1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / A cidade brasileira que esconde um vulcão de 25 milhões de anos no meio da caatinga e guarda uma das formações geológicas mais raras e impressionantes do país
Localização RN Tempo de leitura 6 min de leitura Comentários 0 comentários

A cidade brasileira que esconde um vulcão de 25 milhões de anos no meio da caatinga e guarda uma das formações geológicas mais raras e impressionantes do país

Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/04/2026 às 23:56
Atualizado em 25/04/2026 às 23:59
Conheça o Pico do Cabugi, no RN, formação vulcânica de milhões de anos que intriga cientistas e se destaca na caatinga potiguar.
Conheça o Pico do Cabugi, no RN, formação vulcânica de milhões de anos que intriga cientistas e se destaca na caatinga potiguar.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
11 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Formação geológica no interior do Rio Grande do Norte preserva registros de vulcanismo antigo, chama atenção pela paisagem da caatinga e reúne interesse científico, ambiental e turístico em uma área protegida.

No interior do Rio Grande do Norte, Angicos abriga o Pico do Cabugi, uma formação geológica associada a antigos processos vulcânicos e localizada às margens da BR-304.

Cercado pela vegetação da caatinga, o relevo chega a cerca de 590 metros de altitude e é apontado por pesquisadores como um dos registros mais conhecidos do vulcanismo antigo no estado.

Apesar de ser chamado popularmente de vulcão extinto, o Cabugi é descrito por geólogos como uma estrutura vulcânica preservada, formada a partir do magma que se consolidou dentro de um antigo conduto.

Na terminologia técnica, trata-se de um neck ou plug vulcânico, ou seja, a porção endurecida de rocha que permaneceu no caminho por onde o magma subiria em direção à superfície.

“Trata-se de uma formação vulcânica, correspondendo ao neck, passagem por onde sobe o magma de um vulcão, com rochas formadas há cerca de 25 milhões de anos”, explica o geólogo Marcos Nascimento, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Pico do Cabugi preserva rochas de origem vulcânica

A composição do Pico do Cabugi reúne rochas de origem vulcânica e formações mais antigas do embasamento cristalino.

Na área central, há presença de basaltos, rochas escuras formadas a partir do resfriamento de material magmático.

No entorno, aparecem gnaisses e pegmatitos, classificados, respectivamente, como rochas metamórficas e ígneas.

Segundo Marcos Nascimento, esse conjunto de rochas ajuda a explicar a origem vulcânica atribuída à formação.

“No local, além de basaltos, que são rochas vulcânicas, na sua porção central, tem ao redor em relevo a presença de gnaisse e pegmatito, rochas de natureza metamórfica e ígnea”, afirma o pesquisador.

O que se observa hoje, no entanto, não corresponde a uma cratera em atividade.

A forma cônica vista por quem passa pela rodovia resulta de processos geológicos prolongados, entre eles erosão e desmoronamento de partes laterais da antiga estrutura.

Essa ação natural ajudou a expor a rocha solidificada que permaneceu no conduto vulcânico.

Por que o Cabugi não teve erupções explosivas

O professor Zorano Sérgio de Souza, também da UFRN, afirma que o Cabugi está ligado a um tipo de vulcanismo não explosivo.

De acordo com o geólogo, a composição do magma é um dos fatores que diferenciam essa formação de vulcões conhecidos por erupções violentas, como o Vesúvio, na Itália.

“É um vulcanismo não explosivo, ele não tinha gases como o Vesúvio, por exemplo, e por isso nunca teve erupção”, diz o geólogo.

Conforme a explicação do professor, a baixa proporção de gases e de sílica no magma reduziu a possibilidade de explosões.

Em vez de romper a superfície de forma violenta, o material se consolidou no interior do conduto vulcânico.

“O Cabugi não explodiu porque o magma solidificou-se ainda no interior do edifício vulcânico. Ele representa o ‘plug’ ou a ‘rolha’ de rocha sólida que ficou no conduto que ligava a câmara magmática à superfície”, detalha Souza.

