Em entrevista publicada no Natal de 2025, Cadi Williams, então com 9 anos, abriu mais um dos pacotes deixados pelo antigo vizinho em Barry, no País de Gales, e mostrou que a sequência iniciada após a morte dele ainda seguia sem antecipar o conteúdo dos embrulhos.
A família Williams transformou o saco de presentes entregue pela filha de Ken Watson em um ritual anual: escolher um pacote, abri-lo no Natal e usar aquele momento para contar a Cadi quem era o vizinho que havia pensado no futuro dela antes de morrer.
Sete anos depois do início da tradição, a menina ainda recebia uma das lembranças deixadas por Ken. A atualização apareceu em uma entrevista da NPR reproduzida pela VPM, na qual Cadi participou ao lado do pai, Owen Williams, e abriu mais uma embalagem.
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O presente daquele Natal era um livro de Alexander McCall Smith. O conteúdo permanecera desconhecido pela família até a retirada do papel, repetindo uma característica do ritual: Ken não havia deixado instruções que indicassem uma ordem para a abertura dos pacotes.
Cadi já havia encontrado objetos diferentes nos anos anteriores. Entre eles estavam outros livros e um chaveiro com a figura de um cachorro da raça pug, exemplos de como os presentes não formavam uma coleção única nem davam aos pais pistas suficientes sobre qual embalagem escolher primeiro.
Os 14 presentes apareceram depois da morte de Ken
A história começou em Barry, quando Cadi ainda tinha 2 anos e Ken, aos 87, morava ao lado da família. O aposentado havia criado um vínculo próximo com a criança e dizia que pretendia chegar aos 100 anos, o que lhe permitiria acompanhar pessoalmente boa parte do crescimento da menina.

A morte interrompeu essa possibilidade. Depois dela, a filha de Ken foi até a casa de Owen e Caroline Williams carregando um grande saco com objetos que o pai havia comprado, embrulhado e separado para Cadi.
Owen começou a retirar os pacotes e percebeu que havia muito mais do que uma lembrança deixada para a criança. A ITV News informou em 2018 que eram 14 presentes destinados aos Natais seguintes, em uma sequência planejada para acompanhar Cadi até os 16 anos.
Nenhuma das embalagens indicava a idade para a qual o conteúdo havia sido escolhido. Essa ausência de orientação colocou os pais diante da possibilidade de guardar durante anos algum objeto que fosse mais apropriado para uma fase anterior da infância.
A família preferiu não abrir tudo para reorganizar os presentes. Os pacotes permaneceram fechados, e a escolha de apenas um deles por Natal passou a preservar a incerteza originalmente deixada por Ken.
Em 2018, um dos primeiros embrulhos abertos revelou um livro infantil. A partir dali, os demais foram mantidos juntos para os anos seguintes, sem que Owen e Caroline soubessem previamente se encontrariam outro livro, um brinquedo ou algum objeto diferente.
A falta de uma ordem definida acabou se tornando parte da própria tradição. Em vez de preparar previamente o presente correspondente à idade de Cadi, a família continuou escolhendo uma das embalagens disponíveis e descobrindo o conteúdo apenas no momento da abertura.
Presentes também ajudam Cadi a conhecer o antigo vizinho
A diferença de idade entre Ken e Cadi fez com que a menina tivesse pouco tempo para acumular lembranças próprias da convivência. Quando cresceu, os pacotes passaram a oferecer aos pais uma oportunidade recorrente para explicar quem havia sido o vizinho e como aquela relação começara.

Owen descreveu Ken à NPR como um homem que teve uma trajetória profissional variada. Ao longo da vida, ele trabalhou como mergulhador da Marinha e de salvamento, padeiro, carpinteiro, metalúrgico e professor, além de manter interesse por diferentes atividades mesmo em idade avançada.
Para Cadi, essas informações passaram a acompanhar a abertura dos presentes. A cada Natal, o objeto encontrado também permitia que a família retomasse episódios sobre alguém de quem ela tinha poucas recordações diretas, mas cuja presença continuava associada à celebração.
O livro aberto na entrevista de 2025 mostrou como o mecanismo continuava funcionando sete anos depois da entrega do saco. Pai e filha começaram sem saber o que havia dentro da embalagem e descobriram juntos mais uma escolha feita por Ken antes de morrer.
A abertura anual não depende do valor ou do tipo de presente, mas da decisão dos Williams de manter os demais embrulhos intactos. Isso impediu que a sequência fosse antecipada mesmo diante da dúvida sobre a adequação de cada item à idade que Cadi teria quando o recebesse.
O gesto também ganhou uma duração que Ken não poderia acompanhar pessoalmente. Em vez de um único objeto entregue depois de sua morte, ele havia preparado uma série de presentes capazes de reaparecer em momentos diferentes da infância e da adolescência da menina.
Na atualização publicada em 2025, a sequência ainda não havia terminado. Cadi tinha 9 anos, parte dos pacotes permanecia fechada e a família mantinha a decisão de descobrir o conteúdo de apenas um por Natal, preservando para os anos seguintes os presentes que Ken havia separado para ela.
