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A 604 metros sobre o Lysefjord, Preikestolen desafia o vazio com uma plataforma de apenas 25 por 25 metros, atrai mais de 300 mil aventureiros por ano e transforma um paredão moldado há mais de 10 mil anos em um dos penhascos mais espetaculares e temidos da Noruega

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 24/08/2026 às 17:53
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Preikestolen sobe 604 metros sobre o Lysefjord, termina em uma plataforma de 25 por 25 metros e recebe mais de 300 mil visitantes por ano na Noruega.

A 604 metros acima das águas do Lysefjord, um paredão praticamente vertical termina abruptamente em uma plataforma quase plana de apenas 25 por 25 metros. É o Preikestolen, formação rochosa de Rogaland que se tornou um dos grandes símbolos naturais da Noruega. Segundo o Visit Norway, mais de 300 mil pessoas por ano percorrem a montanha para chegar à borda do penhasco, onde não existem grades ou barreiras separando os visitantes de uma queda de centenas de metros.

A aparência monumental esconde uma história geológica ainda mais impressionante. Embora a rocha que compõe o Preikestolen tenha perto de 1 bilhão de anos, sua forma atual está associada às eras glaciais e ao recuo das enormes massas de gelo que escavaram o Lysefjord.

A fundação responsável pelo local situa a formação do ícone há mais de 10 mil anos. Hoje, para alcançar aquela pequena superfície suspensa sobre o fiorde, o visitante enfrenta uma caminhada de aproximadamente 8 quilômetros ida e volta, com cerca de quatro a cinco horas de duração

Preikestolen sobe 604 metros praticamente sobre as águas do Lysefjord

O Preikestolen está localizado no município de Strand, no condado de Rogaland, na região oeste da Noruega. O paredão faz parte do Neverdalsfjellet e se projeta sobre o Lysefjord, um dos grandes fiordes da região.

O Geological Survey of Norway, o NGU, confirma que o topo está aproximadamente 604 metros acima do fiorde. A superfície é surpreendentemente pequena quando comparada à escala do paredão: cerca de 25 metros de comprimento por 25 metros de largura.

Na prática, são aproximadamente 625 m² de superfície no topo de uma estrutura que emerge acima de uma parede rochosa com centenas de metros. Vista do fiorde, a plataforma parece ter sido cortada artificialmente da montanha devido ao formato quase geométrico de suas faces.

A plataforma de 25 por 25 metros não possui grades de proteção

Uma das características que mais impressionam os visitantes é justamente aquilo que não existe no topo. A Stiftelsen Preikestolen, organização responsável pela administração do local, confirma que não há grades nem barreiras na borda do penhasco.

A orientação oficial é manter distância segura do limite, supervisionar crianças e evitar comportamentos de risco.

Preikestolen sobe 604 metros sobre o Lysefjord, termina em uma plataforma de 25 por 25 metros e recebe mais de 300 mil visitantes por ano na Noruega.
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Isso preserva a aparência natural da formação, mas também significa que a sensação de exposição é real. Quem caminha até o limite encontra diretamente a rocha e, logo depois dela, centenas de metros de vazio até o Lysefjord.

Para pessoas com medo de altura, a própria fundação reconhece que o último mirante pode ser desconfortável, embora grande parte do caminho até lá não passe por precipícios diretamente expostos.

A rocha tem quase 1 bilhão de anos, mas o penhasco ganhou sua forma muito depois

Dizer que o Preikestolen se formou há aproximadamente 10 mil anos não significa que sua rocha tenha essa idade.

O NGU identifica o substrato como granodiorito porfirítico, uma rocha resistente próxima de 1 bilhão de anos, relacionada ao antigo evento geológico Sveconorueguês. O bloco que vemos atualmente é, portanto, formado por material centenas de milhões de anos mais antigo que o próprio fiorde.

O que mudou profundamente foi a paisagem.

