Isael trabalhou durante anos dividindo o resultado de parreiras de terceiros, comprou 4,5 alqueires e hoje cultiva cerca de 15 mil pés de uva em Minas Gerais.
Durante anos, Isael cuidou de parreiras que não eram dele. Trabalhava “na meia”, sistema em que produtor e dono da terra dividem despesas e o resultado da lavoura. Enquanto podava, cuidava e colhia uvas para repartir o ganho no fim do ciclo, ele guardava outro plano: comprar uma pequena propriedade e formar suas próprias parreiras.
O sonho saiu do papel depois de anos de trabalho. Segundo o relato mostrado pelos canais EDUARDO PÁDUA e NO CAMPO, Isael começou com cerca de 4,5 alqueires em Fortaleza de Minas, encontrou praticamente só pasto e iniciou a transformação aos poucos. Hoje, a área da família chega a aproximadamente 10 alqueires, enquanto a produção reúne cerca de 15 mil pés de uva, além de uma pequena criação de gado.
O sonho começou quando a terra ainda pertencia a outras pessoas
Antes de ter o próprio sítio, Isael já conhecia profundamente a uva. Ele conta que trabalha com a cultura há aproximadamente 30 anos, período que começou antes da chegada da família a Fortaleza de Minas.
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Parte dessa história passou por Campinas, no interior de São Paulo. Ali, ele trabalhava em parreiras pelo sistema conhecido como “meia”, sem ser proprietário da lavoura em que colocava a mão todos os dias.

NO CAMPO e EDUARDO PÁDUA
O acordo funcionava de maneira direta. Isael cuidava da produção, as despesas eram divididas e, ao final do trabalho, o resultado restante também era repartido entre as partes.
Foi nesse período que começou a surgir um objetivo diferente. Em vez de continuar produzindo em terra de terceiros, ele queria comprar um sítio e formar uma lavoura que pudesse chamar de sua.
“Era um sonho comprar um sítio e formar as parreiras”
Ao conversar com Eduardo Pádua no meio da plantação, Isael resume a origem da propriedade em poucas palavras. Comprar um sítio e plantar as próprias uvas era um sonho cultivado enquanto ainda trabalhava para outras pessoas.
Não foi uma mudança rápida. A família já tinha experiência com a cultura e precisava juntar recursos para transformar anos de trabalho em terra própria.
Segundo Isael, foi justamente o trabalho na meia que ajudou a construir esse caminho. O dinheiro obtido com a produção foi sendo usado até chegar o momento de comprar o primeiro pedaço de terra.
A primeira propriedade tinha cerca de 4,5 alqueires
Quando a família chegou ao local onde vive hoje, não existiam as fileiras carregadas de cachos vistas na gravação. Isael afirma que a propriedade começou com aproximadamente 4,5 alqueires.
A paisagem também era diferente. Segundo ele, a área era praticamente formada por pasto. As parreiras que hoje dominam parte do sítio tiveram de ser implantadas depois da compra.
A família começou devagar. Formou os primeiros trechos de uva, continuou trabalhando e, conforme surgia oportunidade, comprava pequenas áreas vizinhas.
De 4,5 alqueires, a área da família chegou a cerca de 10
O crescimento não ocorreu pela compra de uma enorme fazenda de uma só vez. Isael explica que novos pedaços foram sendo incorporados gradualmente ao terreno original.
Na época da gravação, o conjunto pertencente à família somava aproximadamente 10 alqueires. A área é compartilhada entre familiares e não é ocupada apenas pela produção de uvas.
Também há espaços destinados ao gado e outras estruturas necessárias para o trabalho diário. Perto da lavoura ficam as casas de integrantes da família e o barracão usado durante a colheita e a embalagem.
Hoje são aproximadamente 15 mil pés de uva
Caminhando entre as fileiras, Eduardo pergunta quantas plantas existem na propriedade. Isael responde que estima aproximadamente 15 mil pés de uva.

NO CAMPO e EDUARDO PÁDUA
A dimensão aparece nas imagens. As parreiras formam corredores compridos e os cachos ficam suspensos sobre estruturas de arame, permitindo que trabalhadores caminhem por baixo durante a colheita.
A principal variedade mostrada no vídeo é a Niagara, bastante conhecida no mercado brasileiro de uva de mesa. Na propriedade, os cachos são cortados manualmente e separados antes de seguir para as embalagens.
