O mercado de trabalho vive uma transformação acelerada, marcada por jovens mais exigentes, que priorizam qualidade de vida, remuneração compatível e oportunidades ligadas à formação. A antiga lógica de aceitar qualquer vaga apenas para garantir renda perdeu espaço, e até funções técnicas enfrentam dificuldades para atrair profissionais.
Salários mais altos, escalas menos desgastantes e maior equilíbrio entre vida pessoal e carreira têm pesado nas escolhas de emprego. A escala 6×1 está sendo evitada pelos jovens.
Essa transformação, percebida principalmente após a pandemia tem mudado a forma como candidatos enxergam o mercado.
E m algumas cidades no Brasil, comerciantes relatam que as vagas permanecem abertas por meses.
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As empresas associam a dificuldade à mudança de comportamento dos trabalhadores, que passaram a priorizar qualidade de vida.
A jornada de trabalho em escala 6×1 tem sido apontada como um dos principais obstáculos.
Muitos candidatos dizem não aceitar vagas que exigem trabalho aos domingos, feriados ou de segunda a sábado sem folgas mais equilibradas.
Vagas em aberto
Uma reportagem do G1 mostrou o caso do comerciante Rachid Sleiman, que sente diretamente o impacto dessas mudanças.
Há 41 anos no comando de uma loja de veículos no Centro de Mogi das Cruzes, ele está há seis meses com duas vagas abertas para vendedor.
“Em cinco anos, contratei apenas uma pessoa que permaneceu. Os outros saem em 15, 20, no máximo 30 dias, sempre sem um motivo definido”, contou.
Outros setores enfrentam o mesmo problema. Uma padaria tradicional do Parque Monte Líbano deixou de abrir aos domingos por não encontrar funcionários dispostos a trabalhar nesse dia.
Segundo Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), há em média de 30 a 50 vagas abertas no comércio do Alto Tietê.
A expectativa, segundo ele, é que em setembro o setor abra entre 1,8 mil e 2,5 mil oportunidades temporárias. Esse número deve crescer até dezembro, puxado por datas como o Dia das Crianças, a Black Friday e o Natal.
“O comércio tem enfrentado dificuldades para preencher vagas, principalmente em funções ligadas ao atendimento, ao caixa e às vendas. Essa realidade se intensificou no pós-pandemia, quando muitos trabalhadores migraram para outros setores ou para atividades autônomas. De lá para cá, o desafio de encontrar e reter profissionais preparados para o varejo tem sido constante“, afirmou Martinez.
Para reduzir os impactos, o Sincomércio criou um programa que conecta empresários a pessoas em busca de oportunidades. Além disso, oferece capacitação em parceria com Sebrae e Sesc.
Mudança de mentalidade
A construção de uma carreira longa deixou de ser a prioridade principal.
O avanço da tecnologia e a possibilidade de que muitas profissões desapareçam em poucos anos fizeram os trabalhadores questionarem se vale a pena se prender a uma trajetória estável.
Essa mudança de mentalidade não se restringe apenas a quem tem formação superior. Até funções que sempre exigiram jornadas extensas, como as escalas 6×1, já não são aceitas com facilidade.
A busca é por equilíbrio, por condições menos desgastantes e por mais tempo de qualidade fora do ambiente profissional.
A falta de candidatos não se limita ao comércio. Em setores como a mecatrônica, por exemplo, há oportunidades com jornada em escala 5×2, sem exigência de experiência prévia, apenas de formação técnica.
Ainda assim, muitos rejeitam as ofertas ou só aceitam com salários a partir de R$ 3 mil.
A rotatividade se tornou comum em praticamente todos os segmentos.
Hoje, trocar de emprego por diferenças pequenas de remuneração é cada vez mais frequente, enquanto a busca por estabilidade passou a ser uma preocupação maior para os empregadores do que para os trabalhadores.