URE Barueri alcançou 88% de implantação, tem investimento estimado em R$ 600 milhões e prevê iniciar testes em dezembro de 2026.
A URE Barueri, usina de recuperação energética de resíduos em construção na Grande São Paulo, alcançou 88% de avanço nas obras civis e na instalação dos equipamentos. Com investimento estimado em R$ 600 milhões, o empreendimento tem os primeiros testes previstos para dezembro de 2026 e poderá iniciar a operação comercial no primeiro semestre de 2027. A estrutura foi projetada para receber até 870 toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia e utilizar a parcela não reciclável na produção de eletricidade.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), em 2 de outubro, a unidade terá potência instalada de 20 MW. A geração estimada poderá corresponder ao consumo de mais de 75 mil residências ou de uma cidade com aproximadamente 250 mil habitantes. O projeto faz parte de uma parceria público-privada de 30 anos com a Prefeitura de Barueri.
URE Barueri recebe equipamentos e prepara início dos testes em dezembro
A implantação da usina avançou com a conclusão da fabricação dos equipamentos destinados à linha de incineração. De acordo com a empresa responsável pelo projeto, todo esse conjunto já foi entregue à unidade, permitindo a continuidade das atividades necessárias para preparar a estrutura para os testes.
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Ainda restam serviços de montagem eletromecânica, acabamentos civis e comissionamento. Essas etapas envolvem a preparação e a verificação dos sistemas antes do início do funcionamento, previsto inicialmente para dezembro de 2026.
A tecnologia adotada permitirá utilizar o calor produzido pela combustão dos resíduos na geração de vapor. Esse vapor será direcionado a uma turbina, responsável por movimentar o sistema de produção de eletricidade.
Conforme as informações técnicas divulgadas sobre a URE Barueri, o empreendimento foi desenvolvido para atuar na etapa final do tratamento dos resíduos, recebendo materiais que não puderam ser aproveitados nos processos anteriores de reutilização e reciclagem.
Usina terá tratamento de gases, controle de odores e destinação de cinzas
O funcionamento da URE Barueri não se limitará à combustão dos resíduos. O projeto também inclui estruturas destinadas ao controle das emissões atmosféricas, ao armazenamento temporário dos materiais recebidos e ao tratamento dos resíduos resultantes do processo térmico.

Segundo a Semil, os gases produzidos durante a combustão passarão por sistemas de tratamento antes de serem liberados pela chaminé. A unidade contará ainda com monitoramento contínuo das emissões.
Entre as estruturas e procedimentos previstos estão:
- Bunker fechado: espaço destinado ao descarregamento e armazenamento temporário dos resíduos, com medidas para evitar a dispersão de odores;
- Aproveitamento do ar interno: o ar retirado da área de recebimento será direcionado ao processo de combustão;
- Sistema de tratamento de gases: equipamentos responsáveis pelo tratamento das emissões antes de sua liberação;
- Produção de vapor: aproveitamento do calor da queima para movimentar a turbina de geração elétrica;
- Resfriamento de cinzas e escórias: etapa anterior ao encaminhamento dos materiais para destinação adequada.
A recuperação energética não elimina completamente os resíduos recebidos. De acordo com a página técnica da URE Barueri, as cinzas resultantes do processo deverão ser encaminhadas a aterros licenciados, respeitando a classificação dos materiais.
A previsão apresentada pelo empreendimento é de que as cinzas do fundo da caldeira sejam destinadas a aterro classe 2, enquanto aquelas provenientes do tratamento dos gases sejam enviadas a aterro classe 1.
Energia produzida poderá atender mais de 75 mil residências
A capacidade de geração elétrica está entre os principais indicadores do projeto. Com 20 MW de potência instalada, a URE Barueri poderá fornecer energia equivalente ao consumo de mais de 75 mil residências, segundo as estimativas apresentadas pelo Governo de São Paulo.
O Grupo Orizon também estima que a usina poderá processar aproximadamente 300 mil toneladas de resíduos sólidos por ano, volume associado aos materiais descartados por uma população de cerca de 850 mil habitantes.
Na página oficial dedicada à unidade de recuperação energética, a empresa apresenta ainda uma projeção de redução de 128 mil toneladas de CO₂ equivalente em emissões de gases de efeito estufa com a utilização da solução. Esse indicador corresponde a uma estimativa do projeto, e não a um resultado operacional já alcançado.
O Governo de São Paulo e a Orizon apresentam o empreendimento como um projeto pioneiro de usina Waste-to-Energy na América Latina. A classificação está relacionada ao modelo de recuperação energética por combustão de resíduos sólidos urbanos adotado em Barueri.
Mario Silva, diretor executivo de Transição Energética do Grupo Orizon, afirmou que a unidade permitirá dar destinação aos resíduos de uma região densamente povoada e gerar eletricidade próxima dos centros consumidores. Segundo o executivo, a proposta utiliza uma tecnologia já empregada em outros países para integrar tratamento de resíduos e aproveitamento energético.
Visita da Secretaria de Meio Ambiente acompanha avanço da construção
Na sexta-feira (2), a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, visitou a URE Barueri acompanhada por representantes da pasta e conselheiros do Grupo Orizon.

Durante a visita, foram apresentados os setores da instalação, o sistema de recebimento dos resíduos e as etapas relacionadas à combustão, à produção de eletricidade e ao tratamento dos gases.
Conforme o comunicado do Governo de São Paulo, Natália Resende destacou que o aproveitamento energético de materiais sem possibilidade de reciclagem pode ampliar as alternativas de destinação disponíveis para grandes centros urbanos.
A secretária também relacionou esse tipo de infraestrutura à possibilidade de reduzir o transporte de resíduos por longas distâncias e diminuir o volume encaminhado aos aterros sanitários.
A construção da URE integra uma parceria público-privada de 30 anos com a Prefeitura de Barueri. O empreendimento foi planejado para atender à gestão de resíduos urbanos e aproveitar energeticamente uma parcela dos materiais que, de outra forma, dependeriam de outras formas de destinação.
São Paulo registra crescimento de 234,6% nas licenças para projetos de biometano
Em outra frente da valorização energética de resíduos, São Paulo também registra avanço dos projetos de produção de biometano. Diferentemente da URE Barueri, que utilizará o calor da combustão para gerar eletricidade, essas instalações estão voltadas à produção de um combustível gasoso.
Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgados pela Semil, mostram que foram emitidas 87 licenças ambientais para empreendimentos de biometano em 2025, contra 26 em 2024. O crescimento foi de aproximadamente 234,6%.
As iniciativas estão distribuídas por 81 municípios paulistas. Do total informado, 94% estão localizadas no interior e 6% na capital. Os projetos ligados aos setores de resíduos e saneamento representam 41,2% desse conjunto.
O estado possui ainda nove plantas de biometano autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além de outras 12 em processo de autorização, conforme os dados apresentados pelo Governo de São Paulo.
A capacidade instalada informada é de aproximadamente 700 mil metros cúbicos por dia, enquanto o potencial estimado alcança 6,4 milhões de metros cúbicos diários. Os números mostram a existência de diferentes projetos de aproveitamento energético de resíduos no estado, embora utilizem tecnologias e produzam energéticos distintos.
Na URE Barueri, a próxima etapa será a conclusão dos trabalhos necessários ao início dos testes em dezembro de 2026. Caso o cronograma seja cumprido, a operação comercial poderá começar no primeiro semestre de 2027, quando a instalação passará a utilizar resíduos urbanos não recicláveis para produzir eletricidade.
