Formação geológica no interior do Rio Grande do Norte preserva registros de vulcanismo antigo, chama atenção pela paisagem da caatinga e reúne interesse científico, ambiental e turístico em uma área protegida.
No interior do Rio Grande do Norte, Angicos abriga o Pico do Cabugi, uma formação geológica associada a antigos processos vulcânicos e localizada às margens da BR-304.
Cercado pela vegetação da caatinga, o relevo chega a cerca de 590 metros de altitude e é apontado por pesquisadores como um dos registros mais conhecidos do vulcanismo antigo no estado.
Apesar de ser chamado popularmente de vulcão extinto, o Cabugi é descrito por geólogos como uma estrutura vulcânica preservada, formada a partir do magma que se consolidou dentro de um antigo conduto.
-
Trabalhadores reformavam um playground no norte da Inglaterra quando encontraram 176 bombas da Segunda Guerra Mundial enterradas sob o solo; artefatos ainda tinham carga
-
Enquanto pneus usados, garrafas, latinhas e até papelão seriam descartados como lixo comum, esse arquiteto transforma há 40 anos resíduos em casas sustentáveis inspiradas nas Earthships, com energia solar, água da chuva reaproveitada, esgoto tratado no próprio terreno e produção de alimentos dentro da moradia
-
Segurança que fazia rondas em hospital da Louisiana virou médico no mesmo prédio onde trabalhava, estudava química entre um turno e outro e voltou de jaleco branco para atender pacientes
-
Mulher resgatada em condomínio de luxo no Ceará trabalhou desde criança, começava o dia às 4h30, ficou 55 anos sem salário e agora pode ter direito a mais de R$ 1,5 milhão
Na terminologia técnica, trata-se de um neck ou plug vulcânico, ou seja, a porção endurecida de rocha que permaneceu no caminho por onde o magma subiria em direção à superfície.
“Trata-se de uma formação vulcânica, correspondendo ao neck, passagem por onde sobe o magma de um vulcão, com rochas formadas há cerca de 25 milhões de anos”, explica o geólogo Marcos Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Pico do Cabugi preserva rochas de origem vulcânica
A composição do Pico do Cabugi reúne rochas de origem vulcânica e formações mais antigas do embasamento cristalino.
Na área central, há presença de basaltos, rochas escuras formadas a partir do resfriamento de material magmático.
No entorno, aparecem gnaisses e pegmatitos, classificados, respectivamente, como rochas metamórficas e ígneas.
Segundo Marcos Nascimento, esse conjunto de rochas ajuda a explicar a origem vulcânica atribuída à formação.
“No local, além de basaltos, que são rochas vulcânicas, na sua porção central, tem ao redor em relevo a presença de gnaisse e pegmatito, rochas de natureza metamórfica e ígnea”, afirma o pesquisador.
O que se observa hoje, no entanto, não corresponde a uma cratera em atividade.
A forma cônica vista por quem passa pela rodovia resulta de processos geológicos prolongados, entre eles erosão e desmoronamento de partes laterais da antiga estrutura.
Essa ação natural ajudou a expor a rocha solidificada que permaneceu no conduto vulcânico.
Por que o Cabugi não teve erupções explosivas
O professor Zorano Sérgio de Souza, também da UFRN, afirma que o Cabugi está ligado a um tipo de vulcanismo não explosivo.
De acordo com o geólogo, a composição do magma é um dos fatores que diferenciam essa formação de vulcões conhecidos por erupções violentas, como o Vesúvio, na Itália.
“É um vulcanismo não explosivo, ele não tinha gases como o Vesúvio, por exemplo, e por isso nunca teve erupção”, diz o geólogo.
Conforme a explicação do professor, a baixa proporção de gases e de sílica no magma reduziu a possibilidade de explosões.
Em vez de romper a superfície de forma violenta, o material se consolidou no interior do conduto vulcânico.
“O Cabugi não explodiu porque o magma solidificou-se ainda no interior do edifício vulcânico. Ele representa o ‘plug’ ou a ‘rolha’ de rocha sólida que ficou no conduto que ligava a câmara magmática à superfície”, detalha Souza.
