Morador de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, o estudante guardava moedas de R$ 1 em uma lata de batatas e decidiu usar toda a reserva quando soube da arrecadação organizada para viabilizar o procedimento particular da professora Meire Farias.
Everton Ribeiro Filho não tinha uma compra definida para os R$ 300 que havia juntado durante dois anos. Ao saber que a tia precisava arrecadar dinheiro para uma cirurgia, o adolescente de 13 anos decidiu entregar toda a reserva, formada por moedas de R$ 1.
Morador de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, ele cursava o 8º ano do ensino fundamental e guardava o dinheiro em uma lata de batatas usada como cofre. A economia havia sido construída aos poucos, sem finalidade determinada.
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A história foi publicada em abril de 2022 pelo Ecos da Notícia, com informações do G1 Acre. Naquele momento, a professora Meire Farias, de 39 anos, mobilizava parentes e amigos para reunir cerca de R$ 5,5 mil e custear o procedimento particular.
Everton soube da situação ao ouvir o pai, Everton Ribeiro, conversar sobre a cirurgia. Depois de entender que a família organizava uma arrecadação, lembrou-se do dinheiro que havia guardado e decidiu levar o cofre inteiro à tia.
A iniciativa partiu do próprio adolescente, acompanhado pelo pai no momento da entrega. A família se emocionou porque a quantia havia sido acumulada moeda por moeda durante dois anos e não estava reservada para uma compra específica.
Everton contou à reportagem que ainda não sabia o que faria com o dinheiro antes de conhecer a situação da tia. Depois de doar a reserva, afirmou que se sentia feliz por ter ajudado e que pretendia comprar outro cofre para voltar a economizar.
Meire sabia que o sobrinho guardava dinheiro, mas não conhecia o objetivo da reserva. Ao receber a quantia, perguntou se aquele valor não faria falta; o adolescente respondeu que não e manteve a decisão de deixar todo o conteúdo do cofre com ela.

O pai também relatou ter ficado emocionado e orgulhoso com a escolha do filho. Ao todo, a lata continha R$ 300 em moedas de R$ 1, reunidas durante os dois anos anteriores.
Professora buscava recursos para cirurgia particular
Meire relatou que vinha sentindo dores na perna esquerda e procurou atendimento depois que o incômodo persistiu. Segundo a reportagem, uma ultrassonografia descartou trombose, enquanto a avaliação médica apontou um problema relacionado à veia safena.
A professora descreveu o quadro como insuficiência venosa associada a refluxo e disse ter recebido orientação para realizar uma cirurgia. Ela também informou que o procedimento pelo Sistema Único de Saúde seria feito na capital acreana.
Diante da possibilidade de espera e da necessidade de deslocamento, familiares e amigos passaram a arrecadar dinheiro para tentar viabilizar a cirurgia particular em Cruzeiro do Sul. O custo informado era de aproximadamente R$ 5,5 mil.
Quando o caso foi divulgado, pelo menos metade desse valor já havia sido reunida. Os R$ 300 entregues por Everton correspondiam a pouco mais de 5% do custo estimado e se somaram às contribuições feitas por parentes, amigos e outras pessoas envolvidas na campanha.
A descrição do problema de saúde e da indicação cirúrgica corresponde ao relato de Meire reproduzido pela reportagem da época. As diretrizes brasileiras sobre doença venosa crônica indicam que a escolha do tratamento depende das características clínicas e da avaliação individual de cada paciente.
Por isso, a cirurgia relatada no caso de Meire não deve ser entendida como conduta necessária para toda pessoa com insuficiência venosa. As possibilidades de tratamento variam conforme o quadro clínico, a extensão do problema e a avaliação feita pelo profissional responsável.
Arrecadação ainda não havia atingido a meta
Na ocasião em que a história foi publicada, a cirurgia estava marcada para 12 de abril de 2022. A arrecadação permanecia aberta porque a família ainda não havia reunido todo o valor necessário para custear o procedimento particular.
A contribuição de Everton representava apenas uma parcela da meta, mas foi entregue integralmente. O adolescente não retirou parte das moedas para uso próprio e colocou à disposição da tia todo o dinheiro que havia acumulado durante os dois anos anteriores.
Depois de esvaziar a lata, ele não abandonou o hábito de guardar dinheiro. Everton afirmou que pretendia comprar outro cofrinho e iniciar uma nova reserva, recomeçando do zero depois de destinar os R$ 300 à arrecadação para a cirurgia da tia.
