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A China quer substituir o petrodólar por uma moeda lastreada em eletricidade, usando sua liderança em energia renovável para desafiar o dólar americano

Publicado em 28/08/2025 às 19:36
China aposta em eletriyuan baseado em energia limpa, ameaça reservas globais em dólar e redefine governança financeira que os EUA controlaram desde 1973
China aposta em eletriyuan baseado em energia limpa, ameaça reservas globais em dólar e redefine governança financeira que os EUA controlaram desde 1973
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China prepara moeda lastreada em eletricidade e desafia 50 anos de domínio do petrodólar. Pequim aposta em megausinas e hidrelétricas para transformar energia em ativo financeiro e enfraquecer o dólar americano.

A China está planejando um movimento que pode mudar a economia mundial: criar uma moeda lastreada em eletricidade. A ideia é usar sua liderança em energia renovável como base para substituir o sistema do petrodólar, em vigor desde os anos 1970, quando os EUA firmaram acordo com a Arábia Saudita para que o petróleo fosse vendido exclusivamente em dólares. Analistas como Cyrus Janssen apontam que, se Pequim avançar com esse plano, pode alterar de forma estrutural a governança financeira global.

Na prática, o projeto consiste em transformar a energia elétrica – cada vez mais essencial para economias modernas – no novo pilar de transações internacionais. Com isso, contratos de exportação de eletricidade seriam pagos em yuan, forçando países a manter reservas na moeda chinesa e diminuindo a dependência do dólar.

Como funcionou o petrodólar e por que está ameaçado

O petrodólar foi a base do poder econômico dos EUA nas últimas cinco décadas. Cada país que precisava importar petróleo era obrigado a comprar dólares para pagar, o que manteve a moeda americana em alta demanda. Esse sistema sustentou a influência de Washington não apenas no comércio, mas também na política internacional.

Agora, o cenário mudou. O petróleo perde espaço para energias renováveis, e a eletricidade se tornou a fonte universal do século XXI, impulsionada por carros elétricos, data centers de inteligência artificial e metas globais de descarbonização. É nesse ponto que a China, líder mundial em geração renovável, enxerga a chance de estabelecer um novo padrão.

O plano da moeda lastreada em eletricidade

A proposta é simples: assim como o petróleo deu origem ao petrodólar, a eletricidade poderia sustentar o “eletriyuan”. A China, responsável por algumas das maiores hidrelétricas e usinas solares do planeta, usaria sua capacidade de geração e transmissão para transformar energia em ativo financeiro.

Contratos internacionais de fornecimento de energia passariam a ser liquidados em yuan, criando um mercado previsível e estável para eletricidade como commodity global. Esse movimento, aliado a projetos de infraestrutura como linhas de transmissão de alta voltagem no Brasil, na África e no Sudeste Asiático, consolidaria Pequim como eixo energético e financeiro do mundo emergente.

O contraste entre EUA e China na corrida energética

Enquanto a China multiplica usinas e investe em projetos bilionários, os EUA enfrentam dificuldades para modernizar sua rede elétrica. A explosão da demanda por IA e veículos elétricos pressiona o sistema americano, que não cresce de forma consistente desde 2005. A diferença de estratégia é clara: Pequim planeja décadas à frente, financiando obras mesmo sem retorno imediato, enquanto Washington depende de investimentos privados de curto prazo.

Esse atraso pode ser decisivo. Se os EUA foram protagonistas no petróleo, a China já é protagonista na eletricidade. De usinas nucleares avançadas a barragens que produzem mais energia que países inteiros, os números mostram uma vantagem estrutural crescente.

Energia como arma geopolítica

A mudança não se limita ao campo econômico. Assim como o petrodólar deu aos EUA poder político, o eletriyuan daria à China influência global. Países que dependem de energia chinesa ou de sua infraestrutura seriam obrigados a negociar diretamente em sua moeda. Isso amplia o peso do yuan nas reservas internacionais e acelera o processo de desdolarização.

Segundo Cyrus Janssen, “essa pode ser a maior transformação financeira desde o acordo do petrodólar”. Para o analista, o projeto une dois pontos fortes de Pequim: capacidade de produção de energia limpa e planejamento estratégico de longo prazo.

A possível criação de uma moeda lastreada em eletricidade pela China abre um novo capítulo na disputa pelo controle da economia mundial. Se o petrodólar garantiu aos EUA meio século de poder, o eletriyuan pode inaugurar uma era em que Pequim dita as regras. O que ainda parece distante pode se tornar realidade à medida que a eletricidade substitui o petróleo como base da vida moderna.

E você, acredita que o eletriyuan pode realmente substituir o petrodólar e mudar o futuro do dólar americano? Deixe sua opinião nos comentários — queremos saber como você vê essa disputa pelo poder global.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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