Uma história de aproximadamente 30 anos trabalhando com uva
Embora esteja na região há menos tempo, Isael afirma que sua experiência com uva chega a cerca de três décadas. Antes da propriedade própria, ele já trabalhava diretamente com parreiras.
A família está em Fortaleza de Minas há aproximadamente 17 anos, segundo o relato. Algumas das parreiras vistas na gravação teriam cerca de 15 anos.
Isso significa que o plantio começou pouco depois da chegada à região. Conforme algumas plantas envelheceram, partes da lavoura também foram renovadas com novas mudas e variedades.
A propriedade passou a produzir em um lugar que antes era pasto
O contraste entre o começo e a situação mostrada no vídeo ajuda a contar a história. Isael aponta para a área e lembra que ali não existiam as parreiras quando a família comprou o terreno.
Tudo precisou ser formado do início. Houve preparação do solo, implantação dos suportes, plantio das mudas e anos de manejo até a estrutura ganhar a aparência atual.
Hoje, quem caminha pelas fileiras encontra cachos sendo colhidos, caixas sendo preparadas e familiares espalhados pela lavoura. O pasto original deu lugar a uma atividade construída ao longo de quase duas décadas.
A colheita coloca praticamente toda a família para trabalhar
O trabalho fica mais intenso quando os cachos atingem o ponto de colheita. Isael conta que irmãos, cunhados, esposa e outros parentes ajudam especialmente nos períodos de maior movimento.
Na gravação, sua esposa Sandra aparece dentro da plantação trabalhando junto com o restante do grupo. O irmão Isaac também participa da propriedade e aparece cuidando do gado.

NO CAMPO e EDUARDO PÁDUA
As uvas são cortadas manualmente com tesoura. Depois, os cachos passam por uma seleção antes de serem colocados nas caixas que seguirão para os compradores.
Algumas encomendas saem praticamente direto da parreira
Durante a visita, a família estava preparando pedidos que seriam entregues naquele mesmo dia. Os cachos eram retirados, conferidos e organizados ainda perto da área de produção.
Isael explica que existem diferentes tamanhos de embalagem. Parte da produção pode ser preparada na própria lavoura quando o tempo está firme.
Nos períodos de chuva, o processo muda. As caixas de papelão não podem ficar expostas à água, por isso os frutos podem ser levados para o barracão e embalados em local coberto.
A produção pode ter duas colheitas no ano
Isael conta que o manejo adotado na propriedade permite trabalhar com duas podas e distribuir a produção em diferentes momentos do ano.
Uma delas é organizada para que parte das uvas esteja disponível perto do Natal, período em que a procura aumenta. Existe ainda uma segunda produção, chamada por ele de “safrinha”.
A diferença de tempo entre as áreas também ajuda na rotina. Nem todas as parreiras ficam prontas exatamente no mesmo dia, o que evita concentrar toda a colheita em um único momento.
Natal transforma a rotina da propriedade
Isael lembra que Eduardo o encontrou pela primeira vez justamente em um período de trabalho intenso. Era época próxima das festas de fim de ano e ele estava colhendo junto com a esposa.
O ritmo aumenta porque a fruta precisa sair no momento certo. Não adianta deixar cachos maduros esperando muitos dias apenas porque faltou gente para colher ou embalar.
É nessa fase que a participação dos familiares ganha ainda mais importância. Cunhados, irmãos e outros parentes aparecem para ajudar a colocar as encomendas em ordem.
Mão de obra virou um dos desafios da produção
Durante a conversa, Isael explica que contratar trabalhadores para todas as tarefas ficou difícil. Por isso, a união da família se tornou parte importante da forma como o sítio funciona.
Não se trata apenas de colher. É preciso podar, conduzir os ramos, observar as plantas, preparar as caixas, separar cachos e organizar a saída das encomendas.
Nos dias mais movimentados, várias dessas tarefas acontecem ao mesmo tempo. Quem é dono também colhe, embala, cuida dos animais e participa dos outros serviços necessários.
A geada já mostrou como o clima pode mudar uma safra
O risco não é apenas financeiro. Isael lembra que uma geada forte atingiu a região e prejudicou bastante uma das produções anteriores.
A uva é uma cultura sensível a mudanças severas do clima. Quando a planta sofre no momento errado, o efeito aparece meses depois na quantidade e na qualidade dos cachos disponíveis.
Para uma família que passou meses cuidando da lavoura antes de colher, perder grande parte da produção significa ver uma temporada inteira de trabalho render menos do que o esperado.
