1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / A maior ponte da Finlândia acaba de ser inaugurada e os carros simplesmente não podem passar nela, apenas bondes, bicicletas e pedestres têm permissão para cruzar os 1,2 km da gigante de pilar de 135 metros sobre o Mar Báltico
Tempo de leitura 5 min de leitura Comentários 0 comentários

A maior ponte da Finlândia acaba de ser inaugurada e os carros simplesmente não podem passar nela, apenas bondes, bicicletas e pedestres têm permissão para cruzar os 1,2 km da gigante de pilar de 135 metros sobre o Mar Báltico

Publicado em 24/05/2026 às 01:05
Atualizado em 24/05/2026 às 01:07
Assista o vídeoA maior ponte da Finlândia em Helsinque proíbe carros e permite apenas bondes e bicicletas. Kruunuvuorensilta tem 1,2 km sobre o Mar Báltico.
A maior ponte da Finlândia em Helsinque proíbe carros e permite apenas bondes e bicicletas. Kruunuvuorensilta tem 1,2 km sobre o Mar Báltico.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
4 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Helsinque inaugurou em 18 de abril a ponte Kruunuvuorensilta, a mais longa e mais alta da Finlândia, com 1.191 metros de extensão e um pilar em formato de diamante de 135 metros. Segundo a bicycledutch, a ponte custou 326 milhões de euros e foi projetada exclusivamente para pedestres, ciclistas e bondes elétricos, proibindo permanentemente a passagem de carros. Mais de 50 mil pessoas visitaram a estrutura no fim de semana de inauguração, e o trajeto entre a ilha de Laajasalo e o centro da cidade foi reduzido pela metade.

A maior ponte da Finlândia tem uma regra que contraria quase tudo o que se espera de uma estrutura desse porte: carros não entram. A Kruunuvuorensilta, inaugurada em 18 de abril de 2026 em Helsinque, foi projetada exclusivamente para pedestres, ciclistas e uma futura linha de bondes elétricos que deve começar a operar no início de 2027. A ponte tem 1.191 metros de extensão, convés a 20 metros acima do Mar Báltico e um pilar em formato de diamante que se ergue a 135 metros, tornando-se uma das estruturas mais altas da capital finlandesa, superando a torre do Estádio Olímpico e a torre de Kalasatama.

O impacto na mobilidade urbana é imediato. A ponte conecta a ilha de Laajasalo ao centro de Helsinque, reduzindo pela metade a distância de bicicleta entre as duas regiões: de 11 quilômetros para apenas 5,5. Mais de 50 mil pessoas visitaram a ponte no fim de semana de inauguração, em um evento oficial conduzido pelo prefeito Daniel Sazonov e pela vice-prefeita Johanna Laisaari. O projeto, que custou 326 milhões de euros, faz parte da estratégia Crown Bridges Light Rail, um corredor de 8 quilômetros de bondes que integrará bairros em crescimento acelerado ao coração da cidade.

Por que a ponte proíbe carros

Ponte Kruunuvuorensilta
Ponte Kruunuvuorensilta

A decisão de excluir carros da ponte não foi acidental nem posterior ao projeto. Desde o concurso internacional de design vencido em 2013 pela WSP Finlândia em parceria com o escritório londrino Knight Architects, a premissa era clara: a estrutura seria dedicada a transporte sustentável. Em Helsinque, 41% das viagens já são feitas a pé, 25% por transporte público e 11% de bicicleta, deixando apenas cerca de 20% para automóveis.

imagem: kruunusillat
imagem: kruunusillat

A ponte reflete uma política urbana que prioriza modos de deslocamento que não geram emissões e ocupam menos espaço. Para motoristas que precisam cruzar a mesma região, a alternativa é usar uma ponte mais antiga por um trajeto mais longo. A aposta é que, com a integração dos bondes em 2027, a linha se torne tão eficiente que a demanda por carro diminua naturalmente nos bairros conectados. A população de Laajasalo deve dobrar até 2040, e a infraestrutura foi dimensionada para absorver esse crescimento sem depender de automóveis.

O pilar de diamante e a engenharia que resiste a 200 anos

A ponte Kruunuvuorensilta é uma estrutura estaiada, sustentada por cabos de aço conectados ao pilar central de 135 metros em formato de diamante. O projeto foi concebido para uma vida útil de até 200 anos, com materiais de baixo carbono e uso de energia renovável durante a construção. A pegada de carbono total estimada é de 129 mil toneladas de CO2 equivalente.

Os cabos possuem anéis anti-gelo projetados para impedir a formação de blocos perigosos durante o inverno finlandês. A ponte também inclui um mirante no ponto mais alto, com bancos e espaço ampliado para que pedestres possam parar e apreciar a vista do Mar Báltico e do horizonte de Helsinque sem atrapalhar o fluxo de ciclistas. As curvas sinuosas do design oferecem panoramas diferentes a cada trecho: em um instante se avista o Báltico, no seguinte surge a silhueta da cidade.

Os problemas que apareceram logo na inauguração

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Apesar do sucesso público, a ponte revelou falhas nos primeiros dias. As juntas de dilatação em ambas as extremidades apresentaram desnível excessivo, perigoso para ciclistas que descem em alta velocidade pela rampa. Uma pessoa já se feriu no local, e placas de advertência e faixas táteis foram adicionadas após a inauguração.

Autoridades municipais admitiram que o erro foi cometido, apesar de funcionários terem alertado sobre o risco antes da abertura. A comparação com pontes de tamanho semelhante em outros países mostra que é possível construir juntas mais suaves. As grelhas de drenagem posicionadas no meio da ciclovia em alguns trechos também foram criticadas, embora em outros pontos tenham sido colocadas na calçada. A correção está prevista, mas o episódio mostrou que mesmo projetos de 326 milhões de euros podem errar em detalhes que afetam diretamente a segurança dos usuários.

O que a ponte muda para Helsinque e para o mundo

A Kruunuvuorensilta A Kruunuvuorensilta posiciona Helsinque como referência global em mobilidade urbana sustentável. A ponte não é uma ciclovia sobre um rio estreito: são 1,2 quilômetros sobre o Mar Báltico em uma das capitais mais frias do planeta, projetados para funcionar mesmo sob neve, gelo e ventos severos. Quando os bondes entrarem em operação em 2027, o corredor completo de 8 quilômetros ligará bairros residenciais em crescimento ao centro sem que nenhum carro precise ser usado no trajeto. Os bondes elétricos percorrerão faixas de grama plantadas ao longo do corredor,

No novo bairro de Laajasalo, construído sobre antigos terrenos industriais, muitos moradores já estão optando por não comprar carro. Hanna Harris, diretora de design urbano de Helsinque, afirmou que a densidade de desenvolvimento é suficiente para que serviços, escolas e comércio fiquem ao alcance de quem caminha ou pedala. A ponte é a peça que conecta tudo isso ao centro da cidade, sem congestionamento, sem emissões e sem estacionamento.

Você moraria em um bairro onde a principal ponte não permite carros? Acha que esse modelo de mobilidade funcionaria em cidades brasileiras ou é exclusividade de capitais europeias com menos trânsito? Conta nos comentários.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

Compartilhar em aplicativos
Ir para o vídeo em destaque
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x