A Vattenfall tomou a decisão final de investimento para construir seu maior sistema de baterias na Alemanha. O projeto ocupará o terreno da antiga usina nuclear de Brunsbüttel, terá 254 MW de potência e até 1.000 MWh de armazenamento. Além disso, a empresa pretende iniciar a operação até o fim de 2028, ampliando sua capacidade de armazenar energia e devolvê-la à rede quando necessário.
Uma área que durante décadas abrigou uma usina nuclear na Alemanha está prestes a receber uma nova função no setor elétrico. A empresa sueca Vattenfall anunciou, em 10 de setembro de 2026, a decisão final de investimento para construir uma bateria de grande escala em Brunsbüttel, no norte do país.
Segundo o comunicado oficial da Vattenfall, o empreendimento terá 254 megawatts (MW) de potência e capacidade de armazenamento de até 1.000 megawatts-hora (MWh). Dessa forma, o projeto representará o maior empreendimento de baterias da companhia.
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Entretanto, a instalação ainda não opera. A empresa aprovou o investimento e pretende concluir a bateria e sua conexão à rede elétrica até o final de 2028. Assim, o anúncio marca uma nova etapa na transformação de um antigo complexo nuclear em infraestrutura de armazenamento de eletricidade.
Vattenfall aproveitará terreno de antiga usina nuclear para instalar bateria de 254 MW
A Vattenfall escolheu o terreno da antiga usina nuclear de Brunsbüttel para instalar o novo empreendimento. Durante décadas, a central desempenhou um papel importante no fornecimento de eletricidade para o norte da Alemanha.

A instalação iniciou suas operações em 1976 e produziu aproximadamente 118 terawatts-hora (TWh) de eletricidade ao longo de sua vida útil, segundo informações da companhia.
Entretanto, a central interrompeu permanentemente suas operações em 2007. Posteriormente, após a decisão alemã de abandonar a energia nuclear, em 2011, a empresa avançou nos preparativos para o encerramento definitivo e o desmantelamento da unidade.
Agora, a Vattenfall pretende aproveitar a localização e as características do terreno para implantar um novo sistema energético. A futura bateria terá 254 MW de potência nominal e capacidade de armazenar até 1.000 MWh.
Além disso, a companhia considera a localização favorável para integrar o equipamento ao sistema de transmissão. Dessa maneira, o projeto demonstra como empresas do setor elétrico podem dar novas funções a terrenos de antigas usinas, sem necessariamente preservar a tecnologia de geração original.
Nova instalação não produzirá energia nuclear, mas armazenará eletricidade da rede
Embora ocupe o terreno de uma central nuclear desativada, a bateria não produzirá eletricidade por meio de reações nucleares. Em vez disso, o equipamento receberá energia da rede e armazenará essa eletricidade para utilização posterior.
Assim, a instalação terá uma função diferente daquela que a antiga usina desempenhava. Enquanto a central nuclear produzia energia, o novo sistema permitirá transferir parte da eletricidade disponível de um período para outro.
Além disso, o armazenamento poderá contribuir para o equilíbrio do sistema elétrico em momentos de variação na geração renovável. Entretanto, o desempenho dependerá das condições de operação, da disponibilidade das baterias e das necessidades da rede.
Portanto, a transformação de Brunsbüttel não representa a retomada da geração nuclear. O projeto marca a reutilização de uma área industrial para uma nova infraestrutura energética.
Bateria de 1.000 MWh poderá fornecer potência máxima durante quase quatro horas
Dois números mostram a dimensão do empreendimento: 254 MW de potência e até 1.000 MWh de capacidade de armazenamento.
Os megawatts indicam a potência que o equipamento consegue fornecer em determinado momento. Já os megawatts-hora representam a quantidade de energia que o sistema consegue armazenar.
Ao dividir a capacidade energética pela potência nominal, chegamos a uma duração teórica de aproximadamente 3 horas e 56 minutos de descarga à potência máxima. Entretanto, as condições operacionais e as perdas do sistema influenciarão o desempenho real.
Portanto, a bateria não funcionará como uma usina que produz eletricidade continuamente. Em vez disso, o sistema receberá energia em determinados períodos e poderá devolvê-la à rede quando houver necessidade.
Além disso, a duração da descarga varia conforme a potência utilizada. Caso o sistema forneça menos energia por unidade de tempo, poderá prolongar sua operação, respeitando os limites técnicos do equipamento.
