Superdotação, música e desempenho acadêmico se cruzam na trajetória de Ana Joyce do Carmo Gomes, adolescente acreana que acumulou aprovações em instituições de diferentes regiões do país e mantém um objetivo definido para o futuro, mesmo após conquistar uma vaga em uma das principais universidades brasileiras.
Aos 14 anos, Ana Joyce do Carmo Gomes já reunia uma coleção de resultados acadêmicos incomum para alguém que ainda cursava a educação básica, combinando desempenho em vestibulares, interesse por diferentes áreas do conhecimento e uma relação antiga com a música.
Identificada com altas habilidades e acompanhada pelo Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação, o NAAH/S, a estudante acreana acumulou 23 aprovações em cursos superiores e passou em Gerontologia na Universidade de São Paulo, sem abandonar o plano de cursar Medicina.
Além dos processos seletivos, a trajetória reúne competências desenvolvidas fora da rotina tradicional de vestibulares, já que Ana Joyce também sabe tocar mais de 10 instrumentos, segundo relato da família ao Metrópoles, e participa de atividades extracurriculares desde os primeiros anos de formação.
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De acordo com a mesma reportagem, as 23 aprovações estão distribuídas por 18 instituições públicas e privadas brasileiras, entre universidades e institutos federais de diferentes regiões, resultado que ampliou consideravelmente uma sequência de provas iniciada quando ela ainda era mais nova.
Entre todas essas conquistas, a aprovação em Gerontologia na USP ganhou destaque por colocar o nome da adolescente entre os aprovados de uma das principais universidades públicas brasileiras, embora a vaga não tenha modificado o objetivo acadêmico definido junto à família.
Em vez de iniciar imediatamente uma graduação, Ana Joyce decidiu continuar sua formação escolar e manter o foco em Medicina, curso que pretende fazer na Universidade Federal do Acre, possibilidade que também permitiria permanecer próxima dos pais durante os anos universitários.
Vestibulares começaram como forma de medir o desempenho acadêmico
Bem antes de alcançar o total atual de aprovações, a estudante já participava de seleções voltadas a candidatos mais velhos, experiência que começou aos 12 anos, quando sua mãe, Vânia do Carmo Nery, decidiu inscrevê-la em um vestibular on-line de Medicina.

Na avaliação realizada pela Uninorte, Ana Joyce obteve nota 9 na redação e desempenho elevado nas outras áreas, resultado que incentivou a família a considerar novas provas e processos de aceleração escolar sem interromper a continuidade da educação básica.
A partir daquela experiência, outros processos seletivos passaram a integrar a rotina acadêmica da adolescente, entre eles uma seleção para Música na Universidade Federal do Amazonas e um concurso público municipal realizado no Acre, enquanto ela permanecia regularmente vinculada à escola.
Mais do que representar escolhas definitivas de carreira, essas inscrições funcionavam como oportunidades para avaliar o desempenho da estudante em provas destinadas a públicos mais velhos, permitindo acompanhar sua evolução acadêmica sem transformar cada aprovação em uma decisão imediata de ingresso universitário.
Música acompanha a trajetória de Ana Joyce desde cedo
Paralelamente ao interesse por vestibulares e diferentes áreas do conhecimento, a música sempre ocupou espaço relevante na formação da adolescente, cuja mãe relatou ao Metrópoles uma participação frequente em atividades extracurriculares e o domínio de mais de 10 instrumentos musicais.
Em determinado momento, uma confusão em publicações sobre Ana Joyce chegou a substituir o número de instrumentos pela quantidade de vestibulares, atribuindo à adolescente mais de dez aprovações quando, naquela etapa da trajetória, esse total ainda não havia sido efetivamente alcançado.
A reação da família ao episódio acabou produzindo uma coincidência pouco comum, pois Vânia decidiu inscrever a filha em outras seleções acadêmicas e, após os novos resultados, a quantidade real de aprovações acabou chegando a 23 em diferentes cursos superiores.
Esse conjunto passou a envolver áreas bastante distintas, incluindo Música, Medicina, Matemática, Ciências Biológicas, Geografia, Computação, Pedagogia, Física, Direito, Engenharia, Odontologia e Inteligência Artificial, mostrando a variedade de processos seletivos realizados ao longo da trajetória da estudante.
