O Virtus 2027 deve deixar a fábrica do Paraná e voltar ao ABC para abrir espaço à picape Tukan, conforme a Autoesporte; a caixa de oito marchas já estreou no T-Cross e no Tera, e no SUV a VW informa até 7% de economia na cidade
O Volkswagen Virtus 2027 deve voltar a ser feito em São Bernardo do Campo (SP) em janeiro e, com a mudança, trocar o câmbio automático de 6 pelo de 8 marchas nas versões de 128 cv.
A informação foi publicada neste sábado (26) pela Autoesporte. Segundo a revista, o sedã compacto deve receber a caixa nova da Aisin quando a produção mudar de endereço. A tendência vale para a Comfortline e a Highline.
Hoje, o Virtus sai de São José dos Pinhais (PR). O carro já foi feito em São Bernardo, foi inteiro para o Paraná em 2025 e agora deve fazer o caminho de volta, conforme a mesma apuração.
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A volta ao ABC deve abrir espaço para a picape Tukan
O motivo tem nome: Tukan. É a picape intermediária que a Volkswagen prepara para produzir em série em São José dos Pinhais. O sedã compacto deve sair para abrir espaço a ela, informa a Autoesporte.

Em julho, a revista previa a mudança entre o fim de 2026 e o começo de 2027. Agora, a data apontada é janeiro, quando o Virtus 2027 deve entrar em produção no ABC Paulista.
Com a saída do sedã compacto, o complexo paranaense deve ficar só com o T-Cross e a Tukan. Toda a produção do Virtus deve voltar para a fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo, segundo a revista.
Só as versões 200 TSI devem ganhar a caixa de oito marchas
Na linha 2026, o Virtus tem cinco versões. A troca de câmbio no Virtus 2027 mira duas delas, a Comfortline e a Highline, as únicas com o motor 200 TSI, informa a Autoesporte.

Nessas duas, a caixa atual é a AQ200, automática de seis marchas, da mesma fornecedora Aisin. A tendência, diz a revista, é que as duas passem a ter oito velocidades.
A versão TSI usa o mesmo motor com 116 cv e 16,8 kgfm e deve manter o câmbio manual de cinco marchas, segundo a publicação. Quem gosta de pedal de embreagem não deve perder a opção.
Mais marchas, giro mais baixo na estrada
A lógica é simples. Com o câmbio de oito marchas, o salto entre uma relação e outra fica menor, explica a Volkswagen no anúncio do T-Cross 2027, que já usa o conjunto.
Em velocidade de cruzeiro, o motor gira mais baixo, o que ajuda no consumo. Na cidade, as marchas mais curtas deixam arrancadas e retomadas mais progressivas, segundo a montadora.
As trocas também ficam menos perceptíveis, porque a diferença entre uma marcha e a seguinte diminui. A VW afirma que a condução fica mais silenciosa, principalmente no trânsito urbano.
A caixa não é novidade no grupo. O câmbio AQ300 foi herdado do Taos, o irmão maior do T-Cross, conforme o anúncio da marca.
No T-Cross, a caixa nova rendeu até 7% de economia na cidade
O T-Cross 2027 estreou o câmbio de oito marchas em 4 de agosto, nas versões Sense, 200 TSI e Comfortline, conforme a Volkswagen. É o mesmo motor 200 TSI que o Virtus usa hoje na Comfortline e na Highline.
Usando a Sense como referência, a VW informa ganho de 5% no consumo urbano com etanol e de até 7% com gasolina, na comparação com a caixa antiga de seis marchas.
A fabricante também mostra o consumo de energia, que caiu de 1,64 para 1,56 MJ/km. A conta é direta: 0,08 dividido por 1,64 dá 4,9% menos energia por quilômetro.
A novidade chegou ao SUV mais vendido do Brasil. Em junho, o T-Cross somou 11.752 emplacamentos, o maior volume mensal da história para um SUV no país, segundo a Volkswagen.
Quanto o Virtus 200 TSI faz hoje com a caixa de seis
Pela etiqueta do Inmetro da linha 2026, o Virtus Comfortline e o Highline fazem 8,3 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada com etanol. Com gasolina, são 12,1 e 14,7 km/l.
Numa estimativa do Click Petróleo e Gás, que não é dado da VW nem do Inmetro: se o sedã compacto repetir os 5% do T-Cross no etanol urbano, os 8,3 km/l passariam a cerca de 8,7 km/l (8,3 x 1,05 = 8,7).