Armazenamento ajudará a administrar oscilações da energia solar e eólica
Essa tecnologia ganha importância à medida que cresce a participação de fontes renováveis variáveis, especialmente energia solar e eólica.
Quando essas fontes produzem muita eletricidade, as baterias podem absorver parte da oferta. Posteriormente, os operadores podem utilizar a energia armazenada para ajudar a equilibrar o sistema.
Além disso, os equipamentos oferecem flexibilidade em situações nas quais a produção renovável não coincide com os horários de maior consumo. Dessa forma, o armazenamento pode contribuir para administrar diferenças entre oferta e demanda.
O avanço também aparece em outras iniciativas industriais. Em reportagem do CPG, Roberta Souza apresentou a construção de uma bateria de 1,6 GWh em uma antiga área de usina a carvão na Alemanha, projeto da HyperStrong com 400 MW de conexão à rede.
Embora os empreendimentos tenham responsáveis e características diferentes, ambos mostram como antigos complexos de geração convencional estão recebendo investimentos em armazenamento de energia.
Vattenfall amplia projeto de 700 MWh para até 1.000 MWh antes da decisão final
A decisão anunciada em setembro de 2026 representa uma evolução importante em relação aos planos anteriores da companhia.
Em 5 de dezembro de 2025, a Vattenfall informou que o conselho municipal de Brunsbüttel havia aprovado o plano urbanístico necessário para o avanço do empreendimento.
Naquela ocasião, a empresa previa 254 MW de potência e 700 MWh de armazenamento. Além disso, trabalhava com a expectativa de iniciar as operações até 2028.
Entretanto, na decisão final de investimento, a companhia apresentou uma configuração maior. O projeto passou a prever até 1.000 MWh de capacidade energética, mantendo os 254 MW de potência.
Essa mudança acrescentou 300 MWh ao planejamento original, um crescimento de aproximadamente 42,9% na capacidade de armazenamento anunciada.
Consequentemente, a bateria poderá sustentar sua potência nominal por mais tempo do que na configuração anterior. Assim, a ampliação elevou a quantidade de energia que o empreendimento poderá disponibilizar durante cada ciclo de operação.
Empresa não divulgou valor do investimento nem número de empregos
Embora tenha confirmado a decisão final de investimento, a Vattenfall não informou o valor financeiro do empreendimento no comunicado consultado.
Portanto, os dados disponíveis não permitem confirmar um orçamento específico para a obra. Além disso, a companhia não apresentou números de empregos para as etapas de construção ou operação.
Dessa forma, os dados técnicos permitem dimensionar o projeto, mas não sustentam estimativas de vagas ou valores financeiros que a empresa não divulgou.
O anúncio também não detalha a tecnologia química das células que integrarão o sistema. Assim, não é possível afirmar qual composição de bateria a companhia utilizará sem informações adicionais.
Entretanto, a Vattenfall já confirmou os principais parâmetros do empreendimento: 254 MW de potência, até 1.000 MWh de armazenamento e previsão de conclusão até o final de 2028.
Empresa construirá subestação e conectará bateria à rede de transmissão de 380 kV
Além da bateria, a Vattenfall desenvolverá a infraestrutura necessária para integrar o empreendimento ao sistema elétrico alemão.
Segundo a companhia, o projeto prevê conexão à rede de transmissão de 380 quilovolts (kV) da operadora 50Hertz.
O comunicado alemão também apresenta os planos para uma nova subestação, que fará parte da infraestrutura de conexão. Além disso, a Vattenfall pretende concluir a bateria e sua ligação ao sistema elétrico até o final de 2028.
Essa estrutura permitirá que o empreendimento receba eletricidade para carregar suas baterias e devolva energia à rede em outros momentos. Dessa maneira, o sistema poderá participar das operações do mercado elétrico e oferecer flexibilidade conforme as condições de oferta e demanda.
Consequentemente, a conexão representa uma etapa essencial do projeto. Afinal, a bateria precisará da infraestrutura de transmissão para movimentar grandes quantidades de eletricidade.
Expansão das baterias na Europa acompanha crescimento das fontes renováveis
A Alemanha não enfrenta sozinha o desafio de integrar volumes crescentes de energia renovável ao sistema elétrico.