A explicação técnica também ajuda a diferenciar o uso popular da palavra “vulcão” da descrição adotada pela geologia.
Para o público, o formato do Cabugi remete à imagem clássica de um vulcão.
Para os especialistas, a estrutura preservada corresponde principalmente ao registro endurecido de um sistema magmático antigo.
Brasil não tem vulcões ativos atualmente
O Pico do Cabugi não representa risco de erupção.
O Serviço Geológico do Brasil informa que o país não possui vulcões ativos, embora o território brasileiro tenha registros de manifestações vulcânicas em períodos geológicos antigos.
A posição do Brasil no interior da Placa Sul-Americana ajuda a explicar a ausência de atividade vulcânica atual.
Em geral, vulcões ativos estão concentrados em bordas de placas tectônicas, áreas com maior instabilidade geológica.
Como o território brasileiro fica afastado dessas zonas, formações como o Cabugi são tratadas como registros do passado geológico.
Há, porém, diferenças nas referências usadas para indicar a idade da formação.
Estudos sobre o Magmatismo Macau, ao qual o Cabugi está associado, mencionam eventos datados em cerca de 25 milhões de anos.
Trabalhos clássicos sobre o Pico do Cabugi também registram datação aproximada de 19,7 milhões de anos para o magmatismo continental relacionado diretamente ao pico.
Por isso, a forma mais precisa de apresentar a informação é tratar o Cabugi como uma formação vulcânica de milhões de anos, ligada a um dos registros mais recentes de magmatismo continental no Brasil.
A referência aos 25 milhões de anos aparece associada ao contexto mais amplo do Vulcanismo Macau.
Parque Ecológico Pico do Cabugy protege área de caatinga
O Pico do Cabugi integra o Parque Ecológico Pico do Cabugy, unidade de conservação estadual criada em 1988 pela Lei Estadual nº 5.823.
De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN), a unidade tem 625,98 hectares, além de uma zona de amortecimento de 2.302,95 hectares.
A área tem como finalidade proteger a formação geológica, a fauna, a flora e a vegetação da caatinga.
Também são previstas atividades de pesquisa científica, educação ambiental e visitação controlada, desde que autorizadas e acompanhadas conforme as normas da unidade de conservação.
O geógrafo Ilton Soares, do Idema-RN, afirma que a erosão teve papel importante na aparência atual do pico.
“Esse processo resultou em uma formação considerada rara no Brasil. Esta é uma das grandes características de unidade, o que torna aquele local exuberante. É um monumento geológico de uma quase exclusividade”, afirma.
Por se tratar de uma unidade de proteção integral, as atividades realizadas no parque precisam seguir regras de preservação.
A fiscalização cabe ao Idema, com apoio de órgãos ambientais e de segurança pública.
Pesquisas científicas, visitas técnicas e ações turísticas também dependem de autorização do instituto.
Cabugi integra a paisagem cultural do Rio Grande do Norte
Além do interesse geológico, o Cabugi integra a paisagem cultural do Rio Grande do Norte.
O pico é usado como referência visual no sertão potiguar e aparece em relatos ligados à história, à geografia e ao turismo regional.
O texto original informa que o nome Cabugi vem do tupi-guarani e significa “peito de moça”, em referência ao formato do relevo.
Como não foi localizada confirmação segura em fonte oficial ou acadêmica consultada, a informação foi retirada do corpo principal da matéria.
Também há registros de que a formação já foi chamada de Serra de Itaretama, mas o significado atribuído a esse nome exige a mesma cautela.
Para quem percorre a BR-304, o Pico do Cabugi é um ponto de referência na paisagem semiárida.
Para pesquisadores, a formação funciona como área de estudo sobre processos vulcânicos antigos, erosão e evolução do relevo no Nordeste brasileiro.
Entre a denominação popular de vulcão extinto e a descrição técnica de neck vulcânico, o Cabugi permanece como uma das formações geológicas mais conhecidas do Rio Grande do Norte.