Com gasolina, no teto de 7% informado para o SUV, os 12,1 km/l da cidade iriam para perto de 13 km/l (12,1 x 1,07 = 12,95). É só uma estimativa nossa, com percentuais de um SUV que tem outra carroceria.
O Tera ganhou o mesmo conjunto em setembro
Depois do T-Cross, veio o Tera. Em 5 de setembro, a Volkswagen anunciou o motor 200 TSI, de 128 cv e 20,4 kgfm, nas versões automáticas do SUV, com a transmissão de oito marchas.
Até então, esse motor não fazia parte da gama do Tera, feito em Taubaté (SP). O SUV passou de 100 mil unidades produzidas em menos de um ano, conforme a marca.
Lançado oficialmente em 2025, o Tera recebeu mais de 12 mil pedidos em menos de uma hora na abertura das vendas, segundo a fabricante.
Em 2026, o Tera virou o vice-líder de vendas entre os SUVs do país, atrás só do T-Cross, afirma a VW. De janeiro a julho, foram 21.404 unidades exportadas para 17 mercados da América Latina.
“A chegada do consagrado motor 200 TSI, combinado à transmissão automática de oito marchas, amplia as possibilidades oferecidas aos nossos clientes”, disse Leonardo Tosello, diretor de Vendas da Volkswagen do Brasil.
O Nivus deve trocar de câmbio junto com o Virtus
O Nivus, que já sai da Anchieta, também usa o motor 200 TSI, como a própria VW lembra no anúncio do Tera. A troca de caixa dele deve ser sincronizada com a do Virtus 2027, segundo a Autoesporte.
Os dois são compactos da plataforma MQB A0 e devem dividir a mesma fábrica. Na leitura da revista, os modelos de São Bernardo do Campo devem ser os últimos da VW a adotar o câmbio de oito marchas.
O motivo apontado é de chão de fábrica: possivelmente, ajustes nos processos de produção. Taubaté e o Paraná saíram na frente, com o Tera e o T-Cross já equipados.
128 cv com etanol e 20,4 kgfm com qualquer combustível
O motor é o 1.0 turbo flex de três cilindros da família EA211, com injeção direta. Na calibração 200 TSI, chega a 128 cv com etanol, detalha a Autoesporte.
O torque máximo é de 20,4 kgfm com gasolina ou etanol. Torque é a força que empurra o carro na saída e na retomada, e a VW diz que o 200 TSI entrega essa força já em baixa rotação.
Na versão TSI, o mesmo bloco rende 116 cv e 16,8 kgfm. A diferença é de 12 cv e 3,6 kgfm, cerca de 21% a mais de torque na calibração mais forte (3,6 dividido por 16,8).
Os números do nome batem com o torque em newton-metro, unidade que a VW usa no site do Virtus: 20,4 kgfm x 9,8 dá 199,9 N.m, ou 200 arredondado. No 250 TSI, 25,5 x 9,8 dá 249,9 N.m.
É por isso que o câmbio de oito marchas importa. Com mais relações, o motor passa mais tempo perto da faixa de torque ideal, o que melhora retomadas e ultrapassagens, segundo a Volkswagen.
As cinco versões do Virtus 2026 e o câmbio de cada uma
A linha à venda tem três motorizações, com câmbio manual de cinco ou automático de seis marchas. A divisão por versão, pelos dados da Autoesporte, é esta:
| Versão | Motor | Potência e torque | Câmbio na linha 2026 |
|---|---|---|---|
| Sense e TSI | 1.0 turbo flex TSI, 3 cilindros | 116 cv e 16,8 kgfm | manual de 5 ou automático de 6 |
| Comfortline | 1.0 turbo flex 200 TSI, 3 cilindros | até 128 cv e 20,4 kgfm | automático de 6 (AQ200) |
| Highline | 1.0 turbo flex 200 TSI, 3 cilindros | até 128 cv e 20,4 kgfm | automático de 6 (AQ200) |
| Exclusive | 1.4 turbo flex 250 TSI, 4 cilindros | 150 cv e 25,5 kgfm | automático de 6 |
A Sense chegou como a nova versão de entrada, com motor TSI, câmbio manual e painel digital de oito polegadas, conforme o anúncio da Volkswagen para a linha 2025.
No topo, a Exclusive usa o 1.4 turbo de 150 cv
A Exclusive é a única com o 250 TSI, um 1.4 turbo flex de quatro cilindros e 16 válvulas. São 150 cv e 25,5 kgfm, com câmbio automático de seis marchas, informa a Autoesporte.