Em outra matéria do CPG, Roberta Souza explicou como projetos de armazenamento de 362 MWh na Inglaterra, 790 MWh na Grécia e planos de 3 GWh em outros países europeus demonstram a expansão das baterias de escala industrial.
Entretanto, esses empreendimentos possuem cronogramas e estágios de desenvolvimento diferentes. Por isso, não é correto tratar todas as capacidades anunciadas como instalações que já operam.
Apesar dessas diferenças, os projetos refletem uma transformação comum: as empresas passaram a incorporar grandes baterias ao planejamento da infraestrutura elétrica.
Além disso, a expansão do armazenamento acompanha o crescimento de fontes cuja produção depende das condições meteorológicas. Dessa maneira, os sistemas de baterias oferecem alternativas para administrar variações na geração e no consumo.
Vattenfall poderá quase dobrar seu portfólio de baterias com o novo empreendimento
O projeto de Brunsbüttel também ampliará a estratégia comercial da Vattenfall.
Segundo o comunicado, a companhia possui 150 MW de baterias em operação e outros 120 MW em construção. Somadas, essas duas categorias representam um portfólio de 270 MW.
Com os 254 MW previstos para Brunsbüttel, a soma das capacidades poderá alcançar aproximadamente 524 MW, considerando a conclusão dos empreendimentos e sem incluir eventuais mudanças futuras.
Portanto, o novo sistema praticamente dobrará a potência do portfólio considerado. Entretanto, a empresa ainda precisa concluir a construção e iniciar as operações da instalação alemã para alcançar esse resultado.
Além disso, a expansão reforça o interesse da companhia em sistemas de armazenamento de grande escala. Dessa forma, Brunsbüttel passa a ocupar uma posição relevante na estratégia de crescimento da Vattenfall.
Nova bateria terá funcionamento independente de usinas solares e eólicas
Outro detalhe importante envolve o modelo de funcionamento dos equipamentos.
Grande parte das baterias que a Vattenfall já possui acompanha projetos solares e eólicos. Entretanto, Brunsbüttel seguirá uma estratégia diferente.
A companhia desenvolverá uma bateria independente, com conexão direta ao sistema de transmissão. Assim, o empreendimento poderá receber eletricidade da rede sem depender exclusivamente da produção de uma usina renovável específica.
Além disso, esse modelo permite que a empresa desenvolva estratégias de armazenamento conforme as condições operacionais e comerciais do sistema elétrico.
Consequentemente, a instalação poderá desempenhar diferentes funções de flexibilidade, respeitando seus limites técnicos e as regras de mercado.
A Vattenfall também pretende ampliar seus serviços de otimização e comercialização de baterias pertencentes a outros investidores.
Empresa estabelece meta de administrar até 1.500 MW de baterias até 2029
A estratégia anunciada pela Vattenfall vai além da construção de equipamentos próprios.
A companhia pretende ampliar sua participação na gestão, otimização e comercialização de sistemas de armazenamento de terceiros. Por meio desses serviços, buscará administrar a operação comercial de baterias pertencentes a outros investidores.
Segundo o comunicado de setembro de 2026, a empresa estabeleceu a meta de administrar um portfólio de até 1.500 MW de baterias até 2029.
Entretanto, isso não significa que a Vattenfall construirá ou terá a propriedade de todos esses sistemas. Afinal, a meta também inclui capacidades de terceiros, que poderão contratar os serviços de otimização da companhia.
Na prática, esse modelo permite que proprietários de baterias recorram a empresas especializadas para definir estratégias de armazenamento e comercialização de eletricidade.
Assim, a Vattenfall pretende expandir sua atuação tanto por meio de projetos próprios quanto pela prestação de serviços para outros investidores.
Preços da energia e custos operacionais influenciarão a rentabilidade das baterias
Embora o armazenamento ofereça novas oportunidades comerciais, diversos fatores influenciam a rentabilidade dos projetos.
Entre eles estão os preços da energia, os custos operacionais, a disponibilidade dos equipamentos e as regras do mercado elétrico.
Além disso, as estratégias de carregamento e descarga dependem das condições de mercado. Portanto, uma bateria não garante resultados financeiros positivos apenas por apresentar grande capacidade de armazenamento.
Da mesma forma, o crescimento do portfólio comercial da Vattenfall dependerá da contratação de novos serviços e da evolução dos projetos.
Assim, os 1.500 MW representam uma meta empresarial para 2029, não uma capacidade que a companhia já administra integralmente.
