Produção brasileira de açúcar cai 23% e impulsiona preços internacionais, enquanto café recua com desvalorização do real, cacau enfrenta previsão de déficit global e suco de laranja despenca 5,10% na Bolsa de Nova York
Os preços das commodities agrícolas tiveram um dia de altos e baixos na Bolsa de Nova York, nesta quinta-feira (29). Enquanto o açúcar ganhou força com a redução da produção brasileira, o café, o cacau e o suco de laranja enfrentaram pressão nas negociações.
Açúcar sobe após Brasil registrar queda na moagem de cana
Os contratos futuros do açúcar encerraram a sessão em alta. O vencimento para março avançou 0,67%, chegando a 19,47 centavos de dólar por libra-peso.
O movimento ocorreu após a divulgação de novos números sobre a produção brasileira. Os dados mostraram uma redução tanto no processamento da cana-de-açúcar quanto na fabricação do produto.
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Segundo informações compiladas pela Barchart, o Ministério da Agricultura informou que as usinas brasileiras moeram 32 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de outubro.
No mesmo período do ano passado, foram 39 milhões de toneladas. A diferença representa uma queda de 18%.
A produção de açúcar caiu ainda mais. Foram fabricadas 2,15 milhões de toneladas na primeira metade de outubro, volume 23% inferior ao registrado um ano antes.
O clima está entre os principais problemas. As chuvas persistentes associadas ao El Niño interromperam atividades de colheita e dificultaram o funcionamento das usinas.
A StoneX informou nesta quinta-feira que as previsões meteorológicas indicam mais chuva nas regiões produtoras brasileiras durante os próximos sete dias.
Isso mantém o mercado atento à possibilidade de novos atrasos na moagem e à disponibilidade do produto.

Cacau tem pouca reação mesmo com previsão de déficit mundial
O cacau também chamou atenção, mas por outro motivo. Mesmo com novas projeções de redução na oferta global, os contratos futuros praticamente não reagiram.
O vencimento para dezembro ficou estável, cotado a US$ 5.456 por tonelada. Já o contrato para março recuou 0,22%, terminando em US$ 5.563.
A StoneX revisou suas estimativas e agora prevê um déficit mundial de 64 mil toneladas na temporada 2026/27.
Antes, a consultoria esperava um superávit de 25 mil toneladas. Ou seja, a projeção passou de uma oferta superior à demanda para um cenário de escassez.
A produção mundial poderá cair 9,6%, chegando a 4,74 milhões de toneladas.
A estimativa considera possíveis impactos de um El Niño intenso sobre lavouras da Indonésia, Costa do Marfim e Equador.
Para a temporada 2025/26, entretanto, a StoneX ainda projeta um superávit de 494 mil toneladas.
Apesar da mudança nas expectativas para a safra seguinte, os preços permaneceram próximos das mínimas de um mês.
Café brasileiro recua com expectativa de aumento nas exportações
O café arábica terminou a quinta-feira em queda na Bolsa de Nova York.
O contrato para dezembro perdeu 0,45%, fechando a US$ 2,85 por libra-peso, novamente no menor patamar de um mês.
Segundo a Barchart, um dos fatores que pressionaram as cotações foi a expectativa de aumento das vendas brasileiras no mercado internacional.
Isso está ligado ao câmbio. O real acumulou desvalorização de 8% na semana, apesar de recuperar parte das perdas.
Com a moeda brasileira mais fraca, os dólares recebidos pelas exportações passam a render mais reais.
Esse cenário pode incentivar produtores e exportadores a vender maiores volumes de café, aumentando a disponibilidade do grão no mercado.
Por enquanto, trata-se de uma expectativa acompanhada pelos investidores, e não de uma confirmação de crescimento nos embarques brasileiros.
Algodão sobe com avanço das vendas externas dos Estados Unidos
O algodão apresentou valorização de 0,45%, com o vencimento para dezembro encerrando a sessão a 78,50 centavos de dólar por libra-peso.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostraram vendas para exportação de 216.488 fardos na semana encerrada em 22 de outubro.
O volume cresceu 8,45% em relação à semana anterior e 63,07% na comparação anual. As vendas da nova safra somaram outros 38.345 fardos.
Entretanto, os embarques efetivos diminuíram. Foram 160.762 fardos, queda semanal de 18,13% e retração anual de 8,02%.
Os números mostram uma diferença entre o ritmo de contratação de vendas e o volume realmente enviado ao exterior.
Suco de laranja registra a maior queda percentual entre os produtos acompanhados
O suco de laranja encerrou a quinta-feira com forte desvalorização na Bolsa de Nova York.
O contrato futuro para janeiro caiu 5,10%, terminando cotado a US$ 1,36 por libra-peso.
Entre os cinco produtos agrícolas acompanhados na sessão, o suco de laranja apresentou a maior queda percentual.
Os dados disponíveis não apontam uma causa específica para esse recuo.
Assim, o fechamento da quinta-feira mostrou comportamentos diferentes: açúcar e algodão avançaram, o café perdeu valor, o cacau ficou praticamente estável e o suco de laranja registrou a queda mais acentuada.
Informações de CNN.