No T-Cross 2027, as versões com o 250 TSI, Highline e Extreme, seguiram com a caixa automática de seis velocidades, segundo a VW. A troca ficou com o motor 1.0.
A Exclusive estreou com a reestilização da linha 2023. A Volkswagen diz que a versão foi inspirada no Santana EX, sedã da marca de 1990, e trouxe rodas de 18 polegadas escurecidas e quatro modos de condução.
Por dentro, a versão tem bancos de couro com costura e desenho próprios e o nome Exclusive gravado no acabamento ao lado da saída de ar do passageiro, conforme a descrição oficial.
Preços vão de R$ 114.390 a R$ 176.690
Na linha 2026, o sedã compacto, que disputa clientes com Onix Plus e HB20S, custa de R$ 114.390 a R$ 176.690, segundo os preços listados pela Autoesporte neste sábado (26). Entre a versão mais barata e a mais cara, são R$ 62.300 de diferença.
A conta: 176.690 menos 114.390. No T-Cross, a caixa de oito chegou junto com itens a mais, e a versão 200 TSI do SUV ganhou câmera de ré, chave presencial e sensores dianteiros, detalha a VW.
Porta-malas de 521 litros e 960 mm para as pernas atrás
Conforto para quem vai dentro sempre foi o destaque do Virtus, nas palavras da VW. O porta-malas leva 521 litros, medida que a montadora anuncia no site como a maior da categoria.

Quando apresentou o visual atual, a Volkswagen registrou 960 mm de espaço para as pernas e 952 mm para a cabeça de quem vai atrás. O banco traseiro tem saída de ar-condicionado e duas entradas USB-C.
Os bancos passaram a ser de couro a partir da Comfortline, com detalhes na cor Marrom Mocca na Highline, detalha a marca no mesmo anúncio.
Na mesma apresentação, para a linha 2023, a VW pôs controle de cruzeiro adaptativo e frenagem autônoma de emergência de série em todas as versões automáticas. Seis airbags também vieram de série.
O visual atual vem da reestilização da linha 2023
Por fora, o Virtus à venda hoje segue o desenho apresentado pela VW para a linha 2023. A dianteira ganhou capô mais alto e faróis full LED em todas as versões, segundo a montadora.
Atrás, as lanternas de LED avançam sobre a tampa do porta-malas, com o nome do modelo centralizado. A mesma reestilização deixou toda a linha só com motores turbo da família TSI, diz a fabricante.
A pintura Azul Biscay também estreou ali, ao lado de Branco Cristal, Cinza Platinum, Preto Ninja e Prata Sirius, de acordo com a Volkswagen.
A plataforma MQB A0 deixa a VW mudar carro de fábrica
A mudança rápida só é possível porque a Volkswagen aplicou a plataforma MQB A0 em todas as suas fábricas brasileiras, explica a Autoesporte. Os modelos nacionais podem transitar entre unidades.
A ideia é evitar linha ociosa numa fábrica e volume em excesso em outra. Com isso, São Bernardo do Campo, São José dos Pinhais e Taubaté trabalham quase sempre em dois turnos, segundo a revista.
O Polo é o exemplo mais claro. Toda a produção do Polo Track fica na Anchieta, enquanto as versões TSI saem de Taubaté, para deixar mais espaço ao Tera no interior paulista.
O fim previsto da Saveiro deve abrir a vaga na Anchieta
Pela apuração da Autoesporte, o Virtus deve ocupar na fábrica de São Bernardo do Campo o espaço aberto pelo fim previsto da Saveiro. A picape deve sair de linha no último trimestre de 2026, registra a Autoesporte.
Até lá, a Anchieta roda com dois turnos cheios e horas extras para formar o maior estoque possível da Saveiro. Em julho, a revista mostrou que a fábrica tinha até escalas quinzenais de trabalho aos sábados.
Por enquanto, o Virtus à venda tem a caixa de seis
O Virtus vendido hoje é da linha 2026, com a caixa automática de seis nas versões 200 TSI. O Virtus 2027 deve começar a sair junto com a produção em São Bernardo do Campo, em janeiro, segundo a Autoesporte.
Antes disso, a Anchieta deve fechar o ciclo da Saveiro. Em janeiro, a vaga da picape deve ficar com o sedã compacto, e o câmbio de oito marchas deve chegar junto na Comfortline e na Highline.