Alemanha projeta mais de 80 GW de grandes baterias até 2040
A decisão da Vattenfall acontece em um período de expansão do armazenamento elétrico na Alemanha.
Segundo a companhia, os operadores alemães das redes de transmissão esperam que a potência instalada de baterias de grande escala ultrapasse 80 gigawatts (GW) até 2040.
Entretanto, esse número representa uma projeção para o futuro. Portanto, ele não corresponde à capacidade que o país possui atualmente em operação.
O crescimento acompanha a expansão das fontes renováveis. À medida que aumentam a geração solar e a eólica, o sistema elétrico precisa administrar diferenças entre os horários de produção e consumo.
Nesse contexto, as baterias podem oferecer maior flexibilidade. Os equipamentos armazenam eletricidade durante determinados períodos e devolvem a energia em momentos posteriores.
Além disso, os sistemas podem auxiliar na integração de fontes renováveis. Entretanto, sua contribuição dependerá das necessidades da rede e das características técnicas de cada instalação.
Pesquisadores também estudam armazenamento de energia em rochas subterrâneas
Apesar do avanço das baterias eletroquímicas, pesquisadores também investigam outras formas de armazenar grandes quantidades de energia.
Em reportagem do CPG, Roberta Souza mostrou como pesquisadores estudam rochas porosas situadas entre 1.000 e 2.500 metros de profundidade para armazenar energia renovável, utilizando a compressão de ar em reservatórios subterrâneos.
Essa tecnologia funciona de maneira diferente das baterias eletroquímicas que a Vattenfall planeja instalar. Entretanto, ambas procuram enfrentar um desafio semelhante: armazenar eletricidade para ampliar a flexibilidade e facilitar a integração de fontes renováveis ao sistema energético.
Além disso, diferentes tecnologias podem atender a necessidades distintas, conforme a duração do armazenamento, a potência necessária e as condições de implantação.
Portanto, o crescimento das baterias não elimina automaticamente o interesse por outras alternativas. Pelo contrário, a expansão das fontes renováveis aumenta a importância de avaliar soluções adequadas às características de cada sistema elétrico.
Como o projeto da Vattenfall pode afetar o setor de energia?
A instalação de Brunsbüttel reúne três movimentos importantes para a indústria elétrica: reutilização de terrenos energéticos, expansão de baterias de grande escala e integração de fontes renováveis à rede.
Primeiramente, a Vattenfall aproveitará o terreno de uma antiga central nuclear que ainda passa por desmantelamento. Além disso, a conexão de 380 kV permitirá integrar o sistema de armazenamento à infraestrutura de transmissão da 50Hertz.
O empreendimento também transformará a função energética do local. Antes, a área abrigava uma instalação que produzia eletricidade por meio de reações nucleares. Agora, a empresa pretende utilizar o terreno para armazenar energia e devolvê-la ao sistema elétrico conforme a necessidade.
Para o setor, projetos desse tipo podem ajudar a administrar as oscilações na geração renovável. Além disso, oferecem alternativas aos operadores e agentes de mercado para lidar com diferenças entre oferta e demanda.
Projeto tem decisão de investimento confirmada, mas operação depende da conclusão das obras
Embora a Vattenfall tenha aprovado o investimento, o empreendimento ainda precisa avançar pelas etapas de implantação e conexão à rede.
Além disso, a empresa não apresentou estimativas específicas de economia na conta de luz, redução efetiva de emissões ou quantidade de residências que o sistema poderá atender. Portanto, os dados disponíveis não permitem atribuir esses resultados diretamente ao projeto.
O anúncio confirma a decisão final de investimento de setembro de 2026. A companhia planeja instalar 254 MW de potência, até 1.000 MWh de armazenamento e concluir o projeto até o final de 2028.
Se cumprir o cronograma, a Vattenfall dará uma nova função ao antigo terreno nuclear de Brunsbüttel e ampliará sua participação no mercado de armazenamento de energia.
Dessa forma, a iniciativa mostra como a indústria elétrica pode aproveitar instalações existentes para desenvolver novos projetos. Entretanto, os resultados operacionais e comerciais dependerão da conclusão da obra e do funcionamento efetivo do sistema.
E você: transformar terrenos de antigas usinas nucleares e a carvão em grandes sistemas de baterias é um caminho que o Brasil também deveria explorar para ampliar o armazenamento de energia renovável?
