Ensaios dos três primeiros furos mostram mineralização de cobre em diferentes pontos do projeto São Francisco, mas a largura verdadeira das zonas ainda não foi determinada e a empresa não apresentou estimativa de recursos ou reservas para a área em Pernambuco.
A Prospectiva Resources divulgou na terça-feira (20) os primeiros resultados da campanha de sondagem de 2026 no projeto São Francisco, em Pernambuco. O furo SF_26_003 apresentou 7,15 metros com teor médio de 4,78% de cobre, além de trechos internos com concentrações mais elevadas.
Os números constam no comunicado da Prospectiva sobre a campanha. A empresa ressalta que os intervalos divulgados correspondem ao comprimento percorrido pelos furos e que a largura verdadeira das zonas mineralizadas ainda não foi estabelecida.
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No SF_26_003, o intervalo de 7,15 metros inclui 3,60 metros a 9,17% de cobre. Dentro desse trecho, a companhia também reportou 0,75 metro a 15,9%, além de teores associados de ouro e zinco nas amostras analisadas.
Os outros dois furos com ensaios disponíveis também interceptaram mineralização. O SF_26_002 registrou 2,50 metros a 3,24% de cobre, incluindo 1,50 metro a 5,05%, enquanto o SF_26_001 apresentou quatro metros a 1,93%, com um trecho interno de 1,10 metro a 6,03%.
Os teores representam a concentração média do metal nas amostras obtidas durante a perfuração e foram calculados com ponderação pelo comprimento. A Prospectiva informou ainda que utilizou teor de corte nominal de 0,20% de cobre na definição das interseções divulgadas.
O que os primeiros furos permitem afirmar
Os resultados mostram que a perfuração encontrou cobre nos três furos cujos ensaios laboratoriais já foram divulgados. Eles ainda não permitem definir, por si só, o tamanho de um corpo mineralizado, seu volume, a quantidade recuperável de metal ou a viabilidade econômica de uma eventual operação.

Essa limitação decorre também da geometria da sondagem. Como os comprimentos publicados são medidos ao longo do furo, 3,60 metros de intervalo perfurado não significam necessariamente 3,60 metros de espessura real da zona mineralizada.
Para determinar essa dimensão, a campanha precisa reunir dados suficientes sobre a orientação, a continuidade e a geometria das estruturas interceptadas. Furos adicionais também ajudam a verificar se os teores observados em um ponto se repetem lateralmente ou em profundidade.
A empresa informou que os novos furos foram posicionados aproximadamente 600 metros a leste do afloramento de descoberta, seguindo uma direção interpretada para a continuidade do sistema mineralizado. Essa interpretação ainda depende das próximas perfurações e dos ensaios pendentes.
São Francisco também possui resultados de perfurações anteriores usados pela companhia para orientar a campanha atual. No comunicado, a Prospectiva cita o furo histórico SF_006, que havia registrado um intervalo de 7,50 metros com teor médio de 6,41% de cobre.
O modelo adotado pela empresa interpreta a mineralização como um sistema de sulfetos maciços vulcanogênicos, conhecido pela sigla VMS, posteriormente deformado e metamorfizado. Essa classificação orienta a exploração, mas não equivale à definição de recurso mineral ou reserva.
A continuidade ainda precisa ser demonstrada
Quando os primeiros ensaios foram divulgados, seis furos da campanha inicial já haviam sido concluídos, mas apenas três tinham resultados laboratoriais disponíveis. Os ensaios dos outros três permaneciam pendentes, enquanto duas sondas continuavam em atividade no projeto.
A campanha inicial prevê dez furos. A sequência de resultados permitirá comparar diferentes posições e testar se as zonas mineralizadas mantêm continuidade suficiente para sustentar um modelo geológico mais consistente.
Novos furos podem ampliar, restringir ou modificar a interpretação construída a partir das primeiras interseções. Um teor elevado em determinado intervalo, isoladamente, não estabelece que a mesma concentração esteja presente em uma área maior nem que exista volume suficiente para futura extração.
A diferença entre um resultado de sondagem e uma reserva mineral é central nesse estágio. Os padrões técnicos do Canadian Institute of Mining, Metallurgy and Petroleum usados no contexto do NI 43-101 distinguem recursos e reservas e exigem níveis diferentes de conhecimento geológico e avaliação técnica.
No caso das reservas, a análise vai além da presença e do teor do metal. É necessário considerar fatores de mineração, processamento, infraestrutura e economia capazes de sustentar a conclusão de que uma parte do recurso pode ser extraída de forma tecnicamente e economicamente justificável.
A Prospectiva não apresentou estimativa de recursos ou reservas para São Francisco no anúncio dos três primeiros resultados. A companhia informou que pretende avançar a exploração em direção à possível definição de um recurso mineral inicial em 2027, objetivo que ainda depende das informações obtidas durante a campanha.
Antes disso, os resultados pendentes dos furos já concluídos e as próximas perfurações deverão mostrar se a mineralização observada nos três primeiros ensaios se repete de forma consistente em outros pontos. É essa continuidade que permitirá à empresa refinar a interpretação geológica do projeto e decidir os passos seguintes da exploração.

