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Amigos quase encerram busca com detectores de metais, tentam mais um campo e encontram raro anel de ouro do século XIV com pedra gravada, possivelmente ligado à Condessa de Ulster e avaliado em até R$ 70 mil

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Escrito por Ana Alice Publicado em 20/09/2026 às 23:09 Atualizado em 20/09/2026 às 23:37
Anel medieval de ouro achado por detectoristas na Inglaterra pode render até £12 mil e ter ligação com Matilda de Lancaster no leilão. - Crédito: Noonans Mayfair / Divulgação.
Anel medieval de ouro achado por detectoristas na Inglaterra pode render até £12 mil e ter ligação com Matilda de Lancaster no leilão. – Crédito: Noonans Mayfair / Divulgação.
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Encontrado por acaso em um campo inglês, o anel de ouro de cerca de sete séculos traz um grifo gravado, uma inscrição enigmática e uma possível ligação com uma condessa da nobreza medieval.

Um sinal forte no detector de metais, um pequeno torrão de terra e um brilho dourado onde ninguém esperava encontrar algo valioso.

Foi assim que uma busca que parecia destinada a terminar sem grandes descobertas revelou uma peça de aproximadamente sete séculos, capaz de esconder uma ligação com uma das mulheres da nobreza inglesa medieval.

O objeto é um raro anel-selo de ouro dos séculos 13 ou 14, encontrado em um campo próximo a Stoke Ash, no condado de Suffolk, na Inglaterra.

A joia será oferecida pela casa de leilões Noonans Mayfair em 22 de setembro de 2026, em Londres, com estimativa entre 10 mil e 12 mil libras.

Descoberta aconteceu justamente no Dia da Mentira

Por trás do valor existe uma história ainda mais curiosa.

Segundo comunicado divulgado pela Noonans em 16 de setembro de 2026, os amigos Aaron Pizzey, de 30 anos, e James Race, de 39, encontraram a peça em 1º de abril de 2024 enquanto percorriam um campo arado com detectores de metais.

A data tornou a descoberta ainda mais improvável.

Era o Dia da Mentira, e os dois já haviam passado por dois campos sem encontrar nada relevante.

Pizzey, professor de engenharia em uma faculdade de West Suffolk, estava inclusive irritado com problemas em seu equipamento quando Race brincou que aquilo poderia ser um bom presságio.

Pouco depois, o detector Minelab Nox 800 de Pizzey emitiu um sinal forte.

Ao começar a retirar a terra, ele percebeu uma tonalidade dourada em meio ao solo.

Quando chamou o amigo para mostrar o achado, Race inicialmente imaginou que se tratava de uma brincadeira por causa da data.

Pequena joia guarda cerca de sete séculos de história

O objeto que surgiu da terra estava longe de ser apenas mais uma velha peça metálica.

Especialistas da Noonans descrevem o anel como extremamente raro e estimam que tenha sido produzido entre os séculos 13 e 14.

Seu peso é de apenas 2,43 gramas, enquanto a parte oval principal mede cerca de 19,7 milímetros de comprimento por 16,3 milímetros de largura.

No centro da joia existe uma pedra de cornalina, variedade de quartzo conhecida por seus tons avermelhados e castanhos.

Gravado nela aparece um grifo, criatura mitológica representada tradicionalmente com corpo de leão e cabeça e asas de águia.

Durante a Idade Média, esse tipo de criatura aparecia com frequência em símbolos e representações heráldicas.

A combinação entre dois animais associados à força e ao poder ajudou a manter o grifo como uma figura reconhecível mesmo séculos depois de suas primeiras representações na Antiguidade.

Inscrição pode revelar quem foi dona do anel

Mas é uma inscrição ao redor da pedra que torna o anel especialmente intrigante.

As letras foram gravadas em escrita lombárdica invertida, algo compatível com a função de um anel-selo.

Esse tipo de objeto poderia ser pressionado contra cera ou outro material para produzir uma impressão legível, funcionando como uma espécie de identificação pessoal em documentos e correspondências.

Segundo Nigel Mills, consultor da Noonans, uma possível interpretação da inscrição seria algo próximo de “Grifo — Matilda — a condessa materna”.

A tradução não é considerada uma identificação definitiva, mas abriu espaço para uma hipótese histórica: o anel pode ter pertencido a Matilda, ou Maud, de Lancaster.

Quem foi Matilda de Lancaster

Matilda nasceu por volta de 1310 e era bisneta do rei Henrique III da Inglaterra.

Em 1327, casou-se com William Donn de Burgh, 3º Conde de Ulster, tornando-se Condessa de Ulster.

O casal teve uma filha, Elizabeth de Burgh.

A vida de Matilda passou por uma mudança importante poucos anos depois.

William foi assassinado em 1333 e sua filha herdou o título de Condessa de Ulster.

Matilda e Elizabeth seguiram então para a Inglaterra, onde viveram na corte do rei Eduardo III.

Matilda voltaria a se casar em 1343, desta vez com Sir Ralph de Ufford.

Depois da morte do segundo marido, tomou votos religiosos e tornou-se cônega no priorado agostiniano de Campsey, em Suffolk, por volta de 1347 ou 1348.

Local da descoberta reforça a hipótese histórica

É justamente a geografia que torna a possível conexão ainda mais interessante.

O antigo Campsey Priory ficava a aproximadamente 20 milhas, cerca de 32 quilômetros, da região onde o anel foi encontrado.

Mais tarde, Matilda esteve ligada à criação de uma comunidade religiosa em Bruisyard Abbey, também em Suffolk.

O local fica a aproximadamente 15 milhas, ou 24 quilômetros, de Stoke Ash.

Ela morreu e foi enterrada em Bruisyard em 1377.

A proximidade, a inscrição e a época da joia formam um conjunto de pistas que torna Matilda uma possível proprietária.

Ainda assim, nenhuma dessas evidências comprova definitivamente que o anel esteve em suas mãos.

A própria descrição do lote da Noonans trata a associação como uma possibilidade histórica.

Anéis-selo eram usados como identificação

Outro detalhe ajuda a explicar por que a peça desperta interesse entre especialistas e colecionadores.

Anéis medievais de ouro preparados para funcionar como selos são considerados pouco comuns, especialmente quando combinam metal precioso e uma pedra gravada.

A joia também não chegou intacta aos dias atuais.

A parte circular que envolveria o dedo está praticamente ausente, restando principalmente a área do selo e partes dos ombros do anel.

A cornalina, por outro lado, apresenta apenas desgaste superficial leve e um possível pequeno dano próximo à cabeça do grifo, segundo o relatório de conservação da casa de leilões.

Achado foi registrado oficialmente no Reino Unido

Depois da descoberta, Pizzey e Race comunicaram o achado para que ele pudesse ser oficialmente registrado.

A peça aparece vinculada ao Portable Antiquities Scheme, programa britânico criado para documentar objetos arqueológicos encontrados pelo público, sob o número SF-0F739C.

O catálogo também relaciona o objeto ao processo de Treasure de referência 2024 T440.

A venda ocorrerá como lote 89 no leilão Jewellery, Watches, Silver and Objects of Vertu, realizado pela Noonans Mayfair.

O catálogo mantém a estimativa de 10 mil a 12 mil libras para o objeto.

Dinheiro do leilão será dividido com dono do terreno

Caso a peça seja vendida, Aaron Pizzey e James Race afirmam que dividirão o dinheiro com o proprietário do terreno onde o anel foi encontrado.

A parte destinada aos dois amigos já tem planos relativamente simples: eles disseram que pretendem investir em um novo detector de metais e em reformas em casa.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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