O agricultor procurava uma vaca desaparecida na mata de Urubici, em Santa Catarina, quando ouviu o som de água e encontrou uma gruta; a família abriu uma picada, depois doou as terras à Igreja, e o espaço passou a receber estrutura religiosa, missas mensais, fiéis e visitantes da Serra Catarinense.
Um agricultor entrou na mata fechada de Urubici, na Serra Catarinense, procurando uma vaca que havia se perdido e acabou encontrando algo completamente diferente. Depois de ouvir um barulho de água entre a vegetação e seguir o som, ele chegou a uma formação rochosa que mais tarde se tornaria a Gruta Nossa Senhora de Lourdes, hoje frequentada por fiéis e visitantes.
A história já havia sido registrada pela RBS TV em reportagem publicada em 16 de julho de 2013, que relatou que a gruta foi encontrada por um fazendeiro enquanto procurava uma vaca perdida na mata de Urubici. O relato familiar apresentado posteriormente acrescenta detalhes sobre a abertura do acesso, a devoção à Nossa Senhora de Lourdes e a transformação progressiva do local em espaço religioso.
Agricultor entrou na mata atrás de uma vaca e ouviu água

Segundo o relato de João, de 91 anos, foi seu pai quem encontrou o local. Ele morava em uma área mais baixa e entrou na vegetação depois que uma vaca desapareceu, num período em que a mata ainda era bastante fechada e o acesso à região era muito diferente do atual.
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Na primeira investida, o agricultor não chegou imediatamente à gruta. Ao retornar à região posteriormente, continuou caminhando pela mata até perceber um som incomum. O ruído de água vindo entre as pedras mudou o rumo da busca.
Som levou o agricultor até uma gruta escondida
Ao tentar identificar de onde vinha a água, ele avançou pela vegetação e chegou à formação rochosa. Ali havia uma gruta natural associada a uma queda d’água, escondida em uma área que, segundo a narrativa familiar, era então percorrida principalmente por trilhas abertas por animais.
O ano exato da descoberta não foi preservado. João afirmou apenas que a gruta já havia sido encontrada antes de seu nascimento, evitando estabelecer uma data que a própria memória familiar não consegue determinar com precisão.
Avó quis colocar imagem de Nossa Senhora de Lourdes no local

A descoberta rapidamente ganhou significado religioso dentro da família. Quando soube da existência da gruta, a avó de João manifestou o desejo de colocar ali uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes.
O problema era chegar até o ponto. A mata ainda dificultava a passagem, e o pai de João explicou que seria necessário abrir um caminho antes que ela pudesse conhecer o lugar. Foi então aberta uma pequena picada na vegetação para permitir o acesso.
Imagem foi encomendada, mas avó morreu antes de recebê-la

Depois de visitar a gruta, a avó decidiu providenciar uma imagem da santa para o espaço. Segundo João, a encomenda foi feita, mas a imagem ainda não havia chegado quando ela morreu.
A intenção, entretanto, permaneceu na família. Com o passar do tempo, imagens religiosas começaram a ocupar diferentes pontos da formação de pedra, consolidando a associação do local com a devoção a Nossa Senhora de Lourdes.
Durante anos, acesso ocorria por pequenas trilhas na mata
Antes da estrutura existente atualmente, chegar à gruta exigia atravessar caminhos muito mais rudimentares. João relatou que, durante anos, o acesso era feito por pequenas trilhas formadas na vegetação, algumas utilizadas também por animais silvestres.
A transformação ocorreu gradualmente. O que havia sido encontrado por um agricultor procurando um animal perdido começou a receber pessoas interessadas tanto no ambiente natural quanto na devoção que a família passou a desenvolver naquele espaço.
Família doou as terras para a Igreja

