A nova proprietária do Canaã Copper recebeu dados, testemunhos de sondagem e amostras produzidos em campanhas anteriores. O programa previsto para Tapuia e Gueroba ainda depende do licenciamento ambiental, enquanto a empresa revisa informações que não foram integralmente verificadas de forma independente.
A Bravo Mining adquiriu 100% do projeto Canaã Copper, em Canaã dos Carajás, no Pará, e planeja aproximadamente 8.400 metros de sondagem para avaliar mineralizações de cobre e ouro identificadas em trabalhos anteriores. A perfuração ainda não começou e depende das autorizações necessárias.
A aquisição foi anunciada na terça-feira (20) em comunicado da Bravo Mining sobre o Canaã Copper. A propriedade tem cerca de 6.185 hectares, fica imediatamente a nordeste da cidade de Canaã dos Carajás e integra a Província Mineral de Carajás.
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Entre os dados históricos recebidos com o projeto, um dos principais resultados em Tapuia está no furo OPCTD-011: 28,45 metros com teor médio de 2,43% de cobre e 0,78 grama de ouro por tonelada, a partir de 241,55 metros ao longo do furo.
O número, porém, ainda precisa ser interpretado como um resultado histórico de exploração. A Bravo informa que esses dados foram gerados entre 2019 e 2024 pela AVB Mineração, então subsidiária da OZ Minerals, antes da participação da companhia na propriedade, e que a verificação independente ainda não foi concluída.
Há outra limitação técnica para a leitura dos 28,45 metros. Os intervalos divulgados correspondem ao comprimento medido ao longo do testemunho de sondagem, enquanto a largura verdadeira da mineralização permanece desconhecida; em Tapuia, a empresa espera que ela seja menor que o comprimento reportado.
Por isso, o intervalo não permite determinar sozinho o tamanho de um depósito nem a quantidade de metal que poderia ser economicamente extraída. A Bravo também informa que nenhuma estimativa de recurso ou reserva mineral conforme o padrão NI 43-101 foi estabelecida para a propriedade.
Primeira etapa concentra 5.300 metros em Tapuia
Dos aproximadamente 8.400 metros planejados, cerca de 5.300 metros devem ser perfurados em Tapuia. O programa prevê furos de preenchimento e de expansão em uma malha aproximada de 50 por 50 metros para testar melhor a geometria, a continuidade e possíveis extensões da mineralização.
As campanhas anteriores em Tapuia somaram 2.582 metros distribuídos por 11 furos, com espaçamento maior que o previsto para a nova etapa. Outro resultado histórico divulgado no alvo foi de 18 metros com 2,72% de cobre e 0,42 grama de ouro por tonelada.
A página técnica do projeto Canaã Copper informa que a Bravo recebeu o banco de dados de exploração, testemunhos de sondagem e polpas de amostras produzidos anteriormente. A empresa está validando o material, redescrevendo testemunhos e revendo as interpretações geológica, estrutural e geofísica.
Essas etapas antecedem o uso dos resultados históricos em uma interpretação própria do projeto. A companhia afirma que o objetivo do trabalho em Tapuia é definir melhor a mineralização e suas possíveis extensões, com a possibilidade de sustentar futuramente uma primeira estimativa de recurso mineral compatível com o NI 43-101.
Depois de Tapuia, o planejamento prevê aproximadamente 3.100 metros de sondagem em Gueroba. Nesse alvo, os registros históricos incluem 15,85 metros com 1,74% de cobre e 0,14 grama de ouro por tonelada, em uma área que recebeu dez furos e 1.263 metros de perfuração.
O projeto ainda inclui Campo Grande, onde trabalhos anteriores encontraram intervalos mais estreitos com cobre e níquel associados principalmente a rochas máficas e ultramáficas. A Bravo pretende manter nessa área e em outras partes da propriedade trabalhos de mapeamento, amostragem geoquímica e levantamentos geofísicos.
Base histórica reúne 27 furos
Os trabalhos realizados antes da aquisição somaram 5.009 metros de sondagem diamantada em 27 furos, além de 2.287 amostras de solo e cerca de 460 quilômetros lineares de levantamentos geofísicos aéreos. O espaçamento histórico das perfurações ainda deixa a geometria e a continuidade da mineralização insuficientemente definidas.
Canaã Copper está na mesma região mineral de empreendimentos conhecidos, entre eles a mina Sossego e o depósito Cristalino. Essa proximidade não significa que a nova propriedade tenha mineralização, continuidade, teor ou escala semelhantes, ressalva que também consta na documentação técnica divulgada pela própria Bravo.
A aquisição foi concluída com base em um acordo assinado em 23 de julho deste ano com a Riverine Holdings LTD. A contraprestação será paga integralmente em dinheiro, sem emissão de ações da Bravo vinculada à transação; o comunicado não informa o valor da operação.
A empresa informou que já obteve acordos de acesso com proprietários de terras, enquanto o licenciamento ambiental necessário à perfuração permanece em andamento. A etapa seguinte depende dessas autorizações e da execução dos novos furos, que servirão para testar a continuidade da mineralização e verificar até que ponto os resultados históricos podem sustentar avaliações técnicas posteriores.
