O que começou como um cultivo voltado apenas à produção de sementes terminou com uma abóbora-verde gigantesca, que ganhou até 22 quilos por dia e alcançou quase uma tonelada na colheita.
Uma abobora gigante cultivada inicialmente apenas para a produção de sementes surpreendeu ao ganhar até 22 quilos por dia e atingir quase uma tonelada, transformando um plantio experimental em uma colheita de proporções extraordinárias.
Uma abóbora gigante
Uma abóbora gigante cultivada pelo norte-americano Joe Jutras alcançou 997,9 kg e conquistou o recorde mundial de exemplar mais pesado da categoria.
Aos 70 anos, o produtor disse que o fruto chegou a ganhar cerca de 22,7 kg por dia e exigiu jornadas de cuidados que podiam chegar a 12 horas.
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O exemplar foi oficialmente pesado em 11 de outubro de 2025. A competição aconteceu em Warren, no estado norte-americano de Rhode Island.
A marca foi reconhecida pelo Guinness World Records e verificada pela Great Pumpkin Commonwealth, organização responsável por estabelecer padrões e regras para competições internacionais de frutos gigantes.
Apesar do resultado, Jutras não havia iniciado o cultivo com o objetivo de disputar o recorde. A planta deveria servir como polinizadora, ajudando na obtenção de sementes para um exemplar competitivo na temporada seguinte.
O crescimento acelerado, porém, mudou os planos. A abóbora atingiu 2.200 libras – exatamente 997,90 kg -, venceu a competição de 2025 e, segundo o produtor, garantiu um prêmio de US$ 3 mil.

Abóbora gigante superou recorde estabelecido em 2021
O Guinness World Records reconhece oficialmente Joe Jutras como responsável pela abóbora mais pesada do mundo. O fruto pertence à espécie Cucurbita maxima e foi cultivado em North Scituate, Rhode Island.
Além do peso, as dimensões ajudam a demonstrar o tamanho alcançado. O exemplar apresentava 227 polegadas de circunferência, equivalentes a 576,6 centímetros ou 5,76 metros.
A medição entre o caule e a extremidade da flor chegou a 118 polegadas, aproximadamente 299,7 centímetros. O fruto, portanto, tinha quase três metros nessa direção.
A conquista superou o recorde anterior, pertencente a Todd e Donna Skinner. Em 10 de outubro de 2021, a dupla apresentou uma abóbora verde de 2.164 libras, ou 981,57 kg, durante uma pesagem realizada em Dublin, Ohio.
A diferença entre os dois exemplares foi de 36 libras, aproximadamente 16,3 kg. Embora pequena diante do peso total, ela foi suficiente para colocar Jutras novamente na liderança mundial da categoria.
O resultado oficial da disputa de 2025 também aparece nos registros da pesagem de Frerichs Farm. A tabela coloca Joe Jutras em primeiro lugar, com 2.200 libras, e informa North Scituate como sua cidade de origem.
Somente um fruto aparece inscrito na categoria daquela pesagem. O registro identifica a semente-mãe como “920 Jutras” e o polinizador como “1628 Sikorski”.
Fruto seria usado para produzir sementes
A trajetória do exemplar começou sem a intenção de conquistar uma premiação. Jutras plantou a abóbora para utilizá-la no processo de polinização e obter sementes destinadas à competição de 2026.
Segundo o relato do agricultor ao Brown Daily Herald, o desempenho inesperado da planta fez com que ele reconsiderasse o planejamento.
O fruto cresceu rapidamente e mostrou potencial para disputar uma competição ainda em 2025. Diante disso, Jutras decidiu levá-lo ao evento promovido pelos Southern New England Giant Pumpkin Growers.
No início de seu desenvolvimento, conforme declarou o produtor, a abóbora ganhava aproximadamente 25 libras por dia, o equivalente a 11,3 kg. Posteriormente, esse ritmo teria dobrado, atingindo até 50 libras diárias, cerca de 22,7 kg.
A taxa representa o período de crescimento mais acelerado informado por Jutras, e não uma média mantida durante todo o ciclo. De acordo com seu relato, o exemplar já pesava 1.200 libras, aproximadamente 544 kg, ao final do primeiro mês.
O agricultor afirmou ter ficado surpreso com o desempenho da planta. O que seria apenas um componente do planejamento para a temporada seguinte acabou se transformando em um fruto maior do que todos os exemplares oficialmente registrados até então.
