Prince Allen Weeks encontrou no programa gratuito Pathways to Graduation uma oportunidade para reconstruir sua trajetória acadêmica. Depois de obter o diploma de equivalência do ensino médio, ele começou a trabalhar em um aeroporto e passou a economizar para entrar na faculdade.
Ele quase desistiu de tudo.
Houve dias em que Prince Allen Weeks não sabia onde dormiria. Em outros, a preocupação era ainda mais urgente: conseguir alguma coisa para comer.
Aos 19 anos, depois de abandonar a escola e passar períodos sem moradia, ele mudou a direção da própria vida. Em dois meses de preparação, obteve o diploma de equivalência do ensino médio, foi escolhido como principal orador da turma e discursou diante de 117 formandos em Nova York.
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A fome chegou antes da formatura
Prince nasceu no norte do estado de Nova York e passou parte da infância com a mãe e a irmã. Mais tarde, a família mudou-se para a Geórgia. Aos 14 anos, ele foi morar com o pai e começou uma rotina de mudanças entre Carolina do Norte e Virgínia.
Sem estabilidade financeira, os dois dependiam de parentes, amigos e abrigos temporários. Em Nova York, o emprego do pai não bastava para manter uma moradia, e Prince também não conseguia trabalho.
Antes de receber assistência alimentar, o jovem chegou a passar dias sem comer. Segundo o Washington Post, ele procurava salas de emergência e fingia estar doente para receber um sanduíche.
A falta de teto, o medo e a fome reduziram suas escolhas. Prince disse que houve momentos em que acreditou que poderia terminar morto ou preso.
Um programa gratuito abriu outra saída
A mudança começou em dezembro de 2025. Um orientador de um centro municipal de emprego apresentou a ele o Pathways to Graduation, programa gratuito das escolas públicas de Nova York destinado a jovens de 17 a 21 anos sem diploma de ensino médio ou certificado equivalente.
Prince se matriculou na unidade de Staten Island e passou a frequentar aulas cinco dias por semana. O programa permite que cada estudante avance no próprio ritmo, mas exige preparação para o GED, exame usado para conceder a equivalência do ensino médio.
A prova reúne matemática, ciências, estudos sociais e linguagem, área que integra leitura e escrita. Para ser aprovado, o candidato precisa alcançar pelo menos 145 pontos em cada uma das quatro partes.
Prince concluiu a preparação e os exames em cerca de dois meses. As notas não foram divulgadas, mas a direção afirmou que seu desempenho foi alto.
De aluno sem escola a voz da turma

O resultado foi além do diploma. Prince participou de atividades de preparação para a faculdade e para o mercado de trabalho e, em maio de 2026, soube que seria o valedictorian da turma.
Nos Estados Unidos, o título costuma ser dado ao estudante escolhido para representar os formandos na cerimônia.
Em 22 de junho de 2026, vestindo toga e capelo azuis, Prince subiu ao palco diante de 117 colegas. Falou sobre pobreza, discriminação, insegurança, fome, falta de moradia e os momentos em que caminhos ilegais pareceram uma alternativa de sobrevivência.
Seu discurso não transformou o sofrimento em espetáculo. Mostrou que, quando apareceu uma oportunidade concreta, gratuita e acessível, ele decidiu agarrá-la.
Trabalho no aeroporto e sonho de ser cientista
Antes da formatura, Prince já havia dado outro passo. Em abril de 2026, conseguiu emprego na área de limpeza e saneamento do aeroporto LaGuardia, em Nova York.
Agora ele vive com um familiar, trabalha para pagar as despesas e tenta economizar dinheiro. Seu próximo objetivo é entrar na faculdade e tornar-se cientista, embora ainda não tenha divulgado qual área pretende estudar.
A trajetória de Prince não sugere que esforço individual seja suficiente para vencer a pobreza. Ela revela algo maior: uma oportunidade pública e gratuita, apresentada no momento certo, pode interromper um ciclo que parecia fechado.
O diploma conquistado em dois meses não resume sua vida. O que torna a história relevante é a distância entre o jovem que buscava comida em emergências hospitalares e o estudante que, poucos meses depois, subiu a um palco para lembrar a outros 117 formandos que o futuro ainda podia ser disputado.

Educação é um direito do povo e uma obrigação do Estado. Bem colocado!
De fato, Eliana! A trajetória do Prince mostra como oportunidades educacionais podem mudar vidas, especialmente para quem enfrenta grandes desafios. É um lembrete poderoso da importância do investimento em educação pública.
É…
A alma do negócio é ter objetivos…
Terezinha, você está certa! Ter objetivos claros pode transformar vidas, como mostrou a trajetória inspiradora do Prince.