Thulane Ribeiro tentou uma vaga pelo vestibular em 2024, não conseguiu a aprovação e voltou aos estudos; aos 20 anos, conquistou o ingresso no curso de Matemática da Universidade de São Paulo
Aos 20 anos, Thulane Ribeiro, filha da escritora e filósofa Djamila Ribeiro, foi aprovada no curso de Matemática da Universidade de São Paulo (USP). A conquista veio depois de uma tentativa frustrada de ingresso em 2024 e de um novo período de dedicação aos estudos.
A aprovação foi celebrada publicamente por Djamila nas redes sociais e ganhou repercussão após ser noticiada pelo Terra. Mais do que anunciar a entrada da filha em uma das principais universidades públicas do país, a escritora relacionou o resultado à trajetória das mulheres de sua família e às oportunidades educacionais que, segundo ela, não estiveram disponíveis para as gerações anteriores.
“Hoje celebramos a aprovação de Thulane para o curso de Matemática na USP”, escreveu Djamila.
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Uma reprovação na Fuvest antes da conquista da vaga na USP
O caminho de Thulane até a universidade não foi direto.
Segundo o relato de Djamila reproduzido pelo Terra, a jovem prestou a Fuvest em 2024, mas não conseguiu ser aprovada. Ela continuou estudando e, posteriormente, obteve um bom desempenho no Enem.
A aprovação aos 20 anos ganha outro peso quando colocada ao lado dessa primeira tentativa. Não se trata de uma trajetória construída sobre uma sequência de aprovações, mas de uma candidata que recebeu um resultado negativo, manteve o objetivo e voltou a disputar uma vaga.
O curso escolhido também chamou a atenção.
Thulane decidiu seguir Matemática, área de exatas que, de acordo com a mãe, chegou a provocar estranhamento em pessoas que conheciam a trajetória intelectual de Djamila, ligada principalmente à Filosofia e à produção literária.
“Primeira da nossa linhagem a poder escolher”
Foi justamente ao falar sobre a história familiar que Djamila deu à aprovação uma dimensão que ultrapassa o resultado de um processo seletivo.
Na publicação citada pelo Terra, a escritora afirmou que Thulane representa a primeira geração da família com a possibilidade de fazer essa escolha ainda jovem.
“Thulane é a primeira da nossa linhagem a poder escolher”, escreveu.
Djamila recordou que avós e bisavós passaram a vida trabalhando em serviços domésticos e afirmou que essas mulheres desejavam um destino diferente para suas descendentes.
A fala ajuda a explicar por que a comemoração foi além da aprovação universitária em si. Para a família, a entrada de Thulane na USP foi apresentada como uma mudança concreta de possibilidades entre gerações.
É justamente esse contraste que transforma uma aprovação individual em uma história familiar: a universidade que hoje aparece como uma escolha possível para uma jovem de 20 anos estava distante da realidade vivida por mulheres das gerações anteriores.
A escolha pela Matemática e a comparação com a mãe
Filha de uma professora de Filosofia, Thulane também precisou responder às comparações naturais com Djamila.
A escritora contou que a opção da filha pelas ciências exatas despertava surpresa. Segundo o relato, Thulane passou a responder às comparações lembrando a relação histórica entre Filosofia e Matemática entre pensadores da Antiguidade.
A escolha mostra que a jovem pretende construir um caminho acadêmico próprio.
Em outras publicações sobre a filha, Djamila já descreveu Thulane como uma jovem que gosta de tênis, K-dramas, comida japonesa e gatos, além de defini-la como “mística” e “sonhadora”.
Agora, a Matemática passa a fazer parte dessa trajetória.
A aprovação abre uma etapa bem diferente daquela enfrentada durante a preparação para os processos seletivos. Com a vaga conquistada, o próximo desafio de Thulane deixa de ser entrar na USP e passa a ser a própria formação universitária em uma das áreas mais tradicionais das ciências exatas.