Durante sucessivas eras glaciais, enormes geleiras ocuparam a região. Seu movimento erodiu e aprofundou antigos vales, produzindo o característico formato em U encontrado nos grandes fiordes noruegueses. O Lysefjord foi esculpido dessa maneira ao longo de sucessivos períodos glaciais.

Geleiras transformaram um antigo vale no gigantesco Lysefjord

A história oficial do Preikestolen explica que, milhões de anos atrás, a área do atual Lysefjord era um vale moldado por rios e córregos.

Durante aproximadamente 1 milhão a 2 milhões de anos de sucessivas glaciações, geleiras ampliaram e aprofundaram esse corredor natural. Por volta do final da última era glacial, cerca de 10 mil anos atrás, o gelo começou a desaparecer e o mar avançou sobre o vale escavado.

O resultado foi o Lysefjord atual.

Segundo o NGU, o fiorde possui cerca de 42 quilômetros de comprimento e chega a aproximadamente 456 metros de profundidade em seu ponto mais profundo, sem considerar sedimentos sobre o fundo.

O mesmo processo que produziu o enorme corredor de água também deixou as encostas cada vez mais íngremes e vulneráveis à fragmentação.

Gelo, água e fraturas naturais ajudaram a esculpir o bloco quase quadrado

O formato do Preikestolen não surgiu porque uma única massa de gelo cortou um cubo perfeito na montanha.

A rocha da região possui grandes sistemas de fraturas e falhas que se cruzam aproximadamente em ângulos retos. Essas estruturas naturais ajudaram a produzir o aspecto quase cúbico visto atualmente.

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Depois que as geleiras desapareceram, as encostas perderam o suporte proporcionado pelo gelo. Água entrou nas rachaduras e passou a sofrer ciclos de congelamento e descongelamento. Quando congela, a água se expande e exerce pressão sobre as paredes da fissura.

Ao longo do tempo, blocos se desprenderam e deslizamentos ajudaram a esculpir a parede. Segundo a história publicada pela Preikestolen 365, três grandes fraturas tiveram papel importante na criação das faces que hoje definem a formação.

Uma rachadura gigantesca atravessa o penhasco, mas geólogos dizem que ele está estável

Quem observa fotografias do topo percebe uma grande fissura separando visualmente parte do bloco do restante da montanha.

A aparência alimenta uma pergunta inevitável: o Preikestolen pode despencar no Lysefjord?

O Geological Survey of Norway afirma que estudos recentes apontam que não existe indicação de colapso iminente. A fissura visível inclina-se na direção considerada desfavorável a um deslizamento do bloco para o fiorde, e análises indicaram que as fraturas não atravessam a estrutura de maneira capaz de provocar o desprendimento temido.

O volume completo da formação, do topo até a região onde encontra a encosta, é estimado pelo NGU em aproximadamente 120 mil metros cúbicos.

Geologicamente, porém, nada é permanente. O próprio órgão afirma que processos de erosão continuam atuando e que a estrutura provavelmente não sobreviveria intacta a uma futura era glacial.

Para chegar ao topo são cerca de 8 quilômetros de caminhada

O tamanho do penhasco pode fazer parecer que a subida exige escalada técnica, mas o acesso principal ocorre por uma trilha.

O percurso possui aproximadamente 4 quilômetros em cada sentido, totalizando cerca de 8 quilômetros ida e volta. A Preikestolen 365 classifica a caminhada como de dificuldade moderada e estima aproximadamente quatro a cinco horas para completar todo o trajeto.

O ganho total de elevação gira em torno de 500 metros. O terreno muda bastante durante o percurso, atravessando áreas rochosas, florestas, regiões úmidas e escadarias de pedra.

Não é uma trilha adequada para carrinhos de bebê, cadeiras de rodas ou pessoas com mobilidade reduzida, segundo a administração oficial.

