Aluísio estudou em escolas públicas, conseguiu bolsas em cursinhos e trabalhou como vendedor ambulante para sustentar a família. A aprovação em Medicina veio depois da graduação em Veterinária, da alergia que limitou sua atuação com animais, da passagem pela UFJ e de uma preparação que atravessou nove anos de tentativas.
Segundo o Sagres Online, em março de 2023, Aluísio Gustavo, então com 40 anos, já estava matriculado em Medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG). Antes de chegar ao campus de Goiânia, o vendedor ambulante havia frequentado por 41 dias o mesmo curso na Universidade Federal de Jataí (UFJ), após nove anos de preparação.
Em fevereiro de 2025, ele iniciava o terceiro ano da graduação e reorganizava o trabalho para acompanhar as exigências acadêmicas. Durante o período de aulas, passou a dar reforço escolar e corrigir provas; nas férias, mantinha a venda de algodão doce e brinquedos, atividade que ajudou a financiar sua longa busca pela vaga.
Escolas públicas e bolsas abriram o primeiro caminho

Aluísio Gustavo cresceu em uma família de cinco irmãos e acompanhou a mãe enfrentar longas jornadas de trabalho para atender às necessidades da casa. Sua formação básica passou por diferentes escolas públicas de Goiânia e Aparecida de Goiânia, em uma trajetória marcada por mudanças e limitações financeiras.
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Na tentativa de ampliar as chances no vestibular, ele buscou bolsas em cursinhos particulares. Estudou por dois anos, não alcançou a aprovação que desejava e interrompeu a preparação. A primeira pausa não encerrou o objetivo, mas empurrou o projeto para uma fase em que estudo e sobrevivência precisariam dividir o mesmo espaço.
Professores reencontraram o aluno trabalhando nas ruas
Depois de deixar os estudos, Aluísio Gustavo passou a vender algodão doce e brinquedos. Foi durante o trabalho como vendedor ambulante que antigos professores o encontraram e o incentivaram a voltar ao cursinho, oferecendo uma nova oportunidade para retomar a preparação.
O retorno à sala de aula resultou na aprovação para Veterinária na UFG, curso iniciado em 2006. A mudança de rumo não significava que o interesse por Medicina havia desaparecido; diante das dificuldades econômicas, aquela graduação representava uma possibilidade concreta de formação superior. O apoio dos professores foi decisivo para recolocar o estudante no caminho universitário.
Formação em Veterinária antecedeu a retomada de Medicina
Aluísio Gustavo concluiu Veterinária na UFG em 2013 e recebeu a possibilidade de seguir para o mestrado. Entretanto, ele relatou ter desenvolvido alergias relacionadas ao contato com animais, além de carregar um histórico de problemas respiratórios desde a infância, o que limitava sua atuação profissional.
Ao avaliar a continuidade acadêmica, ouviu de um professor que deveria reconsiderar o antigo desejo de cursar Medicina. Ele desistiu do mestrado e voltou ao cursinho no ano seguinte. A graduação anterior não foi apagada da trajetória, mas se tornou a etapa que o levou a enfrentar novamente o objetivo deixado para trás.
Nove anos de cursinho foram conciliados com o trabalho ambulante

A preparação seguinte não ocorreu em dedicação exclusiva. Em parte do ano, Aluísio Gustavo percorria festas agropecuárias vendendo algodão doce e brinquedos; nos meses de estudo mais intenso, trabalhava nos fins de semana e ao final do dia, reservando o restante do tempo para as aulas e os exercícios do cursinho.
Essa rotina se repetiu por nove anos, com novas tentativas de ingresso em Medicina pelo Exame Nacional do Ensino Médio e sem garantia de resultado. O vendedor ambulante também precisava contribuir para o sustento da esposa e do filho, o que impedia o abandono completo da renda das ruas. A vaga foi perseguida dentro dos limites concretos impostos pelo trabalho e pelas responsabilidades familiares.
Passagem pela UFJ durou 41 dias antes da chegada à UFG

A primeira aprovação em Medicina levou Aluísio Gustavo à UFJ. Ele frequentou as aulas por 41 dias, até surgir a oportunidade de estudar na UFG, instituição onde já havia concluído Veterinária e na qual desejava realizar a nova formação.
A mudança encerrou um ciclo de tentativas e abriu outro desafio: permanecer no curso aos 40 anos enquanto continuava responsável pela renda familiar. A aprovação não eliminou as dificuldades financeiras nem dispensou o trabalho, mas transformou uma meta antiga em rotina universitária.
Terceiro ano exigiu uma nova organização da renda
No início do terceiro ano de Medicina, em fevereiro de 2025, a carga de estudos já havia alterado a forma como Aluísio Gustavo conciliava faculdade e sustento. Durante as aulas, ele aproveitava a experiência acumulada para oferecer reforço escolar e corrigir avaliações, atividades mais compatíveis com o calendário acadêmico.
Nas férias, o vendedor ambulante retornava às ruas para comercializar algodão doce e brinquedos. Essa organização substituiu a expectativa inicial de manter o mesmo ritmo de vendas durante toda a graduação. A permanência na universidade passou a depender de adaptar o trabalho às diferentes etapas do curso.
Experiência pessoal orienta o objetivo profissional
Ao falar sobre o futuro, Aluísio Gustavo relacionou a formação em Medicina aos problemas respiratórios que enfrentou desde criança e às alergias que dificultaram a carreira veterinária. Seu interesse declarado é trabalhar com condições como asma e bronquite, sem que isso represente promessa de especialização ou de resultado médico.
A trajetória reúne ensino público, bolsas, ajuda de professores, trabalho informal e apoio familiar, elementos que tornam a conquista maior do que uma narrativa de esforço isolado. A aprovação abriu a porta, mas a permanência continuou exigindo renda, flexibilidade e uma rede de apoio.
Na sua opinião, o que faria mais diferença para estudantes trabalhadores: bolsas permanência, horários flexíveis, moradia estudantil ou apoio para alimentação? Conte nos comentários qual medida deveria ser prioridade.