Aprovações alcançam universidades e institutos de várias regiões
Entre os resultados registrados, a Universidade Federal do Acre aparece com aprovações em Matemática e Engenharia Agronômica, enquanto a Universidade Federal de Rondonópolis reúne conquistas da estudante em Ciências Biológicas, Geografia e Inteligência Artificial dentro da mesma sequência de seleções.
A lista também inclui Música na Universidade Federal do Amazonas, Física no Instituto Federal do Acre, Engenharia de Alimentos na Universidade Federal de Santa Catarina e Arquitetura e Urbanismo no Instituto Federal de Rondônia, ampliando a diversidade geográfica das instituições.
Em outras seleções, Ana Joyce ainda obteve resultados em Administração e Direito em instituições privadas, Química Industrial no Instituto Federal Farroupilha e Engenharia Elétrica na Universidade Federal de Rondônia, compondo um quadro acadêmico que atravessa diferentes campos de formação superior.
Na Universidade de São Paulo, a aprovação ocorreu em Gerontologia, área dedicada ao estudo do envelhecimento e à atuação relacionada à qualidade de vida, aos direitos e às necessidades da população idosa, acrescentando outra área de conhecimento à trajetória da adolescente.

Mesmo após a USP, objetivo continua sendo cursar Medicina
Apesar da quantidade de vagas conquistadas, Ana Joyce permaneceu no ensino médio e não iniciou uma das graduações, pois a decisão familiar e acadêmica continuou orientada pelo objetivo de concluir a formação escolar necessária e disputar posteriormente uma vaga em Medicina.
Quando o Metrópoles registrou essa nova etapa da trajetória, em fevereiro de 2026, a estudante cursava o segundo ano no Colégio Militar Tiradentes e pretendia avançar para a fase seguinte da educação básica enquanto mantinha a preparação para novos processos seletivos.
Nesse percurso, o acompanhamento oferecido pelo NAAH/S integra a estrutura educacional ao redor da adolescente, já que o núcleo trabalha especificamente com estudantes identificados com altas habilidades ou superdotação e desenvolve ações voltadas ao estímulo de diferentes capacidades acadêmicas e pessoais.
No caso de Ana Joyce, essa identificação ultrapassa os resultados obtidos em vestibulares, pois música, leitura, facilidade de aprendizagem e interesse por múltiplas áreas também aparecem entre os elementos de sua trajetória, formando um perfil que não se restringe às provas.
Vinte e três aprovações não significam escolha por 23 carreiras
Embora o número de cursos aprovados chame atenção, a multiplicidade de resultados não significa que Ana Joyce tenha escolhido seguir 23 carreiras diferentes, já que parte significativa das inscrições foi utilizada como instrumento para avaliar desempenho e acompanhar seu desenvolvimento acadêmico.
O objetivo declarado permanece concentrado em Medicina, enquanto os demais processos seletivos serviram como oportunidades de avaliação e, em determinados momentos da trajetória, como elementos relacionados à tentativa de aceleração escolar e à busca por desafios compatíveis com seu desempenho.
Essa distinção também ajuda a compreender por que aprovação em vestibular e ingresso efetivo no ensino superior não representam a mesma etapa, especialmente quando se trata de uma adolescente que ainda permanece vinculada à educação básica e possui um projeto acadêmico específico.
Mesmo tendo demonstrado desempenho suficiente para conquistar vagas em instituições espalhadas pelo país, Ana Joyce seguiu a formação escolar regular enquanto se prepara para o curso que pretende frequentar, sem transformar cada resultado positivo em obrigação de iniciar uma graduação.
Nesse contexto, a aprovação na USP ganhou importância por acrescentar uma universidade de grande projeção à lista de conquistas, mas não substituiu o plano de tentar Medicina no Acre nem alterou a decisão de continuar avançando pela educação básica.
Enquanto permanece na escola, a adolescente concilia preparação para novas seleções, interesses extracurriculares e atividades ligadas às próprias habilidades, mantendo uma trajetória em que os resultados acadêmicos precoces convivem com uma escolha de carreira já definida para os próximos anos.
Aos 14 anos, as 23 aprovações já representam um marco expressivo de desempenho acadêmico, mas a decisão que orienta seus próximos passos continua sendo concluir a etapa escolar necessária e buscar uma vaga em Medicina quando chegar o momento de ingressar efetivamente no ensino superior.
Até que ponto escolas e universidades brasileiras estão preparadas para estimular estudantes com altas habilidades sem transformar desempenho precoce em pressão para antecipar todas as etapas da formação?
