara e pesa no bolso dos americanos

A carne bovina, um dos alimentos mais tradicionais dos Estados Unidos, está cada vez mais cara. Em setembro de 2026, o preço médio da carne moída chegou a US$ 6,79 por libra, equivalente a aproximadamente 454 gramas.

Segundo os dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos (BLS) apresentados no material-base, o aumento foi de 7,4% em relação a setembro de 2025.

Em janeiro de 2025, quando Donald Trump iniciou seu segundo mandato, a mesma quantidade custava US$ 5,55. A diferença representa uma alta acumulada de aproximadamente 22,3%.

O encarecimento passou a ocupar espaço nas discussões eleitorais, principalmente porque envolve um produto bastante consumido pelas famílias americanas.

Com carne bovina 22% mais cara e menor rebanho desde a década de 1950, Trump amplia importações e enfrenta críticas de pecuaristas em plena disputa eleitoral
Imagem: Reprodução / Youtube

Menor rebanho bovino em décadas ajuda a explicar os preços

A origem do problema está nas fazendas. Sucessivos períodos de estiagem, combinados com os custos elevados dos grãos e da alimentação animal, levaram produtores a diminuir seus plantéis.

Alguns pecuaristas também deixaram a atividade. O resultado foi uma redução significativa do número de bovinos disponíveis no país.

De acordo com os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mencionados no material-base, o rebanho retornou a níveis comparáveis aos registrados na década de 1950.

Mesmo com animais mais pesados e produtivos, a redução do plantel dificulta a ampliação da oferta doméstica.

A recuperação também não acontece rapidamente. A criação de bovinos exige tempo para reprodução, crescimento e engorda, o que impede uma resposta imediata dos produtores aos preços elevados.

Com carne bovina 22% mais cara e menor rebanho desde a década de 1950, Trump amplia importações e enfrenta críticas de pecuaristas em plena disputa eleitoral
Foto: tommao wang/Unsplash

Trump amplia importação de carne bovina e enfrenta críticas dos pecuaristas

Para tentar reduzir os preços, o governo Trump anunciou, em agosto de 2026, uma cota adicional de importação de 300 mil toneladas de aparas magras de carne bovina.

A medida, válida de setembro a novembro, permite importar até 100 mil toneladas por mês com tarifa reduzida. O produto é utilizado principalmente na fabricação de carne moída.

O Brasil está entre os países que podem aproveitar a medida. Segundo o Ministério da Agricultura brasileiro, a tarifa dentro da nova cota é de US$ 44 por tonelada, em vez da alíquota de 26,4%.

A decisão provocou críticas entre pecuaristas americanos. Representantes do setor argumentam que ampliar a concorrência com carne estrangeira não resolve a necessidade de recuperar o rebanho nacional.

Alta da carne entra na campanha eleitoral nos Estados Unidos

A discussão chegou às eleições de meio de mandato. No Mississippi, o democrata Scott Colom utilizou uma declaração da senadora republicana Cindy Hyde-Smith sobre a possibilidade de consumidores escolherem outras proteínas.

Em uma peça de campanha divulgada em outubro, Colom apresentou consumidores reagindo à fala da senadora. O vídeo relaciona o preço da carne à disputa por uma vaga no Senado.

Enquanto isso, a recomposição do rebanho continua sendo um desafio. Em julho de 2026, o USDA contabilizou 94,2 milhões de bovinos nos Estados Unidos, incluindo 28,5 milhões de vacas destinadas à produção de carne.

Esse último grupo apresentou redução de 1% em relação ao ano anterior.

A ampliação das importações é temporária, enquanto a recuperação da produção doméstica depende de um ciclo pecuário mais longo. Assim, o abastecimento e os preços continuam entre as preocupações do setor e do governo americano.

Matéria elaborada com base em dados e informações divulgados neste artigo da CNN.

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Romário Pereira de Carvalho

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