Tecnologia de hidrofólios e propulsão elétrica avança no transporte marítimo com promessa de viagens mais rápidas, silenciosas e eficientes em rotas costeiras e urbanas, reduzindo impacto ambiental e ampliando uso de hidrovias pouco exploradas em cidades e regiões insulares.
O Artemis EF-24 Passenger, ferry elétrico desenvolvido pela Artemis Technologies, chegou a Belfast como uma das apostas mais avançadas para o transporte marítimo de curta e média distância, com capacidade para 150 passageiros, velocidade máxima de 36 nós e navegação elevada por hidrofólios.
A embarcação usa o sistema Artemis eFoiler, que levanta o casco acima da superfície quando atinge determinadas condições de navegação.
Com menos contato com a água, o ferry reduz o arrasto, diminui a formação de esteira e promete viagens mais silenciosas em rotas costeiras e urbanas.
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Segundo a fabricante, os três primeiros ferries EF-24 Passenger foram entregues a Belfast em 13 de janeiro de 2026.
As unidades ainda passam por integração de sistemas, instalação de subsistemas, acabamento interno e preparação para testes no mar antes da entrada em operação comercial.
A primeira embarcação está ligada à rota entre Belfast e Bangor, com participação operacional da Brittany Ferries durante o período de demonstração.

Outra unidade será destinada às Ilhas Orkney, enquanto a terceira está prevista para operar no Solent, entre Southampton e Cowes, na Ilha de Wight.
Como funcionam os hidrofólios no ferry elétrico
O diferencial do EF-24 está no uso de hidrofólios, estruturas submersas que geram sustentação e elevam o casco durante a navegação.
Essa solução não é nova na engenharia naval, mas ganha outro alcance quando aplicada a um ferry elétrico de 24 metros e uso comercial.
Ao reduzir a área em contato com a água, a embarcação precisa vencer menos resistência para manter velocidade elevada.
Na prática, o deslocamento se aproxima de um voo baixo sobre a superfície, com menor impacto das ondas sobre o casco e menos turbulência atrás da embarcação.
A Artemis afirma que o sistema de controle automático administra altura, rolagem e arfagem durante o percurso.
Esse gerenciamento eletrônico busca manter estabilidade mesmo em condições variáveis, fator importante para rotas urbanas e costeiras com grande fluxo de passageiros.
Velocidade, autonomia e recarga elétrica
Nas especificações divulgadas pela Artemis Technologies, o EF-24 Passenger tem velocidade máxima de 36 nós, velocidade de cruzeiro de 34 nós e alcance de 70 milhas náuticas em modo foiling.
A fabricante informa que os números dependem de carga, configuração, estado do mar e temperatura.
O modelo é 100% elétrico e foi projetado para recarga rápida.
De acordo com a empresa, uma carga completa pode ser feita em menos de 60 minutos, característica que favorece operações com várias viagens ao longo do dia em trechos curtos ou médios.

A proposta é reduzir custos operacionais em comparação com ferries rápidos movidos a diesel.
A economia viria da eficiência energética, da menor necessidade de manutenção e da eliminação de combustível fóssil durante a operação.
Redução de esteira e impacto ambiental
A formação de esteira é um dos pontos mais sensíveis para embarcações rápidas em áreas próximas da costa.
Ondas geradas por ferries convencionais podem afetar marinas, estruturas flutuantes, barcos menores e trechos vulneráveis do litoral.
A Artemis sustenta que o eFoiler reduz significativamente esse efeito, o que pode permitir velocidades maiores em regiões onde barcos comuns enfrentam restrições.
Para cidades com rios, estuários ou baías, esse detalhe pode ampliar o uso de rotas aquáticas sem exigir grandes obras terrestres.
O projeto também foi desenhado para seguir o código High-Speed Craft 2000, da Organização Marítima Internacional, e padrões de classificação da DNV.
A empresa afirma que trabalha para aprovação em condições de mar de até 2,5 metros em modo foiling e 4 metros em modo convencional.
Conforto e experiência do passageiro
Além da velocidade, o EF-24 tenta resolver um obstáculo comum no transporte marítimo de passageiros: o desconforto causado por balanço, vibração e impacto das ondas.
Ao elevar o casco, o ferry tende a suavizar a travessia e reduzir a sensação de irregularidade do mar.

A fabricante apresenta esse ponto como parte central do produto, não apenas como vantagem técnica.
Em rotas usadas diariamente por trabalhadores, estudantes e turistas, a experiência a bordo pode pesar tanto quanto o tempo de viagem.
O silêncio da propulsão elétrica também reforça essa promessa. Sem motores a diesel em operação, o ambiente tende a ser menos ruidoso e sem emissões diretas durante o deslocamento.
Belfast como base de testes e operação
A chegada das primeiras unidades a Belfast dá ao projeto um caráter mais concreto.
Embora ainda não represente operação plena com passageiros, a entrega marca uma etapa além da fase conceitual e coloca o EF-24 em ambiente real de integração e testes.
O desenvolvimento recebeu apoio de programas públicos britânicos de inovação, incluindo iniciativas ligadas ao UK Research and Innovation e ao Departamento de Transportes do Reino Unido.
O objetivo é acelerar soluções marítimas de baixa emissão e criar alternativas para ligações urbanas e regionais.
Em vez de depender apenas de novas pontes, túneis ou vias terrestres, cidades costeiras podem explorar corredores aquáticos já existentes.
Esse é o argumento central da Artemis: transformar trechos de água pouco utilizados em atalhos regulares para transporte coletivo.
O avanço do EF-24 ainda depende de testes, certificações e operação comercial em rotas reais.
Mesmo assim, a combinação entre hidrofólios, propulsão elétrica, alta velocidade e menor esteira coloca o ferry entre os projetos mais observados no setor marítimo de passageiros.

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