Após vencer a competição, Jutras recebeu o prêmio principal de US$ 3 mil, conforme informou o Brown Daily Herald. O valor não aparece na ficha pública do Guinness nem na tabela da pesagem.

Cuidados podiam ocupar até 12 horas do dia
Cultivar um fruto desse tamanho exigiu atenção constante. Jutras declarou que pode passar até 12 horas por dia cuidando de suas plantas, especialmente nos períodos de trabalho mais intenso.
A rotina relatada inclui aplicação de inseticidas e fungicidas, acompanhamento da fertilização e instalação de armadilhas para impedir a aproximação de gambás. O produtor também precisa observar o desenvolvimento do fruto para reduzir o risco de danos.
Segundo Jutras, o equilíbrio na aplicação de fertilizantes é fundamental. O excesso pode provocar rachaduras ou até fazer com que uma abóbora se rompa, eliminando o exemplar de uma competição.
A dedicação ao cultivo passou a ocupar ainda mais espaço depois de sua aposentadoria. Antes disso, ele trabalhava como marceneiro e conciliava a atividade profissional com a jardinagem.
Jutras contou que trabalhar ao ar livre era uma forma de descanso depois de passar o dia em uma marcenaria barulhenta. Com a aposentadoria, passou a dedicar mais tempo ao cultivo competitivo de frutos gigantes.
Mesmo assim, a frase de que ele trabalhou 12 horas todos os dias durante toda a temporada não corresponde ao relato publicado. A informação disponível é que os cuidados podiam chegar a 12 horas em determinados dias, e não que essa jornada tenha sido mantida diariamente.
Recordista cultiva frutos gigantes desde a década de 1990
A conquista de 2025 não foi a primeira de Jutras. O agricultor participa de competições de frutos gigantes há aproximadamente 28 anos e já havia ocupado a liderança mundial da mesma categoria.
Em 2017, ele apresentou uma abóbora verde de 2.118 libras, equivalentes a 960,70 kg. Na ocasião, o fruto também foi pesado em Frerichs Farm e reconhecido como o mais pesado do mundo.
A marca permaneceu como referência até ser superada pelo exemplar de 2.164 libras cultivado por Todd e Donna Skinner em 2021. Quatro anos depois, Jutras recuperou o título com o fruto de 2.200 libras.
Sua experiência competitiva não se limita às abóboras verdes. Ao longo de sua trajetória, ele também conquistou recordes relacionados a uma abóbora tradicional e a uma cabaça comprida.
O interesse começou quando Jutras comprou sementes de abóbora Atlantic Giant em uma loja de ferragens, mesmo sem experiência anterior nesse tipo de cultivo. A primeira tentativa resultou em um fruto de 212 libras, aproximadamente 96 kg.
Posteriormente, ele recebeu orientação de John Castellucci, produtor de Smithfield conhecido na comunidade de cultivadores de abóboras gigantes. Jutras também passou a participar de encontros, pesagens e redes formadas por agricultores especializados.
Exemplar recordista foi levado para exposição
Depois da competição, a abóbora de 997,9 kg foi transportada para o Jack-O-Lantern Spectacular, evento sazonal realizado no Roger Williams Park Zoo, em Providence.
Para retirar o fruto do local de cultivo, a equipe utilizou cordas presas a uma estrutura em formato de tripé. A abóbora foi erguida e colocada cuidadosamente em um reboque.
O evento no zoológico reúne milhares de abóboras esculpidas e iluminadas. O exemplar de Jutras, porém, chamou atenção por sua coloração verde, dimensões incomuns e condição de recordista mundial.
Aos 70 anos, o produtor afirmou que considera reduzir o ritmo devido a problemas nos joelhos. Isso não significa, contudo, que tenha abandonado as competições.
Jutras mencionou a possibilidade de tentar recuperar o recorde de cabaça mais longa. Também demonstrou interesse em continuar perseguindo marcas maiores, mesmo reconhecendo que cada novo recorde torna a disputa seguinte mais difícil.
O fruto que deveria apenas ajudar a preparar a temporada de 2026 encerrou seu ciclo como campeão de 2025. Com quase uma tonelada, devolveu a Jutras um recorde que ele já havia conquistado oito anos antes e ampliou uma trajetória construída durante quase três décadas de cultivo competitivo.

