A pressão dos Estados Unidos sobre a América Latina gerou efeitos inesperados. Em vez de enfraquecer a presença chinesa, acabou reforçando a aproximação estratégica entre Brasil e China
O governo americano intensificou sua ofensiva na América Latina porque busca frear o avanço da influência da China na região.
Sob Donald Trump, Washington pressiona parceiros a abandonar projetos estratégicos com Pequim.
Em alguns casos, a estratégia incluiu ameaças militares, como ocorreu em relação ao canal do Panamá.
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Marco Rubio tem liderado a postura mais dura. A atitude contrasta com sua atuação anterior no Senado, quando defendia outro caminho.
Em 2022, Rubio apresentou uma lei para reduzir a influência chinesa através do fortalecimento de laços comerciais regionais. O texto também previa cooperação militar e combate ao narcotráfico.
Reação brasileira e chinesa
Esse movimento acabou tendo pode ter tido um efeito inesperado. A pressão pode ter aproximado ainda mais o Brasil da China, invertendo a intenção de Donald Trump.
Nesta sexta-feira (29), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que o país está pronto para se unir ao Brasil. O objetivo seria fortalecer o Brics e resistir a atos de intimidação. A declaração foi publicada na rede social X.
“O Ministro da Fazenda chinês, Wang Yi, conversou por telefone com o Ministro da Fazenda brasileiro, Mauro Vieira. Em meio às complexas mudanças na atual conjuntura internacional, a China está disposta a fortalecer a coordenação com o Brasil e a unir forças com os países do Brics para resistir ao unilateralismo e às práticas de intimidação”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações da China.
Segundo Jian, os chanceleres Wang Yi, da China, e Mauro Vieira, do Brasil, conversaram novamente por telefone na quinta-feira (28). O pedido partiu do ministro brasileiro.
Retaliação econômica
No mesmo dia, o governo Lula anunciou o início do processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.
A medida foi uma resposta ao tarifaço americano sobre produtos brasileiros.
Lula afirmou que sua equipe ainda não conseguiu contato com a diplomacia dos EUA para discutir o tema. Portanto, a crise comercial segue sem negociação.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China destacou que Wang Yi reforçou a importância da relação bilateral.
Ele disse que China e Brasil vivem seu melhor momento histórico e defendeu acelerar a implementação de acordos já fechados pelos presidentes dos dois países.
Unidade no Sul Global
Xi Jinping também destacou a parceria com o Brasil em um contato telefônico com Lula, no último dia 11 de agosto. Segundo a agência Xinhua, o líder chinês afirmou que os dois países podem se tornar símbolo de unidade e autossuficiência entre as nações do Sul Global.
Além disso, Xi disse que a meta é construir um mundo mais justo e sustentável. A mensagem reforça a ideia de que Pequim vê no Brasil um aliado estratégico em meio às disputas internacionais.
Assim, a ofensiva de Washington parece ter produzido o efeito contrário. Enquanto pressiona, vê Brasil e China fortalecerem ainda mais sua relação política, econômica e diplomática.