Em uma etapa posterior da história, a família decidiu doar as terras onde ficava a gruta para a Igreja. A partir daí, a comunidade passou a participar mais diretamente da preparação do espaço para celebrações religiosas.
As primeiras intervenções foram simples. Um piso de madeira chegou a ser instalado, mas a elevada umidade do local dificultava sua conservação. Com o tempo, outras soluções foram utilizadas para tornar a área mais adequada à permanência dos fiéis.
Estrutura passou a ter altar, bancos e espaço para celebrações
A gruta recebeu gradualmente uma estrutura religiosa mais completa. O relato descreve altar, bancos, púlpito e espaço destinado ao coral, permitindo que celebrações fossem realizadas dentro do ambiente formado pelo paredão de pedra.
Também foram feitas áreas em concreto. Segundo a reportagem transcrita, parte dessas intervenções ocorreu antes das regras ambientais atualmente aplicáveis, razão apresentada no próprio material para explicar a configuração existente no local.
Obras antigas revelaram restos ósseos, mas origem não foi determinada
João também recordou um episódio ocorrido quando era jovem. Durante intervenções realizadas na gruta, ele afirmou ter encontrado restos ósseos sob uma área que estava sendo trabalhada.
O próprio relato não estabelece de quem eram aqueles restos. João disse não saber se seriam indígenas ou de outra origem. Sem identificação técnica apresentada na fonte, não é possível atribuir procedência ou período aos ossos, que permanecem apenas como parte da memória narrada sobre as obras.
Missas passaram a reunir fiéis dentro da gruta

Com a consolidação da estrutura, a Gruta Nossa Senhora de Lourdes deixou de ser apenas uma formação natural conhecida pela família e passou a funcionar como espaço de devoção comunitária.
Segundo o relato, missas são celebradas uma vez por mês, reunindo fiéis e também pessoas que visitam a Serra Catarinense. Em períodos de maior movimento, o silêncio da mata passa a dividir espaço com orações e celebrações.
Trilhas levam a outros pontos da formação rochosa
A área não se limita ao espaço onde ficam os bancos e o altar. Existem trilhas que conduzem a outros setores, incluindo o topo da queda d’água e uma fenda entre as pedras onde foram colocadas imagens religiosas.
Entre elas está uma imagem maior de Nossa Senhora de Lourdes, reforçando uma intenção que, segundo a memória de João, já existia desde os primeiros anos após a descoberta feita por seu pai.
Placas e fotografias passaram a registrar pedidos e agradecimentos
Ao longo dos anos, o altar natural também recebeu marcas deixadas pelos visitantes. Placas, fotografias e registros de agradecimento passaram a ocupar partes do espaço.
A prática está ligada a pessoas que vão até a gruta para fazer pedidos ou retornar depois de acontecimentos que interpretam como graças alcançadas. O próprio João contou histórias de promessas feitas por sua família e de períodos de oração realizados no local.
Gruta virou ponto de peregrinação na Serra Catarinense
A transformação é especialmente marcante quando comparada à origem do lugar. O agricultor não estava procurando um ponto turístico, uma igreja ou uma formação geológica quando entrou na mata: estava simplesmente tentando localizar uma vaca desaparecida.
Décadas depois, aquela descoberta passou a integrar o circuito de visitação religiosa de Urubici. A Prefeitura do município também identifica a Gruta Nossa Senhora de Lourdes como ponto de peregrinação religiosa, localizada em meio a paredões e uma queda d’água.
Agricultor procurava uma vaca e acabou deixando uma história que atravessou gerações
O que começou como uma tarefa cotidiana no campo acabou produzindo uma consequência que ninguém poderia prever naquele momento. Um agricultor entrou na floresta atrás de uma vaca, seguiu o barulho da água e encontrou uma gruta que sua família ajudaria a transformar em espaço de devoção.
Hoje, o local reúne natureza, memória familiar, turismo e fé, enquanto João segue contando a história transmitida por seus parentes. Se você estivesse procurando um animal perdido e encontrasse por acaso um lugar assim escondido na mata, preservaria o espaço como estava ou apoiaria sua transformação em ponto de visitação? Conte nos comentários.