A explicação técnica também ajuda a diferenciar o uso popular da palavra “vulcão” da descrição adotada pela geologia.

Para o público, o formato do Cabugi remete à imagem clássica de um vulcão.

Para os especialistas, a estrutura preservada corresponde principalmente ao registro endurecido de um sistema magmático antigo.

Brasil não tem vulcões ativos atualmente

O Pico do Cabugi não representa risco de erupção.

O Serviço Geológico do Brasil informa que o país não possui vulcões ativos, embora o território brasileiro tenha registros de manifestações vulcânicas em períodos geológicos antigos.

A posição do Brasil no interior da Placa Sul-Americana ajuda a explicar a ausência de atividade vulcânica atual.

Em geral, vulcões ativos estão concentrados em bordas de placas tectônicas, áreas com maior instabilidade geológica.

Como o território brasileiro fica afastado dessas zonas, formações como o Cabugi são tratadas como registros do passado geológico.

Há, porém, diferenças nas referências usadas para indicar a idade da formação.

Estudos sobre o Magmatismo Macau, ao qual o Cabugi está associado, mencionam eventos datados em cerca de 25 milhões de anos.

Trabalhos clássicos sobre o Pico do Cabugi também registram datação aproximada de 19,7 milhões de anos para o magmatismo continental relacionado diretamente ao pico.

Por isso, a forma mais precisa de apresentar a informação é tratar o Cabugi como uma formação vulcânica de milhões de anos, ligada a um dos registros mais recentes de magmatismo continental no Brasil.

A referência aos 25 milhões de anos aparece associada ao contexto mais amplo do Vulcanismo Macau.

Parque Ecológico Pico do Cabugy protege área de caatinga

O Pico do Cabugi integra o Parque Ecológico Pico do Cabugy, unidade de conservação estadual criada em 1988 pela Lei Estadual nº 5.823.

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN), a unidade tem 625,98 hectares, além de uma zona de amortecimento de 2.302,95 hectares.

A área tem como finalidade proteger a formação geológica, a fauna, a flora e a vegetação da caatinga.

Também são previstas atividades de pesquisa científica, educação ambiental e visitação controlada, desde que autorizadas e acompanhadas conforme as normas da unidade de conservação.

O geógrafo Ilton Soares, do Idema-RN, afirma que a erosão teve papel importante na aparência atual do pico.

“Esse processo resultou em uma formação considerada rara no Brasil. Esta é uma das grandes características de unidade, o que torna aquele local exuberante. É um monumento geológico de uma quase exclusividade”, afirma.

Por se tratar de uma unidade de proteção integral, as atividades realizadas no parque precisam seguir regras de preservação.

A fiscalização cabe ao Idema, com apoio de órgãos ambientais e de segurança pública.

Pesquisas científicas, visitas técnicas e ações turísticas também dependem de autorização do instituto.

Cabugi integra a paisagem cultural do Rio Grande do Norte

Além do interesse geológico, o Cabugi integra a paisagem cultural do Rio Grande do Norte.

O pico é usado como referência visual no sertão potiguar e aparece em relatos ligados à história, à geografia e ao turismo regional.

O texto original informa que o nome Cabugi vem do tupi-guarani e significa “peito de moça”, em referência ao formato do relevo.

Como não foi localizada confirmação segura em fonte oficial ou acadêmica consultada, a informação foi retirada do corpo principal da matéria.

Também há registros de que a formação já foi chamada de Serra de Itaretama, mas o significado atribuído a esse nome exige a mesma cautela.

Para quem percorre a BR-304, o Pico do Cabugi é um ponto de referência na paisagem semiárida.

Para pesquisadores, a formação funciona como área de estudo sobre processos vulcânicos antigos, erosão e evolução do relevo no Nordeste brasileiro.

Entre a denominação popular de vulcão extinto e a descrição técnica de neck vulcânico, o Cabugi permanece como uma das formações geológicas mais conhecidas do Rio Grande do Norte.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x