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Ofensiva de Trump na América Latina acaba aproximando ainda mais Brasil e China

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 29/08/2025 às 15:05
Ofensiva de Trump na América Latina acaba aproximando ainda mais Brasil e China
Foto: Reprodução
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A pressão dos Estados Unidos sobre a América Latina gerou efeitos inesperados. Em vez de enfraquecer a presença chinesa, acabou reforçando a aproximação estratégica entre Brasil e China

O governo americano intensificou sua ofensiva na América Latina porque busca frear o avanço da influência da China na região.

Sob Donald Trump, Washington pressiona parceiros a abandonar projetos estratégicos com Pequim.

Em alguns casos, a estratégia incluiu ameaças militares, como ocorreu em relação ao canal do Panamá.

Marco Rubio tem liderado a postura mais dura. A atitude contrasta com sua atuação anterior no Senado, quando defendia outro caminho.

Em 2022, Rubio apresentou uma lei para reduzir a influência chinesa através do fortalecimento de laços comerciais regionais. O texto também previa cooperação militar e combate ao narcotráfico.

Reação brasileira e chinesa

Esse movimento acabou tendo pode ter tido um efeito inesperado. A pressão pode ter aproximado ainda mais o Brasil da China, invertendo a intenção de Donald Trump.

Nesta sexta-feira (29), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que o país está pronto para se unir ao Brasil. O objetivo seria fortalecer o Brics e resistir a atos de intimidação. A declaração foi publicada na rede social X.

“O Ministro da Fazenda chinês, Wang Yi, conversou por telefone com o Ministro da Fazenda brasileiro, Mauro Vieira. Em meio às complexas mudanças na atual conjuntura internacional, a China está disposta a fortalecer a coordenação com o Brasil e a unir forças com os países do Brics para resistir ao unilateralismo e às práticas de intimidação”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações da China.

Segundo Jian, os chanceleres Wang Yi, da China, e Mauro Vieira, do Brasil, conversaram novamente por telefone na quinta-feira (28). O pedido partiu do ministro brasileiro.

Retaliação econômica

No mesmo dia, o governo Lula anunciou o início do processo que pode levar à aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos.

A medida foi uma resposta ao tarifaço americano sobre produtos brasileiros.

Lula afirmou que sua equipe ainda não conseguiu contato com a diplomacia dos EUA para discutir o tema. Portanto, a crise comercial segue sem negociação.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da China destacou que Wang Yi reforçou a importância da relação bilateral.

Ele disse que China e Brasil vivem seu melhor momento histórico e defendeu acelerar a implementação de acordos já fechados pelos presidentes dos dois países.

Unidade no Sul Global

Xi Jinping também destacou a parceria com o Brasil em um contato telefônico com Lula, no último dia 11 de agosto. Segundo a agência Xinhua, o líder chinês afirmou que os dois países podem se tornar símbolo de unidade e autossuficiência entre as nações do Sul Global.

Além disso, Xi disse que a meta é construir um mundo mais justo e sustentável. A mensagem reforça a ideia de que Pequim vê no Brasil um aliado estratégico em meio às disputas internacionais.

Assim, a ofensiva de Washington parece ter produzido o efeito contrário. Enquanto pressiona, vê Brasil e China fortalecerem ainda mais sua relação política, econômica e diplomática.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor. Para sugestões de pauta ou qualquer dúvida, entre em contato pelo e-mail flclucas@hotmail.com.

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