Sherpas nepaleses reconstruíram trechos para suportar centenas de milhares de pessoas

O crescimento explosivo do turismo começou a impor outro problema: erosão causada pelos próprios visitantes.

Entre 2013 e 2018, sherpas do Nepal trabalharam em grandes seções do caminho. Pedras foram posicionadas manualmente para criar degraus, estabilizar terrenos e tornar a passagem simultaneamente mais segura e resistente ao fluxo crescente de caminhantes.

Preikestolen sobe 604 metros sobre o Lysefjord, termina em uma plataforma de 25 por 25 metros e recebe mais de 300 mil visitantes por ano na Noruega.
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A infraestrutura teve de acompanhar uma transformação radical na escala do turismo.

Na década de 1920, propriedades próximas registravam aproximadamente 100 hóspedes por ano. Na década de 1990, a visitação ao Preikestolen já alcançava cerca de 50 mil pessoas.

Em 2004, o número chegou a aproximadamente 75 mil. Em 2018, atingiu cerca de 300 mil visitantes.

Mais de 300 mil pessoas por ano disputam espaço no paredão

Hoje, o Visit Norway informa que mais de 300 mil amantes da natureza visitam o Preikestolen anualmente.

Em anos recentes, o movimento chegou ainda mais alto. A Stiftelsen Preikestolen registrou 348 mil caminhantes no verão de 2022, exemplificando a dimensão que o destino alcançou.

O contraste com os 625 m² aproximados da plataforma explica por que dias de pico produzem imagens de dezenas de pessoas agrupadas sobre o mesmo bloco.

A administração já registrou até 7 mil visitantes em um único dia de verão, enquanto determinados dias de inverno recebem menos de 100 pessoas. Por isso, a orientação para quem deseja evitar as maiores multidões é começar cedo ou realizar a caminhada mais tarde durante os longos dias do verão norueguês.

Cinema e redes sociais ajudaram a transformar a rocha em símbolo mundial

A paisagem quase impossível acabou ultrapassando o turismo tradicional. O Preikestolen apareceu em produções internacionais, sendo uma das locações de destaque de “Mission: Impossible – Fallout”, filme estrelado por Tom Cruise.

A divulgação oficial do destino registra que cerca de 2 mil pessoas subiram a montanha durante a noite para assistir à estreia norueguesa do filme no próprio local.

Muito antes disso, fotografias já impulsionavam a fama do penhasco. A combinação de plataforma plana, precipício vertical e o fiorde centenas de metros abaixo produz uma imagem imediatamente reconhecível.

A ascensão das redes sociais acelerou o fluxo. A própria fundação atribui parte do crescimento observado desde os anos 2000 à exposição em meios de comunicação e ao compartilhamento de fotos e experiências pelos visitantes.

Um bloco de 625 m² virou uma das paisagens mais reconhecidas da Noruega

O que torna o Preikestolen tão impressionante não é apenas a altura. É a soma de escalas aparentemente incompatíveis: uma rocha com origem próxima de 1 bilhão de anos, uma paisagem remodelada por geleiras durante sucessivas eras glaciais, um fiorde de 42 quilômetros e uma pequena plataforma de apenas 25 por 25 metros colocada 604 metros acima da água.

Para chegar até ela, centenas de milhares de pessoas percorrem anualmente uma trilha de oito quilômetros.

Nos dias mais movimentados, milhares atravessam degraus reconstruídos por sherpas nepaleses antes de chegar a um ponto final que permanece praticamente como a natureza o deixou: pedra, vento e uma borda sem grades.

Mais de 120 anos depois dos primeiros excursionistas documentados, o mesmo contraste continua atraindo visitantes.

O Preikestolen não precisou de uma plataforma artificial construída sobre o vazio. A última era glacial, as fraturas da rocha, a erosão e milhares de anos de congelamento e degelo fizeram esse trabalho, deixando sobre o Lysefjord uma superfície de 625 m² que se tornou o penhasco mais famoso da Noruega.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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