Trajetória marcada por aprendizado precoce, desafios acadêmicos e escolhas familiares levou um estudante brasileiro a atravessar fronteiras ainda na infância, enquanto matemática, idiomas, escola e lazer passaram a dividir espaço em uma rotina acompanhada de perto pela mãe e adaptada ao seu ritmo.
Aos 7 anos, João Vitor Guedes Rasetto levou a Singapura uma trajetória de aprendizagem acelerada e conquistou medalha de bronze na SIMOC 2026, competição internacional de matemática realizada presencialmente entre 17 e 22 de julho, após avançar por etapas classificatórias.
Na categoria Maths Warriors, o estudante brasileiro apareceu entre os medalhistas de bronze do Grade 1, enquanto a organização da delegação nacional informou que a edição reuniu 2.287 estudantes de 1.113 escolas espalhadas por 40 países.
Muito antes da viagem internacional, porém, os sinais de facilidade para aprender já chamavam a atenção da família, segundo relato da mãe, a neuropsicóloga Malu Guedes, que descreveu ao O POVO um interesse precoce por letras, números e atividades de aprendizagem.
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Quando João tinha 2 anos, a família o submeteu ao primeiro teste de quociente de inteligência, no qual ele alcançou 130 pontos; dois anos depois, uma nova avaliação apontou QI de 141, resultado posteriormente divulgado pela mãe ao jornal cearense.
Na mesma fase da infância, o menino já frequentava o Kumon e havia recebido uma medalha vinculada ao método de estudos, experiência que evidenciou, segundo Malu, uma disposição constante para aprender mesmo quando chegava o momento de interromper as atividades.
Ao recordar esse período, a mãe contou ao O POVO que tinha “dificuldades em retirá-lo do Kumon”, porque João queria continuar estudando, situação que contribuiu para a busca por uma escola capaz de acompanhar sua velocidade de aprendizagem e oferecer novos estímulos.
Mudança para Fortaleza acompanha busca por estímulos

A procura por uma instituição considerada adequada às necessidades do filho provocou uma mudança importante na rotina familiar, já que Malu morava em Santos, no litoral paulista, e decidiu se estabelecer no Ceará depois de pesquisar alternativas educacionais para João.
Em Fortaleza, o estudante passou a frequentar o Colégio Farias Brito, instituição que, segundo a mãe, mantém um planejamento de ensino diferenciado para acompanhar seu ritmo, enquanto Malu conversa semanalmente com a escola sobre o suporte oferecido ao menino.
“Ele é muito feliz onde estuda”, afirmou Malu ao jornal ao explicar a escolha pelo colégio, acrescentando que a instituição apoia João quando ele demonstra interesse em aprender conteúdos além daqueles normalmente trabalhados em sua rotina escolar.
Fora da matemática, outros interesses também ocupam espaço no cotidiano do estudante de meio período, que dedica parte da rotina ao inglês, ao francês e ao italiano, idiomas estudados conforme a própria curiosidade, sem abandonar atividades recreativas comuns à infância.
Entre os passatempos citados pela mãe estão futebol, videogame e álbuns relacionados à Copa do Mundo, elementos de uma rotina pensada para combinar estudo, convivência e diversão, sem permitir que os compromissos acadêmicos ocupem todos os espaços do dia.
Embora o aprendizado tenha presença constante, a organização familiar descrita por Malu procura preservar experiências compatíveis com a idade, combinando o interesse acadêmico com brincadeiras, amizades e momentos dedicados ao lazer.
SIMOC 2026 leva João Vitor a Singapura
Realizada em Singapura de 17 a 22 de julho de 2026, a etapa presencial da Singapore International Math Olympiad Challenge reuniu, segundo a organização brasileira da competição, 2.287 estudantes de 1.113 escolas distribuídas por 40 países.
Na relação divulgada após a disputa, João Vitor Guedes Rasetto aparece no Grade 1 com medalha de bronze em Maths Warriors, registro que confirma a premiação internacional conquistada pelo aluno do Farias Brito durante a edição realizada em julho.
Antes de embarcar para a Ásia, a classificação já havia provocado emoção dentro de casa, conforme relatou Malu ao O POVO em junho, quando João ainda se preparava para representar o Brasil e o Ceará na competição internacional do mês seguinte.
Para alcançar a etapa presencial, o estudante passou por duas fases online: a primeira reuniu participantes brasileiros, enquanto a segunda colocou os classificados em disputa com crianças de outros países, em um processo de seleção acompanhado a partir de Singapura.
Segundo a mãe, João também se emocionou ao receber a notícia da classificação, enquanto ela própria afirmou ter chorado com o resultado, destacando que o filho mantém uma relação espontânea com os estudos e demonstra vontade constante de aprender.
A matemática ocupa posição central nessa trajetória, mas não aparece isolada, pois idiomas, futebol, videogame e convivência com amigos também fazem parte dos dias do estudante, numa rotina que procura equilibrar estímulo intelectual e experiências próprias da idade.
Rotina combina altas habilidades, idiomas e infância
Durante a busca por uma instituição que pudesse acompanhar as necessidades educacionais de João, a mudança de Santos para o Ceará tornou-se parte decisiva da reorganização familiar, e Malu afirmou que o apoio da escola passou a funcionar como principal rede de suporte.
Com a medalha de bronze conquistada em Singapura, a trajetória iniciada nos primeiros anos de vida ganhou projeção internacional, reunindo avaliações, mudança de estado, adaptação escolar e uma rotina em que a curiosidade continua orientando diferentes interesses do menino.
Depois de avaliações, mudança de estado, adaptação escolar e uma viagem internacional ainda na infância, até onde pode chegar a curiosidade de uma criança quando encontra estímulos capazes de acompanhar sua vontade constante de aprender?