Cada colheita chega depois de meses de espera
Perto do fim da visita, Eduardo pergunta o que Isael sente ao ver os cachos saindo da parreira depois de tanto trabalho.
Ele responde que esse é um dos momentos mais satisfatórios. Entre uma fase e outra, podem passar cerca de seis meses sem que a família tenha aquela produção pronta para colher.
Durante esse intervalo há trabalho, despesas e preocupação com o clima. O dinheiro da produção só aparece depois que os cachos chegam ao ponto certo e encontram comprador.
As parreiras mais antigas já começaram a ser renovadas
Nem mesmo uma lavoura bem formada permanece igual para sempre. Isael conta que algumas das plantas têm aproximadamente 15 anos e que partes mais antigas já começaram a ser substituídas.
Quando uma área perde produção, a família retira plantas e forma outra parreira. Esse processo também permite introduzir variedades diferentes ao longo do tempo.
Assim, o sítio que surgiu do zero continua passando por novas etapas. A propriedade não chegou a um ponto final depois de atingir 15 mil pés.
A história também passa pelas casas construídas ao redor da lavoura
Durante a caminhada, Isael mostra sua casa e aponta onde vivem o pai e outros familiares. A produção e a vida doméstica acontecem praticamente no mesmo espaço.
Isso explica por que tantas tarefas são divididas. Quem mora ali acompanha a lavoura todos os dias e consegue ajudar quando uma encomenda precisa sair ou uma colheita fica maior.
O sítio acabou se tornando mais do que o lugar onde a família trabalha. Foi também o ponto onde parentes que passaram anos produzindo em terras de outras pessoas conseguiram formar sua própria base.
O dinheiro não veio de herança, segundo o relato da família
Perto do encerramento do vídeo, Eduardo destaca um ponto da história: a propriedade não teria sido recebida pronta como herança. Isael confirma que o crescimento veio do trabalho desenvolvido pela própria família.

NO CAMPO e EDUARDO PÁDUA
A primeira área tinha cerca de 4,5 alqueires. Depois vieram os pequenos terrenos comprados ao lado, a implantação das parreiras e o aumento gradual da estrutura.
Não houve salto de uma lavoura de terceiros diretamente para uma propriedade de 10 alqueires totalmente produtiva. O processo foi feito em etapas.
Trabalhar na meia acabou financiando o sonho da terra própria
O ponto central da história aparece quando Isael volta ao período de Campinas. Ele cuidava de uva, dividia despesas e repartia o lucro com o proprietário da lavoura.
Era um sistema que permitia trabalhar sem ter terra, mas também lembrava diariamente aquilo que ele queria construir. Seu plano era deixar de produzir apenas em parreiras dos outros.
Quando Eduardo pergunta diretamente se foi assim que conseguiu comprar a propriedade, Isael responde que sim. O trabalho anterior abriu o caminho para a primeira compra.
De trabalhador em terra alheia a produtor com 15 mil pés
Hoje, Isael passa pelos corredores da própria lavoura com uma tesoura na mão. A esposa trabalha alguns metros adiante, o irmão cuida do gado e outros parentes aparecem quando o volume da colheita aumenta.
São aproximadamente 15 mil pés de uva dentro de uma propriedade familiar que cresceu para cerca de 10 alqueires. Parte das parreiras já atravessou aproximadamente 15 anos de produção.
Nada disso estava ali quando a família chegou. Segundo Isael, havia pasto e um terreno de 4,5 alqueires comprado depois de anos trabalhando com uva para outras pessoas.
Um sonho que começou antes da propriedade
A frase mais importante do relato não aparece quando Isael mostra os milhares de pés carregados. Ela surge quando ele volta ao período em que ainda não tinha terra.
“Era um sonho comprar um sítio e formar as parreiras”, conta ao lembrar dos anos trabalhando na meia.
Primeiro veio o conhecimento da uva. Depois, o trabalho dividido com donos de outras lavouras. O dinheiro ajudou a comprar o primeiro pedaço, as parreiras começaram a surgir e novas áreas foram incorporadas aos poucos.
Cerca de 17 anos depois da chegada da família à região, o resultado aparece nas fileiras que cercam a casa: cachos sendo cortados, encomendas sendo preparadas e aproximadamente 15 mil pés espalhados pela propriedade.
O homem que antes dividia o resultado porque trabalhava na terra de outra pessoa agora colhe uvas dentro do sítio que passou anos sonhando em comprar.
